IGREJA REFORMADA, SEMPRE SE REFORMANDO

“Ecclesia Reformata et Semper Reformanda est”

A frase em latim é atribuída ao teólogo reformado holandês Gilbertus Voet (1589-1676). Ela teria sido proferida durante o Sínodo de Dort, realizado em Dordrecht, Holanda, entre novembro de 1618 e maio de 1619.

É certo que há muitas interpretações para esta frase, mas abaixo declaro minha compreensão, tentando ser fiel ao reformador holandês.

  1. A igreja não consegue mudar a si mesma. Quem muda e transforma a igreja é o Cabeça, nosso Senhor Jesus Cristo.
  2. A igreja reformada sempre se reformando não quer dizer que a cada geração a igreja adeque seu ensino ao sabor das ideologias políticas, sociais, sexuais, de gênero ou seja o que for.
  3. A igreja precisa de uma reforma constante em cada geração, isto é, retornar sempre às Sagradas Escrituras sob a orientação e iluminação do Espírito Santo. Pois, a cada geração, surgem novas heresias ou velhas heresias ganham um novo colorido. O Espírito Santo, Aquele que capacita a igreja para compreender as Escrituras e responder os desafios de cada geração, está presente para transformar, orientar e fazer a igreja florescer e frutificar. As reformas das quais a igreja precisa em cada geração são no sentido de uma compreensão das Sagradas Escrituras e que levem a uma aplicação e uma prática relevante para que Cristo seja glorificado.
  4. A igreja de Cristo precisa compreender que dentro da igreja institucionalizada (qualquer que seja o modelo de estrutura), lobos devoradores surgem do meio do rebanho procurando desviar os fiéis das doutrinas da Graça. É necessário que a igreja seja sempre restaurada ao primeiro amor, à fé em Cristo, à certeza de que a salvação é unicamente pela Graça, por intermédio de Cristo Jesus e que todo crente deve dar Glória somente ao Deus vivo.
  5. A igreja pode viver uma firmeza doutrinária (ortodoxa) mas uma ortodoxia fria, sem fervor, sem paixão, sem amor a Cristo. É doutrina com um fim em si mesma. Ela precisa ser reformada.
  6. A igreja pode viver um frenesi de misticismos idólatras no qual a palavra humana e os sentimentos humanos sobrepõem as evidentes verdades bíblicas. A igreja precisa ser reformada.
  7. A igreja pode viver em busca da prosperidade material e do dinheiro exclusivamente e não pregar mais o arrependimento, a fé, e a santificação, a doutrina sobre o inferno, a volta de Cristo, os novos céus e nova terra. Quando a ênfase da mensagem está no dinheiro e prosperidade financeira, a igreja precisa ser reformada.
  8. A igreja pode viver apenas voltada para a religião, o religiosismo e o legalismo, em que os frequentantes são apenas consumidores de cultos, produtos e programas religiosos sem piedade verdadeira e sem buscar a santificação. A igreja precisa ser reformada.
  9. A igreja pode viver apenas na sua força da carne quando firma em seus diplomas, cursos, doutorados, seminários, milhares de fiéis, orçamento grande, ampla estrutura administrativa, etc. sem aquela humildade e dependência da unção e capacitação do Espírito Santo. A igreja precisa ser reformada.
  10. A igreja pode mundanizar-se: Suas práticas conciliares, tomadas de decisões, a maneira como usa o dinheiro, a conduta dos crentes nos negócios, na política, no lar, na escola, na prática da ética e na conduta sexual não difere dos que não temem a Cristo. A igreja precisa ser reformada.

A igreja precisa mesmo ser reformada e restaurada no seu compromisso pessoal com o estudo da Palavra de Deus. Restaurar o amor e a comunhão tanto entre os de casa quanto no templo.

A igreja precisa ser reformada em seu amor por missões, amor pelos que sofrem, amor pelos perdidos e enfatizar as grandes doutrinas da graça: Sola Scriptura, Sola Fide, Solus Christus, Sola Gratia, Soli Deo Gloria, isto é, Só a Escritura, Só a Fé, Só Cristo, Só a Graça e Glória somente a Deus.

Pr. Jeremias Pereira
Fonte: https://oitavaigreja.com.br/igreja-reformada-sempre-se-reformando/

O CREDO DOS APÓSTOLOS

CREDO APOSTÓLICO – Vivendo Pela Palavra

INTRODUÇÃO:

O Credo dos Apóstolos é uma das mais antigas declarações de fé que a Igreja Cristã elaborou depois do Novo Testamento. Foi usado pelos cristãos desde os primeiros séculos de nossa era. Rufino, antigo pastor, que viveu no quarto século depois de Cristo, cria que o Credo dos Apóstolos foi composto pelos próprios apóstolos em Jerusalém. Todavia, não há uma prova histórica definitiva para confirmar a suposição de Rufino. É chamado Credo dos Apóstolos porque reflete as declarações principais que os apóstolos do Senhor Jesus fizeram em seus ensinos e pregações. A palavra portuguesa credoé uma forma latina que significa eu creio. É usada para outras declarações resumidas que a igreja proclamou sobre os pontos doutrinários. Por exemplo: Credo de Nicéia,. Credo de Constantinopla e outros. Visto que o Credo dos Apóstolos é um resumo bem feito das principais crenças da Igreja Cristã, foi usado, desde o princípio, pelos candidatos ao batismo, que tinham que afirmar em voz alta, perante a Igreja, os principais pontos de sua fé. A síntese doutrinária do credo é impressionante, não só pela sua forma, mas também pela seqüência lógica das afirmações.

  • O credo dos Apóstolos tem uma estrutura trinitária:

Isto é, tem como base a doutrina da Trindade, que estudaremos no próximo capítulo (Mt.3:13-17). Alguns estudiosos têm dividido o Credo em três artigos:

o 1º fala sobre Deus, o Pai;

o 2º sobre Deus, o Filho ;

o 3º sobre Deus, o Espírito Santo.

Essa era a divisão preferida tradicionalmente pelos doutrinadores da Igreja. Vamos usar neste capítulo uma divisão sugerida por alguns cristãos mais contemporâneos, mas que seguem a orientação tradicional e que tem a vantagem de nos ilustrar com três figuras geométricas: o triângulo, o quadrilátero e o pentágono.

  • Triângulo teológico

É o triângulo que se refere ao Deus Triúno. As afirmações de fé que se encontram no Credo estão fundamentadas sobre esse aspecto triangular:

o 1º lado do Triângulo é: “Creio em Deus”;

o 2º lado é: “Creio em Jesus Cristo, seu único Filho, nosso Senhor”;

o 3º lado é: “Creio no Espírito Santo”.

  • Quadrilátero cristológico

É o quadrilátero que se refere a Cristo nas principais expressões de sua obra redentora.

O 1º lado do quadrilátero se refere à Encarnação: “Foi concebido por obra do Espírito Santo, nasceu da Virgem Maria”.

O 2º lado se refere à Expiação: Padeceu sob o poder de Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado, desceu ao Hades”.

O 3º lado se refere a sua Exaltação: que inclui a sua Ressurreição, Ascensão e o seu Senhorio: “Ressurgiu dos mortos ao terceiro dia, subiu ao céu e está sentado à mão direita de Deus, todo poderoso”.

O 4º lado se refere à Parousia. Sua volta gloriosa: “donde há de vir para julgar os vivos e os mortos”.

O Quadrilátero Cristológico ocupa lugar central no Credo. É a parte mais extensa. Isso mostra a preocupação que a Igreja teve, desde o princípio, no sentido de centralizar a pessoa de Cristo.

  • Pentágono soteriológico

É o pentágono que representa a aplicação feita pelo Espírito Santo da obra da Salvação nos homens e Cristo realizou objetivamente a obra da redenção. O Espírito Santo aplica-a subjetivamente em todos aqueles que são alcançados pela fé. No pentágono soteriológico temos a operação do Espírito Santo na vida dos seres humanos.

O 1º lado do pentágono fala do Espírito Santo criando a comunidade dos que crêem, isto é, a Igreja: “Creio no Espírito Santo, na Santa Igreja de Cristo”.

O 2º lado fala da comunhão dos santos, isto é, da comunhão entre os que crêem em Cristo formando uma unidade, que é a unidade do Corpo de Cristo.

O 3º lado fala da remissão dos pecados mostrando como o Espírito Santo libera o homem, perdoando seus pecados e o justificando pela fé.

O 4º lado refere-se à ressurreição do corpo, que é um dos pontos centrais e sempre foi o símbolo da fé cristã, porque Cristo venceu a morte e o pecado deixando a cruz e o túmulo vazios.

O 5º lado refere-se à vida eterna, ou seja, ao ponto mais elevado da situação humana. No último estágio que Deus coloca o ser humano no plano da Salvação.

Temos assim os pontos principais do Credo dos Apóstolos que servirão de roteiro para os próximos capítulos. Por que vamos seguir o roteiro dado pelo Credo? Uma das razões é porque, quando os cristãos primitivos iam ser batizados, repetiam o Credo, declarando publicamente as suas crenças, que eram as verdades que todos os cristãos aceitavam, segundo o ensino das Escrituras. E, quando ainda não tinham o Credo, outra declaração era usada, contanto que a fé em Cristo fosse confessada.

Temos como exemplo no livro dos atos dos apóstolos um fato que ilustra essa verdade. Quando Filipe, o evangelista, anunciou o evangelho para o eunuco etíope, depois de uma demorada exposição sobre a vida e a obra de Cristo, houve o seguinte diálogo: “…disse o eunuco: Eis aqui água; que impede que eu seja batizado? Filipe respondeu: É lícito, se crês de todo o coração. E respondeu ele: Creio que Jesus Cristo é o Filho de Deus. Então mandou parar o carro, ambos desceram à água, e Filipe batizou o eunuco” (At.8:36-38). O candidato à Profissão de Fé deve decorar o Credo dos Apóstolos para ter na memória o mais antigo documento dos catecúmenos da igreja primitiva. Usar o Credo na cerimônia da profissão de fé é relembrar uma das mais salutares tradições da Igreja. Antes de entrarmos nos pontos doutrinários do Credo, vamos ter um capítulo especial sobre a doutrina que é a base do Credo: a doutrina da Trindade. Depois tomaremos cada expressão do Credo e a examinaremos servindo de roteiro para nossa compreensão da doutrina e da prática da Igreja de Cristo.

CREDO DOS APÓSTOLOS:

CREIO EM DEUS PAI, TODO-PODEROSO, CRIADOR DO CÉU E DA TERRA; E EM JESUS CRISTO, SEU FILHO UNIGÊNITO, NOSSO SENHOR; O QUAL FOI CONCEBIDO POR OBRA DO ESPÍRITO SANTO, NASCEU DA VIRGEM MARIA, PADECEU SOB O PODER DE PÔNCIO PILATOS, FOI CRUCIFICADO, MORTO E SEPULTADO; DESCEU AO HADES; RESSURGIU DOS MORTOS AO TERCEIRO DIA; SUBIU AO CÉU, E ESTÁ SENTADO À MÃO DIREITA DE DEUS PAI, TODO-PODEROSO, DONDE HÁ DE VIR  JULGAR OS VIVOS E OS MORTOS.

CREIO NO ESPÍRITO SANTO; NA SANTA IGREJA DE CRISTO; NA COMUNHÃO DOS SANTOS; NA REMISSÃO DE PECADOS; NA RESSURREIÇÃO DO CORPO; E NA VIDA ETERNA. AMÉM.

DE MARIA MADALENA PARA SIMPLESMENTE MARIA

DE MARIA MADALENA PARA SIMPLESMENTE MARIA

Lucas 8:1 – 3

INTRODUÇÃO:

A história de Maria Madalena é emocionante. Saber quem ela foi, e em quem ela se tornou em Cristo, faz toda diferença. Essa mulher, possivelmente, foi quem mais esteve com Jesus em seu Ministério. Podemos supor que sua condição financeira fosse privilegiada, pois servia ao Senhor com seus bens. Ela esteve possessa por sete demônios segundo o texto lido. Como Jesus transformou a vida dessa mulher e a fez viver uma nova existência é a proposta desse estudo. Para todos nós, a experiência de libertação vem inaugurar uma extraordinária jornada, que nos dará a direção para vivermos a vontade de Deus.

PERGUNTAS PARA REFLEXÃO:

1 – Libertação

a) Maria esteve possessa por sete demônios, mas foi liberta por Jesus. Você concorda que todo pecador carece de um Libertador? Por quê?

b) Não basta sermos bons socialmente, se no íntimo do nosso lar não vivemos de forma adequada. O que você pensa de pessoas que tratam muito bem aqueles que são do seu relacionamento social, mas no ambiente familiar são abusivos e desrespeitosos?  (1 Timóteo 5:8)

2- Oferecer o melhor

a) Não mãos de quem está o seu melhor? Maria entregou o melhor de sua vida ao Senhor Jesus. Não foram os ricos que sustentaram o ministério de Jesus, mas as mulheres de vida piedosa. Que reflexão esta verdade traz ao seu coração?

b) Vivemos numa geração de meninos adultos. Homens que querem o lazer do casamento, mas fogem das responsabilidades do mesmo. Deus disse ao homem: Adão, onde você está? (Gênesis 3:9). Embora homens e mulheres tenham responsabilidades na queda, Deus chamou Adão à responsabilidade. Qual o prejuízo para a sociedade termos uma geração de meninos adultos?

3- Comunhão

Maria nunca foi, junto com as outras mulheres, “turistas” no meio dos que o serviam. Elas figuravam dentre os mais íntimos do Mestre. Por certo, diante das dificuldades vividas para estarem com o Salvador, elas se aconselhavam mutuamente e se fortaleciam. Quais são os desafios que você enfrenta para seguir a Cristo? Como podemos nos ajudar mutuamente na caminhada cristã?

CONCLUSÃO:

Muitas vezes enfrentamos lutas na nossa caminhada cristã, mas o exemplo de Maria Madalena, nos leva a perceber que ela fortaleceu a sua Comunhão com o Senhor, vencendo os desafios, passando pelo silêncio de Deus e chorando sempre aos pés do Senhor.

A intimidade com Deus, só vem quando superamos uma fé meramente romântica. Relacionar-se com Deus em intimidade, trouxe convicção de uma fé viva, que brota de dentro para fora e fez com que o Senhor Jesus a chamasse pelo nome: Maria! Ali saiu Madalena e ficou simplesmente Maria. É na intimidade que Deus conhece quem somos de fato! Busquemos mais intimidade com o Senhor no nosso dia a dia, pois só Jesus pode trazer libertação plena à nossa vida.

ORE PELA IGREJA PERSEGUIDA (www.portasabertas.org.br)

25/10 – EGITO (16º) – Interceda pelo crescimento da igreja no Egito, para que se expanda para bairros pobres e carentes. Apresente também missionários que vão a regiões inacessíveis crendo que Deus pode fazer o impossível.

26/10 – ÍNDIA (10º) – Ore pelo pastor John (nome fictício). Ele foi agredido e ameaçado por moradores que disseram para ele sair do vilarejo por ser cristão. Sua família agora está em pânico. Peça a Deus que os conforte e fortaleça.

27/10 – TURCOMENISTÃO (23º) – No Dia da Independência do Turcomenistão, clame por uma flexibilização das pesadas restrições às igrejas no país. Peça a Deus que continue trabalhando nas igrejas e que renove a alegria dos cristãos.

28/10 – MIANMAR (18º) – Clame a Deus pela segurança e proteção dos parceiros locais e voluntários da Portas Abertas que viajam para ajudar os cristãos. Ore para que a ajuda emergencial chegue aos irmãos mais necessitados.

29/10 – IRAQUE (11º) – Neste Dia Nacional do Livro, peça ao Senhor para que cada vez mais iraquianos tenham acesso à Bíblia e a literatura cristã. Que a palavra de Deus os transforme e fortaleça diante da perseguição.

30/10 – SUL DAS FILIPINAS – Interceda pelos organizadores de um seminário para famílias. Que Deus dê a eles sabedoria sobre como realizar o evento durante a pandemia. Ore também pelas famílias que participarão do seminário.

31/10 – BRASIL – O irmão José pede oração pela mãe, Marisa, que tem problema na visão. Ela precisa de tratamento na retina e controle da diabetes. Ele pede também por sua vida financeira, profissional e espiritual.

Os dois lados da moeda

Os dois lados da moeda

Lucas 15:11-31

Introdução:

Você já ouviu a expressão “dois lados de uma mesma moeda”? Na parábola que Jesus contou sobre o filho pródigo podemos conhecer o coração de dois filhos que utilizaram estratégias aparentemente opostas, mas quando observadas com atenção, têm uma mesma origem – são dois lados da mesma moeda.

1. A estratégia do filho mais novo: viver como se Deus não existisse

Quando olhamos para o filho mais novo pedindo sua herança e gastando com prazeres, festas e prostitutas. Ele pediu ao pai aquilo que era de direito e viveu como seu pai simplesmente não existisse. Ele não se preocupou se isso desagradaria ou machucaria seu pai, e nem ao menos deu notícias durante todo o tempo em que esteve fora.

Muitos de nós temos essa mesma atitude, gastando nossa vida com nossos próprios prazeres e interesses. Somos ateus funcionais. Apesar de nos dizer cristãos, vivemos nosso dia como se Deus não existisse. Falamos que cremos e amamos o Pai acima de todas as coisas, mas nossas prioridades mostram que há outra pessoa ou coisa no trono de nossas vidas.

  • Quais são as pessoas que você mais ama? O que você faz para nutrir esses relacionamentos?
  • Para refletir: olhando para o tempo que você investe no seu relacionamento com Deus, você pode dizer que ele é sua prioridade?

2. A estratégia do filho mais velho: obedecer para cobrar seus direitos

Essa parábola também nos apresenta o filho mais velho que, à primeira vista, parece ser o filho exemplar por ter ficado na fazenda e trabalhado ano após ano. Mas ao examinar sua reação quando chega do trabalho e vê que seu pai tinha dado uma festa para o seu irmão que havia retornado, vemos que seu coração não amava verdadeiramente seu pai. Ele estava interessado no que tinha para receber por todo o seu esforço.

Ele obedeceu por todos os anos em que esteve com seu pai para poder chegar até ele e cobrar o que era de direito. Assim como os fariseus para os quais Jesus contou essa parábola, esse filho vivia uma vida de religiosidade. Ele queria obedecer a cada virgula, para garantir que receberia sua recompensa e ficou irado quando viu que aquele que não merecia estava desfrutando daquilo que era direito dele.

  • Você já fez algo que não gostava fazer, mas por saber que iria receber algo por isso, continuou fazendo? Qual foi seu sentimento enquanto cumpria essa tarefa? E depois que concluiu?

3. Dois lados da mesma moeda.

O filho mais velho só escolheu um método “mais bonito” que o filho mais novo, mas ambos tinham o mesmo coração: eles não amavam o pai, mas as coisas que ele tinha a oferecer. Tinham estratégias diferentes, mas o mesmo objetivo.

Independente de usarmos a estratégia do filho mais novo ou mais velho, a verdade é que se amarmos mais as coisas que Deus pode nos oferecer do que a Ele próprio, jamais experimentaremos a real transformação de nossas vidas. Podemos até demonstrar exteriormente um comportamento de santidade, mas jamais experimentaremos a verdadeira vida abundante. Jesus, ao ser questionado pelos fariseus sobre qual seria o maior mandamento, respondeu que é amar a Deus de todo o coração, toda sua alma e todo seu entendimento (Mt 22:37)

Amar a Deus de todo o coração não é algo que podemos gerar em nós mesmos apenas com uma mudança de comportamento. Imagine que ofereçam a um torcedor de um time de futebol o valor de 100 milhões de reais para torcer de todo o coração para o time adversário em um campeonato. Por ser um prêmio relevante, ele aceita a oferta. A verdade é que ele pode comprar o uniforme completo, estar no meio da torcida organizada no estádio e até comemorar aos gritos a vitória desse time. Mas dentro dele, ele continua a torcer para o outro time.

Assim como esse torcedor, se nossa motivação em amar a Deus é simplesmente receber um prêmio – não ir para o inferno ou receber as bençãos e favor dEle aqui nessa vida – não estamos O amando de todo o coração.

  • Como você descreveria uma pessoa que anda em santidade?
  • Você acha que hoje nosso discipulado é profundo o suficiente para levar pessoas a viverem a verdadeira santidade ou estamos apenas oferecendo um prêmio para mudarem de comportamento exteriormente?
  • Como podemos obedecer a Deus em tudo, e ainda estar em pecado?

4. Amando a Deus de todo o coração

Mas se não é através de uma mudança de comportamento que vamos amar a Deus de todo o coração, como conseguir isso?

Ao ver o filho mais novo voltar, o pai celebrou uma festa. Ele ofereceu o que ele tinha de melhor na fazenda, ele ofereceu o bezerro gordo. Aquele filho veio implorando o perdão de seu pai, e pediu que fosse tratado como um empregado. Mas seu pai imediatamente o recebeu como filho e deu uma grande festa para celebrar sua volta. O que mais esse filho poderia fazer se não amar o pai de todo seu coração? Não tinha mais a ver com a herança, mas com o amor incondicional que ele recebeu.

Deus também nos deu o que Ele tinha de melhor para restaurar nosso relacionamento com Ele. Nós não merecíamos, mas recebemos graça e misericórdia através do sacrifício de Jesus. Ele é o escândalo da graça. Quando nos encontramos com o Amor, e reconhecemos que não somos merecedores do privilégio de andar com Ele não temos outra alternativa a não ser amá-Lo do todo o nosso coração, acima que qualquer coisa que Ele possa nos dar.

Solidão Pastoral

“O ministério pastoral é solitário!” Certamente todo ministro do Evangelho já ouviu essa frase! O mais triste, porém, é que muitos pastores experimentam e convivem com essa realidade! Para esses, essa afirmação não é um simples clichê, mas algo tangível e que reflete seu modus vivendi. Mas quão pervasivo é esse mal e como remediá-lo? O propósito desse ensaio é refletir justamente sobre essas questões.

Em seu artigo sobre “a dor secreta dos pastores”, Phillip Wagner, com base em um estudo estatístico desenvolvido pelo The Fuller Institute, aponta que 75% dos ministros entrevistados afirmaram não possuir amizades sólidas. Aquela situação pode ser adequadamente ilustrada por uma confissão de Steve Dewitt publicada no site do The Gospel Coalition em agosto de 2011. Dewitt, que é pastor titular de uma grande igreja no estado americano de Indiana, tem publicado vários livros e lidera um conhecido programa de rádio em seu país, é uma pessoa popular e certamente poderia reunir bom número de admiradores ao seu redor sem muitos esforços. No entanto, em sua “confissão”, ele admitiu ser uma prova viva de que é possível fazer parte da multidão e, ainda assim, estar solitário. Infelizmente a experiência de Dewitt pode ser compartilhada por inúmeros ministros do Evangelho, não apenas nos EUA, mas também no Brasil.

Em certo sentido, a solidão é realmente intrínseca à atividade ministerial. Na verdade, qualquer posição de liderança implica em algum distanciamento e reclusão do líder e, no ministério pastoral, isso não é diferente. Alguns pastores precisam se isolar por horas na preparação de sermões, palestras, lições de Escola Dominical ou mesmo na intercessão pelo rebanho. Nosso Supremo Pastor costumava se retirar para “lugares solitários” a fim de orar (Lucas 5.16) e, em determinada ocasião, ele convidou seus apóstolos a “repousar à parte”, visto que não tinham tempo nem para comer devido à multidão que atendiam (Marcos 6.31). Todavia, após aqueles momentos de reclusões, o Senhor sempre retornava ao convívio com seus discípulos. Ele ainda confirmou a necessidade de sociabilidade dos seus seguidores ao enviá-los de dois em dois para o trabalho missionário (Lucas 10.1). O problema, porém, ocorre quando a solidão deixa de ser proposital ou momentânea e se torna um “estilo de vida” para o pastor. Quando isso acontece, a solidão se torna insustentável e até aflitiva. Um dos resultados desse fenômeno é a enfermidade emocional do ministro, além de prejuízos para sua família e congregação.

Antes de prosseguir, é necessário distinguir entre solidão e isolamento. Embora pareçam sinônimas, essas palavras descrevem realidades diferentes. A primeira diz respeito a uma circunstância subjetiva, causada por diferentes fatores alheios à vontade do ministro. A segunda, no entanto, acaba sendo uma atitude objetiva, geralmente ocasionada pela decisão pessoal daquele que deseja se afastar dos outros e não faz o menor esforço para remediar a situação (no caso do isolamento, as exceções ocorrem quando a pessoa se encontra em uma condição física ou mental que precisa ser afastada do convívio social por alguma autoridade médica ou judicial). Há muitos ministros que se isolam, não buscam comunhão e se afastam do convívio com outras pessoas. No geral, isso não pode ser confundido com solidão, pois nesses casos o resultado foi buscado pelo próprio indivíduo ao invés de ser sofrido por ele.

A busca por explicações quanto a origem da solidão pastoral pode encontrar respostas variadas. É possível que ela seja circunstancial, como ocorre logo após um caso de transição pastoral, quando o obreiro não teve o tempo devido para desenvolver novas amizades. Nesses casos há também o elemento geográfico, pois os amigos ficaram para trás. É possível ainda que a solidão ocorra por uma separação inesperada, como ocorre em casos de mortes de pessoas próximas a nós. Também, quando o pastor enfrenta oposições do rebanho, ele se sente solitário e desprovido de ouvidos amigos para compartilhar sua dor. É difícil relatar casos de rejeição sem expor desnecessariamente os envolvidos e até pecar contra eles e, por isso, muitos pastores se calam e permanecem solitários.

Há, porém, casos nos quais a solidão pastoral é fruto da internalização de uma mentira apreendida desde os tempos do seminário, ou seja, de que ele está condenado a viver só. Essa mentira é resultado da profissionalização do ministério, a qual compara o pastor ao CEO de alguma empresa e deixa de vê-lo como um guia espiritual de irmãos em Cristo, com quem partilha fraquezas e objetivos. Também, é possível que a solidão ministerial seja fruto da desconfiança gerada por frustrações passadas. Algumas dessas decepções podem ter sido experimentadas pelo próprio obreiro, mas outras foram apenas assistidas por ele em relação a algum colega de ministério. Assim, devido ao medo, alguns pastores simplesmente se isolam. As causas podem ser variadas, mas os efeitos comuns são nocivos.

Como lidar com isso? Como enfrentar esse “fantasma que atormenta a tantos”? Qual o remédio bíblico para esse mal que atrapalha tantos servos do Senhor?

Solidão ministerial é um problema complexo e seria ingenuidade imaginar que exista uma “bala de prata”, ou seja, algum instrumento mágico para erradicá-lo. Todavia, Deus não nos deixou sem recurso para lidar com essa dificuldade e as Escrituras nos apontam princípios eficazes na luta contra essa adversidade.

Dentre inúmeras passagens bíblicas a serem utilizadas, é possível selecionar duas que retratam diretamente essa questão na vida de alguns servos do Senhor e observar como eles lidaram com a solidão. O primeiro texto bíblico diz respeito ao ministério do Senhor Jesus e descreve o momento em que ele orava no Getsêmani, pouco antes do seu aprisionamento. Os evangelistas registram que, naquele instante, o Senhor se voltou aos seus discípulos e disse: “a minha alma está profundamente triste até à morte; ficai aqui e vigiai comigo” (Mateus 26.38). No entanto, depois de orar individualmente, Jesus se voltou aos discípulos três vezes e em todas elas os encontrou dormindo. Em outras palavras, nos momentos mais angustiantes de seu ministério terreno, o Senhor foi deixado sozinho. A segunda passagem bíblica se encontra em 2Timóteo 4.9-18 e relata os últimos momentos da vida do apóstolo Paulo, que estava preso em Roma, prestes a ser morto, tendo enfrentado a primeira fase do seu julgamento e desprovido da companhia de seus queridos amigos. Somente Lucas permaneceu com Paulo; durante o seu julgamento, “todos” o abandonaram (v 16). Mas, além de descrever a condição solitária desses dois servos divinos, esses textos também relatam como eles reagiram àquela condição.

Ambos os textos acima evidenciam alguns princípios benéficos na luta contra a solidão. Objetivando brevidade em nossa análise, ressalto apenas cinco tópicos observados nessas duas passagens bíblicas.

  1. A importância de tomar a iniciativa na busca por outras pessoas. Tanto Jesus como Paulo tomaram a iniciativa de buscar outras pessoas nos momentos em que se sentiam sós. Jesus pediu aos seus discípulos que orassem com ele e, embora não tenha sido atendido, não expressou qualquer arrependimento por ter tomado aquela iniciativa. O apóstolo Paulo, em sua solidão, pediu que Timóteo fosse ter com ele e ainda levasse consigo Marcos, o primeiro evangelista. Em outras palavras, nenhum deles permaneceu passivo na situação, simplesmente aguardando que outros viessem a eles, mas foram ativos na tomada da iniciativa e pediram ajuda de outras pessoas. Esse fato deve ser observado por todos os pastores que, muitas vezes, se deixam paralisar pelos momentos de solidão ministerial.
  2. A necessidade de usar o tempo disponível corretamente. Jesus tinha pouco tempo antes de sua prisão e o apóstolo Paulo tinha certeza de que o tempo de sua “partida” havia chegado (2Timóteo 4.6). Ainda assim, ambos foram sábios no uso do pouco tempo que lhes restava. Jesus dedicou seus últimos momentos a derramar o coração diante do Pai em oração. Já o apóstolo Paulo usou seus últimos dias para encorajar o jovem Timóteo e pedir que ele trouxesse a ele os livros e pergaminhos, ou seja, ele se dedicaria também à leitura. O tempo daqueles dois não foi desperdiçado com coisas insignificantes nem irrelevantes, mas ações necessárias e edificantes. Em outras palavras, a solidão não pode ser justificativa para a falta de investimento no crescimento espiritual do ministro.
  3. A bênção de reconhecer a presença de Deus nesses momentos. O fato de ter sido abandonado pelos seus discípulos não impediu Jesus de derramar o seu coração ao Pai e se submeter à sua bendita vontade. Embora os olhos dos discípulos estivessem fechados pelo sono, o Senhor sabia que os ouvidos do Pai estavam abertos à sua súplica e, por isso, orou intensamente. De igual modo, o apóstolo Paulo, mesmo abandonado “por todos”, reconheceu que o Senhor esteve ao seu lado (tradução melhor do que “o Senhor me assistiu”, v 17). De fato, o Deus que trabalha para o bem daqueles que o temem não desampara e nem abandona seus servos; a solidão social não é indicativo de isolamento espiritual imposto pelo Senhor. Reconhecer isso é alento ao coração aflito e motivo de louvor e contentamento diante de Nosso Pai Celeste.
  4. A primordialidade de analisar a situação sob a ótica eterna. O evangelista Mateus registra que a vontade de Jesus era ficar livre da angústia da cruz, mas seu desejo mais intenso era que a vontade do Pai se cumprisse em sua vida. Os olhos do Redentor estavam fitos nos benefícios eternos de sua aflição. Semelhantemente, o apóstolo Paulo confessou sua convicção de que o Senhor o livraria de toda obra maligna e o levaria “salvo para o seu reino celestial” (2Timóteo 4.18). Em ambos os casos, a situação foi analisada sob a ótica eterna e não apenas temporal. É certo que aquilo que acontece em nossa existência terrena machuca nosso coração e aflige nosso espírito, mas é possível obter alento ao contemplarmos nossa condição temporal sob a ótica eterna.  
  5. A convicção de que o Senhor usa até nossa solidão para o avanço do seu Reino. O fato desses dois textos se encontrarem nas Escrituras deveria encorajar o servo de Deus quanto ao fato de que o Senhor não “desperdiça nada” em prol do avanço do seu Reino. Todavia, esses não são os únicos textos que retratam a solidão dos servos do Senhor. O que dizer sobre Moisés, que, após ter liderado o povo de Israel à Terra Prometida, morreu só (Deuteronômio 34)? E o que dizer de Elias, que, depois de derrotar os profetas de Baal, se sentiu solitário (cf. 1Reis 19)? Todos esses episódios consolam e confortam os servos do Senhor que lutam contra a solidão ministerial. Em outras palavras, Deus não desperdiçou aqueles momentos de angústia de seus servos e, certamente, não desperdiçará os nossos, pelo contrário, os empregará no avanço do Reino eterno.

Solidão ministerial não é privilégio de alguns, mas parece acompanhar os ministros do Senhor em ocasiões específicas nesse mundo. Ainda assim, o Senhor nunca abandona os seus servos e ainda estabelece nas Escrituras passos a serem seguidos pelo ministro piedoso.

Fonte: https://ipb.org.br/informativo/solidao-pastoral-ha-cura-para-esse-mal-4968