O Homem e o Pecado

O Homem e o Pecado

John Piper18 de Abril de 2013 – Salvação

A desobediência fatal de Adão e a obediência triunfante de Cristo

“Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram.”Porque até ao regime da lei havia pecado no mundo, mas o pecado não é levado em conta quando não há lei.”Entretanto, reinou a morte desde Adão até Moisés, mesmo sobre aqueles que não pecaram, à semelhança da transgressão de Adão, o qual prefigurava aquele que havia de vir.”Todavia, não é assim o dom gratuito como a ofensa, porque, se, pela ofensa de um só, morreram muitos, muito mais a graça de Deus e o dom pela graça de um só homem, Jesus Cristo, foram abundantes sobre muitos.”O dom, entretanto, não é como no caso em que somente um pecou; porque o julgamento derivou de uma só ofensa, para a condenação; mas a graça transcorre de muitas ofensas, para a justificação.”Se, pela ofensa de um e por meio de um só, reinou a morte, muito mais os que recebem a abundância da graça e o dom da justiça reinarão em vida por meio de um só, a saber, Jesus Cristo.”Pois assim como, por uma só ofensa, veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também, por um só ato de justiça, veio a graça sobre todos os homens para a justificação que dá vida.”Porque, como, pela desobediência de um só homem, muitos se tornaram pecadores, assim também, por meio da obediência de um só, muitos se tornarão justos.”Sobreveio a lei para que avultasse a ofensa, mas, onde abundou o pecado, superabundou a graça,”a fim de que, como o pecado reinou pela morte, assim também reinasse a graça pela justiça para a vida eterna, mediante Jesus Cristo, nosso Senhor.” (Romanos 5.12–21)

Jesus é supremo

Jesus Cristo é a pessoa mais importante no universo – não mais importante que Deus, o Pai, ou Deus, o Espírito. Com eles, Cristo é igual em dignidade, perfeição, sabedoria, justiça, amor e poder. Mas ele é mais importante que todas as outras pessoas – sejam anjos ou demônios; reis ou comandantes; cientistas ou artistas; filósofos ou atletas; músicos ou atores – aqueles que vivem agora ou que sempre viveram ou viverão continuamente. Jesus Cristo é supremo.

Todas as coisas são para Jesus – até mesmo o mal

Tudo o que existe – incluindo o mal – é ordenado por um Deus infinitamente santo e totalmente sábio para fazer a glória de Cristo brilhar com mais esplendor. O texto de Provérbios 16.4 diz: “O Senhor fez todas as coisas para determinados fins, até o perverso para o dia da calamidade”. Deus faz isso a seu próprio modo misterioso que preserva a responsabilidade do perverso e a impecabilidade de seu próprio coração. As coisas foram feitas por meio de Cristo e “para”Cristo (Colossenses 1.16). E isso inclui, Paulo afirma, os “tronos, soberanias, principados e potestades”, que foram derrotados por Cristo na cruz. Eles foram feitos “para o dia da calamidade”. E, naquele dia, o poder, a justiça, a ira e o amor de Cristo foram manifestos. Mais cedo ou mais tarde, toda rebelião contra Cristo resulta em ruína.

O Deus que está presente

Tenho a convicção de que o cristianismo não é meramente um conjunto de ideias, práticas e sentimentos designados para nosso bem-estar psicológico – seja ele designado por Deus ou pelo homem. Isso não é Cristianismo. Ele começa com a convicção de que Deus é uma realidade objetiva fora de nós mesmos. Não o tornamos o que ele é por pensar de certa forma com respeito a ele. Conforme Francis Schaefer disse: “O Deus Presente”. Não o criamos. Ele é quem nos cria. Não decidimos como ele será. Ele decide que seremos. Deus criou o universo e o universo tem o propósito que Deus concede a ele, não o propósito que nós conferimos a ele. Se lhe dermos um propósito diferente do divino, somos insensatos. E nossas vidas serão trágicas no fim. Cristianismo não é um jogo; não é uma terapia. Todas as suas doutrinas fluem do que Deus é e do que ele faz na história. Elas correspondem aos fatos rigorosos. O cristianismo é mais que fatos. Há a fé, a esperança e o amor. Mas eles não flutuam no ar; crescem como grandes cedros na rocha da verdade de Deus.

Estou profundamente convencido pela Bíblia que nossa alegria, força e santidade eternas dependem da solidez dessa visão de mundo que é colocar fibra forte na espinha dorsal de sua fé. Tímidas visões de mundo produzem cristãos tímidos. E cristãos tímidos não sobreviverão aos dias à frente. Emocionalismo sem raiz que trata o cristianismo como uma opção terapêutica será eliminado nos Últimos Dias. Aqueles que permanecerão firmes serão os que construíram suas casas sobre a rocha da grande verdade objetiva com Jesus Cristo como a origem, o centro, e o propósito de tudo isso.

A glória de Jesus planejada no pecado de Adão

Nosso foco é no pecado extraordinário do primeiro homem, Adão, e como esse pecado preparou o cenário mais extraordinário: a contrainserção de Jesus Cristo. Vamos voltar para Romanos 5.12-21.

Quero focar na glória de Cristo como o principal propósito que Deus teve em mente quando planejou e permitiu o pecado de Adão e com ele a queda de toda a humanidade no pecado. A Palavra diz: “Seja o que Deus permitir, ele o faz por uma razão”. E suas razões são sempre infinitamente sábias e propositais. Ele não tinha obrigação de permitir que a Queda ocorresse. Ele poderia tê-la impedido, assim como teria evitado a queda de Satanás. O fato de que Deus não a impediu significa que ele tem uma razão, um propósito para ela. E ele não faz seus planos enquanto acontece alguma atividade. Ele sabe o que é sábio, sempre sabe o que é sábio. Portanto, o pecado de Adão e a queda da raça humana com ele no pecado e miséria não encontraram Deus desprevenido e é parte de seu plano abrangente para manifestar a plenitude da glória de Jesus Cristo.

Uma das formas mais claras de demonstrar isso na Bíblia – e não vamos entrar em detalhes sobre esse assunto aqui – é examinar aquelas passagens onde o sacrifício de Cristo que vence o pecado é exposto como estando na mente de Deus antes da criação do mundo. Por exemplo, em Apocalipse 13.8, João escreve sobre “aqueles cujos nomes não foram escritos no Livro da Vida do Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo”. Assim, havia um livro antes da fundação do mundo chamado”O Livro da Vida do Cordeiro que foi morto. Antes que o mundo fosse criado, Deus já havia planejado que seu Filho seria morto como um cordeiro para salvar todos aqueles que estão escritos no livro. Poderíamos examinar muitos outros textos como estes (Ef 1.4-5; 2Tm 1.9; Tt 1.1-2; 1Pd 1.20) para perceber a visão bíblica de que os sofrimentos e a morte de Cristo pelo pecado não são planejados depois do pecado de Adão, mas antes. Portanto, quando o pecado de Adão acontece, Deus não é surpreendido por ele, mas já o tornou parte de seu plano, o plano de manifestar sua paciência, graça, justiça e ira maravilhosas na história da redenção, e, então, em um clímax, revelar a magnificência de seu Filho como o segundo Adão, superior por todos os modos ao primeiro Adão.

Assim, examinamos Romanos 5.12-21 desta vez tendo em mente que o pecado extraordinário de Adão não frustrou os propósitos de Deus de exaltar a Cristo, mas, pelo contrário, os serviu. Aqui está o modo como examinaremos esses versículos. Há cinco referências explícitas a Cristo. Uma delas estabelece o modo como Paulo pensa no que se refere a Cristo e Adão. E o restante mostra como Cristo é superior a Adão. Dois desses versículos são tão similares que os uniremos. Significa que examinaremos três aspectos da superioridade de Cristo.

Jesus, “aquele que vem”

Assim, vamos examinar a forma como Cristo é referido no versículo 14 e vamos ler os versículos 12 e 13 para o contexto: “12”Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram.”13″ Porque até ao regime da lei havia pecado no mundo, mas o pecado não é levado em conta quando não há lei.”14″Entretanto, reinou a morte desde Adão até Moisés, mesmo sobre aqueles que não pecaram, à semelhança da transgressão de Adão, o qual prefigurava aquele que havia de vir”. Há a referência a Cristo: “Aquele que havia de vir”.

O versículo 14 apresenta o modo como Paulo reflete o restante da passagem. Adão é chamado um “tipo” daquele que viria, isto é, um tipo de Cristo. Note o fato mais óbvio primeiramente: Cristo “viria”. Desde o princípio, Cristo era “aquele que viria”. Paulo mostra que Cristo não é uma ideia tardia. Paulo não diz que Cristo foi concebido como uma cópia de Adão. Ele afirma que Adão foi um tipo de Cristo. Deus tratou Adão de uma maneira que faria dele um tipo da forma que ele planejou para glorificar seu Filho. Um tipo é uma prefiguração de algo que viria mais tarde e seria semelhante ao tipo – somente superior. Por conseguinte, Deus tratou com Adão de uma maneira que o faria um tipo de Cristo.

Agora, observe com mais rigor, exatamente onde, na fluência de seu pensamento, Paulo decide dizer que Adão é um tipo de Cristo. O versículo 14: “Entretanto, reinou a morte desde Adão até Moisés, mesmo sobre aqueles que não pecaram, à semelhança da transgressão de Adão, o qual prefigurava aquele que havia de vir”. Ele decide nos dizer que Adão é um tipo de Cristo no momento após afirmar que as pessoas que não pecaram como Adão o fez ainda sofrem a punição que Adão sofreu. Por que Paulo, justamente nesse ponto, declara que Adão foi um tipo de Cristo?

Jesus, nosso representante

O argumento de Paulo demonstra a essência de como Cristo e Adão são semelhantes e diferentes. Eis o paralelo: as pessoas cujas transgressões não foram iguais as de Adão morreram como Adão. Por quê? Porque estavam ligados a Adão. Ele foi o representante da humanidade e seu pecado é considerado deles devido à conexão deles com Adão. Essa é a essência do porquê Adão é chamado um tipo de Cristo – pois nossa obediência não é igual à obediência de Cristo e, contudo, temos vida eterna com Cristo. Por quê? Porque somos unidos a Cristo pela fé. Ele é o representante da nova humanidade e sua justiça é considerada nossa justiça pela nossa união com ele (Confira Romanos 6.5).

Há um paralelo inferido em chamar Adão de um tipo de Cristo:

Adão > pecado de Adão > humanidade condenada nele > morte eterna

Cristo > justiça de Cristo > nova humanidade justificada nele > vida eterna

O restante da passagem revela o quanto Cristo e sua obra redentora são superiores a Adão e sua obra destrutiva. Tenha em mente o que disse no princípio. O que vemos aqui é a revelação das realidades que definem o mundo onde toda pessoa neste planeta vive. Todos neste planeta estão inclusos no texto porque Adão foi o pai de todos. Portanto, toda pessoa que você encontrar na América ou em qualquer país de qualquer etnia se defronta com o que esse texto fala. Morte em Adão ou vida em Cristo. É um texto universal. Não perca isso de vista. Ele é a realidade definidora para cada pessoa que você sempre encontrará. Tímidas visões de mundo produzem cristãos tímidos. Essa não é uma visão de mundo tímida. Ela se estende por toda a história e por toda a terra. Ela influencia cada pessoa no mundo e a cada manchete na internet.

A celebração da superioridade de Jesus

Vamos agora examinar três modos como Paulo celebra a superioridade de Cristo e a obra dele sobre Adão e sua obra. Eles podem ser resumidos sob três frases: 1) a abundância da graça, 2) a perfeição da obediência, e 3) o reino da vida.

1) A abundância da graça

Primeiro, o versículo 15 e a abundância da graça. “Todavia, não é assim o dom gratuito [a saber, o dom gratuito da justiça v. 17] como a ofensa, porque, se, pela ofensa de um só, morreram muitos, muito mais a graça de Deus e o dom pela graça de um só homem, Jesus Cristo, foram abundantes sobre muitos”. O ponto aqui é que a graça de Deus é mais poderosa que a ofensa de Adão. É isso que as palavras “muito mais” significam: “muito mais a graça de Deus… foram abundantes sobre muitos”. Se a ofensa do homem trouxe morte, muito mais a graça de Deus trará vida.

Mas Paulo é mais específico que isso. A graça de Deus é especificamente “a graça de um só homem, Jesus Cristo”. “Muito mais a graça de Deus e o dom “pela graça de um só homem, Jesus Cristo, foram abundantes sobre muitos”. Essas graças não são duas graças diferentes. “A graça de um só homem, Jesus Cristo” é a encarnação da graça de Deus. Essa é a forma com a qual Paulo fala sobre ela, por exemplo em Tito 2.11: “A graça de Deus se manifestou [a saber em Jesus] salvadora…”. E em

2 Timóteo 1.9: “Sua própria… graça, que nos foi dada em Cristo Jesus”. Por conseguinte, a graça que está em Jesus é a graça de Deus.

Essa graça é a soberana graça. Ela conquista tudo em seu caminho. Veremos em um momento que ela tem o poder do rei do universo. É a graça imperial. Essa é a primeira celebração da superioridade de Cristo sobre Adão. Quando a ofensa de um só homem, Adão, e a graça de um só homem, Jesus Cristo, se encontram, Adão e a ofensa perdem. Cristo e a graça vencem. São as boas-novas para aqueles que pertencem a Cristo.

2) A perfeição da obediência

Segundo, Paulo celebra a forma pela qual a graça de Cristo vence a ofensa de Adão e a morte, a saber, a perfeição da obediência de Cristo. O versículo 19: “Porque, como, pela desobediência [a saber, de Adão] de um só homem, muitos se tornaram pecadores, assim também, por meio da obediência [isto é, a de Cristo] de um só, muitos se tornarão justos”. Assim, a graça de um só homem, Jesus Cristo, o impede de pecar – ela o mantém obediente até à morte e morte de cruz (Fp 2.8) – de modo que ele oferece uma obediência perfeita e completa ao Pai em nome daqueles que estão unidos com ele pela fé. Adão fracassou em sua obediência. Cristo procedeu perfeitamente. Adão foi a fonte de pecado e morte. Cristo foi a fonte de obediência e vida.

Cristo é como Adão, que foi um tipo de Cristo – ambos são representantes de uma velha e uma nova humanidade. Deus imputa o fracasso de Adão à sua humanidade e o sucesso de Cristo à sua humanidade, devido a como essas duas humanidades estão unidas às suas respectivas cabeças. A sublime superioridade de Cristo é que ele não é apenas bem-sucedido em obedecer perfeitamente, mas o faz de tal forma que milhões de pessoas são consideradas justas pela sua obediência. Você está unido somente a Adão? Você está unido à parte da primeira humanidade destinada à morte? Ou você também está unido a Cristo e à parte da nova humanidade destinada à vida eterna?

3) O reino da vida

Terceiro, Paulo celebra não apenas a graça abundante de Cristo e a obediência perfeita de Cristo, mas finalmente, o reino da vida. A graça conduz à obediência de Cristo rumo ao triunfo da vida eterna. O versículo 21: “A fim de que, como o pecado reinou pela morte, assim também reinasse a graça pela justiça para a vida eterna, mediante Jesus Cristo, nosso Senhor”. A graça reina por meio da justiça (isto é, mediante a justiça perfeita de Cristo) para o grande clímax da vida eterna – e tudo isso é “mediante Jesus Cristo, nosso Senhor”.

Ou, uma vez mais no versículo 17, a mesma mensagem: “Se, pela ofensa de um e por meio de um só, reinou a morte, muito mais os que recebem a abundância da graça e o dom da justiça reinarão em vida por meio de um só, a saber, Jesus Cristo”. O mesmo padrão: graça por meio do dom gratuito de justiça conduz ao triunfo da vida e tudo isso acontece mediante Jesus Cristo.

Mencionei anteriormente que a graça de Deus em Cristo, a que Paulo faz alusão nesses versículos, é a soberana graça. Eis o termo onde se percebe esse fato, a saber, na palavra “reinar. A morte tem um tipo de soberania sobre o homem e reina sobre tudo. Todos morrem. Mas a graça vence o pecado e a morte. Ela reina em vida mesmo sobre aqueles que outrora estavam mortos. É graça soberana.

A obediência extraordinária de Jesus

Esta é a grande glória de Cristo – ele ultrapassa imensamente em excelência o primeiro Adão. O pecado extraordinário de Adão não é tão maior quanto a graça e a obediência extraordinárias de Cristo e o dom da vida eterna. De fato, o plano de Deus, desde o princípio, em sua justiça perfeita, foi que Adão, como o representante da humanidade, seria um tipo de Cristo como o representante de uma nova humanidade. Seu plano foi por comparação e contraste que a glória de Cristo brilharia com mais esplendor.

O versículo 17 expressa o assunto para você de uma forma muito pessoal e muito urgente. Onde você se situa? “Se, pela ofensa de um e por meio de um só, reinou a morte, muito mais os que recebem “a abundância da graça e o dom da justiça “reinarão em vida por meio de um só, a saber, Jesus Cristo”. Note as palavras muito cuidadosamente e pessoalmente: “Os que recebem a abundância da graça e o dom da justiça”.

Palavras preciosas para pecadores

Estas são palavras preciosas para pecadores: a graça é gratuita, o dom é gratuito, a justiça de Cristo é gratuita. Vocês receberão tudo isso como a esperança e o tesouro de suas vidas? Se receberem, vocês “reinarão em vida por meio de um só, a saber, Jesus Cristo”. Recebam isso agora. Testemunhem isso no batismo. E tornem-se uma parte viva do povo de Cristo.

John Piper

AutorJohn Piper

John Piper é um dos ministros e autores cristãos mais proeminentes e atuantes dos dias atuais, atingindo com suas publicações e mensagens…

BOAS PERGUNTAS – DISCIPULADO

BOAS PERGUNTAS

Um dos deveres mais importantes de um bom discipulador é fazer as perguntas corretas. Um discipulador não é somente a pessoa que responde, mas, aquela que faz com que o aprendiz faça uma proveitosa auto-reflexão.

Algumas vezes as perguntas identificam um assunto mais profundo. Noutras ocasiões as perguntas levam a temores pessoais que necessitam ser confrontados.

Digamos que o discípulo trabalha na sala de emergências de um hospital, e uma mulher que foi terrivelmente esfaqueada dá entrada na emergência. Se o discípulo volta e diz: “Fiquei muito emocionado. Nem sequer pude falar com aquela pessoa“, pois bem, essa seria a resposta mais normal das pessoas.

Pergunte-lhe por quê. Existem muitas possíveis razões. Você pode perguntar: “Que passava por sua mente quando isso ocorreu? Em que pensou?”

Talvez você vai escutar repostas do tipo: “Lembrei quando esfaqueavam a minha mãe” ou “Não posso imaginar um ser humano fazendo isto com outro ser humano“, ou “Queria ferir quem fez aquilo“. As respostas lhe indicarão como lidar, como ensinar e ministrar.

É muito benéfico que o aprendiz também faça perguntas. As perguntas também desafiam as suposições.

DISCIPULADOR-DISCÍPULO

DISCIPULADOR-DISCÍPULO:A associação perfeita para o serviço a Deus

Muitos de nós estamos familiarizados com as relações mentor-aprendiz ou discipulador-discípulo que vemos entre Moisés e Josué, Elias e Eliseu, Noemi e Rute, Paulo e Timóteo, e Jesus e Seus discípulos. Mas, o que significa ser realmente um discipulador? Quais são suas funções e responsabilidades? Quais os benefícios?

Muitas vezes, antes de começar um serviço a Deus, precisamos avaliar as direções, as implicações, e até que ponto estamos obedecendo àquilo que Deus quer de verdade, seja para a nossa vida pessoal, seja para a nossa igreja, seja para o Seu Reino como um todo.

Muitos de nós já temos crescido em Deus, dado frutos, chegado a uma maturidade maior em Deus do que muitos dos nossos irmãos. Podemos ter trilhado caminhos difíceis e aprendido lições que podem enriquecer e ajudar a tantos outros. É importante que façamos a obra de Deus e cuidemos de pessoas, de tal maneira, que a glória do Senhor seja vista ao redor e daqueles de quem cuidamos.

Pode ser também que estejamos num momento de aprendizado. Na verdade, sempre estaremos. Mas queremos dizer que às vezes somos novos em determinado trabalho, tarefa, responsabilidade. Às vezes precisamos de cuidado, orientação, conselhos, mentoria.

Por que os empresários têm aprendizes e os médicos precisam fazer uma residência? Porque a atenção personalizada dos praticantes experimentados ajuda os aprendizes a dominar as destrezas, atitudes e conhecimentos essenciais. Isto, com certeza, não é nada novo para os crentes familiarizados com a relação discipulador-discípulo entre Moisés e Josué, Elias e Eliseu, Noemi e Rute, Paulo e Timóteo, e Jesus e Seus discípulos.

O QUE É REALMENTE UM MENTOR/DISCIPULADOR?

De acordo com The Uncommon Individual Foundation [A Fundação para Indivíduos Extraordinários], uma organização dedicada à investigação e capacitação mentor-aprendiz, um mentor é «um cérebro que trabalha, um ouvido que escuta, e um empurrão na direção correta». Depois do casamento e da família, a relação discipulador-discípulo é a terceira relação mais poderosa para influenciar a conduta humana.

Randy MacFarland, vice-presidente das capacitações e relações mentor-aprendiz no Seminário de Denver, ajuda a treinar mentores. MacFarland afirma que: «Quando consideramos a fragmentação da família, a velocidade das mudanças que demanda uma aprendizagem constante de novas destrezas, e nossa sociedade inconstante que separa as famílias, a necessidade de relacionamentos mentor-aprendiz aumenta».

A Uncommon Individual Foundation identifica três aspectos que as pessoas necessitam para ter êxito: um sonho, alguém que creia nelas, e determinação. MacFarland diz que «agora, certamente acrescentamos todo o assunto ao chamado a autorização de Deus. Mas, normalmente esquecemos o quão poderoso é quando alguém crê em nós». Isto é o que os mentores fazem, e isto modela vidas.

Muitas vezes os pais jovens, na igreja, vão nos perguntar: “Com quem podemos falar? Não sabemos o que estamos fazendo!”

Outra família jovem pode dizer: “Não estamos indo muito bem com as finanças e realmente necessitamos de ajuda“. Em alguns lugares os líderes fazem associações, colocando casais jovens junto com outros casais mais maduros, por exemplo.

OS BENEFÍCIOS DA RELAÇÃO MENTOR-APRENDIZ

Muitas pessoas gostariam de ter um discipulador, mas aqueles dispostos a ser discipuladores são difíceis de encontrar. Quais são os benefícios de ser um discipulador?

Uma vantagem de ser mentor é o sentido de importância que você recebe. Como diz Don Payne:

No ministério vocacional, alguém vai se perguntar frequentemente se está fazendo diferença, ou se seus esforços sinceramente estão sendo lançados na lata de lixo. Sem dúvida, numa relação de mentor-aprendiz, geralmente tratamos com pessoas desejosas de crescer, dispostas a aprender, e podemos observar nossa inversão”.

Um segundo benefício é o crescimento pessoal. À medida que um mentor discute com um aprendiz assuntos de caráter, ambos se vêem forçados a se auto-analisar.

Roger Schmidt, da Igreja Galilee Baptist, em Denver, diz: “Não posso analisar a vida de outra pessoa sem avaliar a minha primeiro. Há pessoas que me buscam para que eu lhes dê uma resposta. Isto me leva a outro nível de prestação de contas. Eles avaliam minha vida. E isto é bastante benéfico”.

É importante lembrar sempre: “O ministério não se trata acerca de mim; não existe em função de mim.”

Desde o princípio o que um mentor faz algumas coisas bem importantes. No princípio, as tarefas são:

1. Estabelecer o tom

Uma vez que se fez contato entre o discipulador e o discípulo, cai sobre o discipulador a responsabilidade de criar um ambiente onde floresça a confiança. Uma forma de aprofundar nesta confiança é simplesmente contando-lhe sua história. Isto abre portas e produz conversas. Compartilhe algumas de suas lutas para assim levar a relação a um nível mais profundo.

O cenário é geralmente informal. Alguns aprendizes se convertem em outro membro da família do mentor. Passam tempo em suas casas jogando com as crianças e comendo com eles. Outras vezes o mentor sinceramente convida o discípulo a acompanhá-lo nas atividades ministeriais.

Podemos aprender muitas lições pastorais e ministeriais simplesmente acompanhando nosso discipulador em visitas rotineiras. Podemos e devemos, igualmente, levar nossos discípulos junto conosco. Assim, o discipulador/mentor deve ser um exemplo de liderança e serviço, garantido a reprodução da vida de Deus e do serviço cristão naqueles que andam com ele.

Todo filho de Deus precisa ouvir as palavras que Jesus ouviu em seu batismo: “Este é meu Filho amado, em quem me comprazo” (Mateus 3.17b).

2. Deixar claras as expectativas

Para que este tipo de aprendizagem seja levada a cabo de forma segura, três atitudes são exigidas: transparência, hospitalidade e vínculos.

Os discipuladores não querem que os discípulos tenham expectativas muito altas nem muito baixas. Ambos os problemas podem ser evitados se as expectativas forem discutidas abertamente. Todos os detalhes desde “Tem tarefa?” ou “Quem paga o café?” deveriam ser discutidos discutir com antecedência para chegar a um entendimento mútuo. As expectativas pouco realistas ou inexploradas podem voltar para persegui-lo mais adiante.

É bom chegar a um sobre a duração das reuniões, a freqüência, a hora, o lugar, propósito e nível de prestação de contas. Orem juntos e comprometam-se a orar pelos contatos que terão entre uma reunião e outra.

Um discípulo vai esperar que você se identifique com ele e que lhe ofereça o ombro para chorar quando sentir vontade. Bom, essa talvez não seja sua melhor contribuição como discipulador — diz Don Payne, que treina discipuladores em igrejas suburbanas e rurais. Ou o mentor talvez espere algo que o aprendiz no está disposto o não pode oferecer. No princípio, ambos precisam dizer: “Isto é o que eu penso que posso oferecer e isto é meu nível de experiência. Minha vida é como una caixa — há muito fora dela, mas você é bem-vindo a observar qualquer coisa que há no seu interior”.

MODELE SUAS HABILIDADES DE DISCIPULADOR

Una vez que se estabelece a relação, o mentor deve:

1. Manter a confiança

Depois que se estabelece a confiança, esta se deve manter. Isto significa ser honestos, abertos e transparentes. Ademais, os mentores deveriam tratar ao máximo (seguimos com os compromissos) de estar disponíveis e ser flexíveis.

Também significa uma confidencialidade apropriada; a informação privada se mantém privada. Pode ser que passem meses antes que os discípulos se abram, mas só precisa um minuto para que eles se calem, se fechem, se nós contarmos coisas de suas vidas para outra pessoa.

É bom deixar claro, desde o começo, entre os discipuladores e os discípulos, o tipo de informação que compartilharão com alguém mais, com outros líderes ou somente entre si.

A confiança brota da humildade. Quando uma pessoa não presume saber o que está em nossa cabeça e está disposta a escutar-me, isso gera confiança em mim mesmo. A tendência é que eu mantenha uma distância daqueles que parecem ter preconceitos acerca do que necessito ouvir. Escutar atentamente é a chave.

Além do mais, os discipuladores aprendem tanto quanto ensinam. As relações de discipulador-discípulo não são relações hierárquicas nem de uma só direção. Apesar de um ter mais experiência, compartilhar a vida é algo mútuo. Além do mais, uma responsabilidade adicional do discipulador é aceitar a influência do discípulo. Isto também promove a confiança.

2. Ter uma agenda

O primeiro lugar de sua agenda deveria de discipulado deveria ser as perguntas do discípulo. Mas seja suficientemente flexível para reconhecer os momentos nos quais você pode e deve ensinar algo. Jesus cativava Seus discípulos quando lhes fazia perguntas depois de haver curado os enfermos, realizar milagres e ter debates públicos. Se os mentores de hoje enviarem os aprendizes para correr riscos, para aferrar-se a sua fé, para aventurar-se para construir o reino, haverá muitos motivos para se falar!

O discipulador e o discípulo precisam compreender que no ministério podemos fazer coisas estúpidas, e a única resposta a essas coisas estúpidas é reconhecer que foi estúpido e que agora não devemos fazê-las de novo.

3. Oferecer uma rede de contatos

Uma parte importante de um ministério eficaz não é o que você sabe, mas quem você conhece. Se um discípulo lhe pergunta: «Quem sabe algo sobre isto?» e você não o sabe, então sua tarefa é «Quem eu conheço que sabe sobre isto?»

4. Oferecer uma perspectiva

Graças aos anos extras, os mentores têm algo que os aprendizes não têm: experiência. Um mentor deveria, portanto, oferecer aos aprendizes o presente da perspectiva.

É importante concentrar-se no propósito do ministério mais do que perder-se nos detalhes. É isso que fazem bom discipuladores e bons discípulos – mantêm tudo focalizado no porquê fazemos o que fazemos.

TOMANDO POSSE DAS PROMESSAS

TOMANDO POSSE DAS PROMESSAS

Aos crentes é prometido o poder espiritual. Porém, há duas partes em cada promessa de Deus:

A promessa: o conteúdo, as palavras exatas e o significado da promessa.

Tomar posse da promessa: você não pode usar o que você não possui. Você deve reivindicar as promessas de Deus para que elas se tornem em realidade em sua vida.

Como você reivindica as promessas de Deus? Aqui estão os passos:

1. VOCÊ DEVE ESCOLHER FAZÊ-LO:

Você pode colocar em prática rejeitando ou ignorando. Muitas pessoas têm rejeitado a promessa de poder espiritual. Elas creem que este poder era apenas para a Igreja Primitiva. Outros a tem ignorado. Muitos leram as promessas na Bíblia, porém não agem acordo com elas. Estas pessoas não têm a demonstração do poder de Deus em suas vidas porque elas têm exercitado seu poder de escolha e não tem reivindicado a promessa.

Sempre que há uma promessa na Palavra de Deus que não se cumpre em sua vida, isso não significa que ela não é verdadeira ou que não é para você. Não interprete a Bíblia baseando-se em sua própria experiência. Simplesmente porque você não tem experimentado uma promessa de Deus não significa que ela não é uma promessa verdadeira e válida. A promessa de poder de Deus é um dom de Deus. Porém, você deve escolher aceitar esse dom ou não.

2. VOCÊ DEVE ENTENDER OS PRINCÍPIOS:

Para possuir qualquer promessa bíblica, você deve entender os princípios nos quais ela se baseia. As promessas de Deus sempre são baseadas em certos princípios que sempre envolvem uma resposta do homem.

Por exemplo, muitas promessas de Deus são baseadas no princípio “se, então”. Deus diz “Se você faz uma certa coisa, então você receberá a promessa”. (Veja Deuteronômio 28 como um exemplo deste princípio).

Para experimentar a promessa de poder espiritual, você deve entender os princípios bíblicos de poder. No mundo natural, é semelhante a ler as instruções que vêm com um produto para aprender a operá-lo apropriadamente ou como usar uma receita para aprender a preparar uma certa comida.

3. VOCÊ DEVE APLICAR OS PRINCÍPIOS:

Alguém pode dar-lhe um presente encantador no mundo natural. Você pode escolher aceitá-lo. Vem com as instruções. Você pode ler as instruções e pode entendê-las completamente. Porém, a menos que você use as instruções para operar o dom, o produto ainda é inútil para você.

Mera compreensão dos princípios bíblicos de poder ensinados neste estudo não são suficiente. Você deve aplicar estes princípios à sua própria vida e ministério.

ALÉM DA BÊNÇÃO AO PODER

Muitos crentes não experimentam o poder porque eles nunca conseguem ir mais além do ponto da benção espiritual. O Espírito Santo começa a mover neles e eles sentem grande alegria. Eles podem expressá-lo cantando, gritando, dançando ou chorando. Eles são abençoados por Deus e respondem emocionalmente.

Não há nada de errado com isto. A Bíblia está cheia de tais experiências espirituais. Porém, Deus quer mover no Seu povo mais além do ponto da benção para a esfera de poder espiritual, além da emoção para a demonstração.

Há um a história no Antigo Testamento que ilustra esta verdade. Também ilustra o vínculo entre uma promessa e a possessão dessa promessa. A nação de Israel viajou durante muitos meses, desde o Egito através do deserto até a terra que Deus lhes prometeu. Quando eles chegaram perto desta terra prometida, Moisés enviou espias para explorar a terra. Dez dos espias voltaram com um relatório negativo. Eles disseram que havia gigantes na terra e não havia nenhuma maneira de Israel entrar para possuir a terra. Somente dois espias insistiram com as pessoas que poderiam entrar e possuir a terra e, de fato, a possuíram como Deus havia prometido.

Israel escolheu escutar o relatório negativo. Devido a isto, ainda que foi somente uma jornada de onze dias de onde estavam acampados até a Terra Prometida, Israel levou quarenta anos para fazer a jornada (Deuteronômio 1.2).

Deus levou Israel até o ponto da bênção. Eles estavam na beirada da Terra Prometida. O poder de Deus estava disponível para conquistar o inimigo. Porém, Israel se negou a avançar no poder de Deus. Não havia nada errado com a promessa. O problema foi a rejeição de Israel em possuí-a.

Você não deve deter-se quando você consegue chegar a um ponto da bênção em sua vida. Você deve irromper para a esfera do poder espiritual. Se você não faz isso, você continuará vagando em um deserto espiritual de existência seca, impotente. Você deve mover para além do ponto de bênção à esfera de poder. Você deve tornar-se um demonstrador em lugar de um expectador; um fazedor ao invés de somente um ouvinte. Quando você faz isso, você experimenta o verdadeiro fluir do poder de Deus. Você experimentará uma força de vida e unção que você nunca antes conheceu. Você experimentará a vida depois da religião.

A VIDA DEPOIS DA RELIGIÃO

“Ó Deus, tu és o meu Deus forte; eu te busco ansiosamente; a minha alma tem sede de ti; meu corpo te almeja, como terra árida, exausta, sem água. Assim, eu te contemplo no santuário, para ver a tua força e a tua glória” (Salmos 63.1-2).

Assim como há um suor enganoso e um calor que vem sobre um homem que está morrendo de frio por estar à beira da morte, assim também acontece no mundo do espírito. Há uma insensibilidade e uma atitude indiferente quando as pessoas estão morrendo espiritualmente.

A religião é o esforço do homem para conhecer a Deus. Ela consiste apenas de rituais e regulamentos, trabalhos e palavras sem poder. A religião traz a morte espiritual.

O poder de Deus é a demonstração visível de Seu desejo de revelar-se ao homem. O poder espiritual é o Reino de Deus em ação. Traz a vida espiritual.

Muitos têm experimentado a religião. Eles têm se unido a vários cultos e denominações. Estas organizações os têm acalmado em uma atitude espiritual indiferente. Eles não têm experimentado o poder do Evangelho que pode mudar suas vidas. Eles estão derrotados e desencorajados, enfermos e feridos. Eles estão morrendo espiritualmente. Seu lamento do coração é como aquele do Salmista Davi que escreveu…

“Ó Deus, tu és o meu Deus forte; eu te busco ansiosamente; a minha alma tem sede de ti; meu corpo te almeja, como terra árida, exausta, sem água. Assim, eu te contemplo no santuário, para ver a tua força e a tua glória” (Salmos 63.1-2).

Estas pessoas necessitam experimentar a vida depois da religião.

TIPOS DE PODER

Há muitos tipos de poder no mundo hoje:

O poder político é celebrado por aqueles no comando de organizações, tribos, povos, cidades, estados, províncias e nações inteiras.

O poder intelectual resulta em novas invenções, criações literárias e musicais, e o estabelecimento de instituições educacionais.

O poder físico é possuído pelos homens fortes, muitos dos quais se tornam atletas profissionais.

O poder financeiro é celebrado pelos banqueiros e homens de negócios que lideram as corporações e os grandes impérios financeiros.

O poder militar é usado pelos grandes exércitos para defender e ganhar novos territórios.

O poder da energia serve ao homem de muitas maneiras que vão desde um simples fogo ao calor, servindo uma cidade inteira com eletricidade.

O poder religioso resulta nas grandes denominações e culturas religiosas.

Todos estes são grandes poderes trabalhando em nosso mundo hoje. Porém, o chamado de Jesus não é ao poder mundano. É ao poder espiritual. Esse é um poder que não pergunta “Como posso ser servido?”, porém, “Como eu posso servir?”

DIFERENÇA NA ESTRUTURA

Jesus explicou a diferença entre a estrutura de poder do mundo e do Reino de Deus.

Ele disse:

“Então, Jesus, chamando-os, disse: Sabeis que os governadores dos povos os dominam e que os maiorais exercem autoridade sobre eles. Não é assim entre vós; pelo contrário, quem quiser tornar-se grande entre vós, será esse o que vos sirva; e quem quiser ser o primeiro entre vós será vosso servo; tal como o Filho do Homem, que não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos” (Mateus 20.25-28).

O chamado de Jesus é para deixar o poder mundano pelo poder espiritual que é dado com o propósito de servir a um mundo que sofre e que está perdido e agonizante.

PODER ESPIRITUAL

Quando nós falamos de poder neste curso, nós não estamos falando sobre denominações religiosas ou organizações religiosas feitas pelo homem. Nós não estamos falando da autoridade delegada através de um voto pela maioria. Não é a autoridade dada por um título ou escritório. Não é poder baseado em educação ou habilidade.

Quando nós falamos de poder neste curso, nós estamos referindo-nos ao conceito bíblico de poder espiritual. O significado bíblico da palavra “poder” é energia espiritual, habilidade, força e vigor. É uma força sobrenatural que produz obras e milagres poderosos.

Uma palavra similar, “autoridade”, também se usa neste curso. Como na Bíblia, ela se relaciona estreitamente a e tem o significado similar da palavra “poder”. A autoridade se refere ao poder legal e justo para agir em nome de outro. Exercer autoridade é a ação de demonstrar o poder. É possuir o direito de exercer o poder delegado dentro de limites definidos.

FORÇAS DE PODER ESPIRITUAL

Há diversas forças sobrenaturais operando no poder espiritual. A fonte bíblica de poder espiritual é o Deus vivo e verdadeiro, que é revelado na Bíblia. Deus é uma trindade, uma pessoa composta de Deus o Pai, Deus o Filho e Jesus Cristo, e Deus o Espírito Santo. Deus o Pai é a fonte do poder:

“Todo homem esteja sujeito às autoridades superiores; porque não há autoridade que não proceda de Deus; e as autoridades que existem foram por ele instituídas” (Romanos 13.1).

Deus tem delegado o poder a Seu Filho, Jesus Cristo:

“Jesus, aproximando-se, falou-lhes, dizendo: Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra” (Mateus 28.18).

Jesus tem delegado o poder espiritual aos crentes. Este poder é experimentado através do Espírito Santo:

“Mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra” (Atos 1.8).

Há outra força de poder espiritual, porém é um a força negativa. É a fonte de poder espiritual maligna e responsável pela bruxaria, feitiçaria e todas as outras práticas malignas. Essa força é Satanás, que é um poder espiritual, porém seu poder é maligno, não bom:

“Porque a nossa luta não é contra o sangue e a carne, e sim contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestes” (Efésios 6.12).

Você aprenderá mais sobre isto em o “Desafiante Enganador” do poder de Deus no Capítulo Três desta apostila.

A DEMONSTRAÇÃO DE PODER

Quando Jesus começou Seu ministério público, era um ministério de milagres. Seu ministério não teve êxito devido a sua grande organização. Ele começou com doze discípulos e acabou com onze. Não teve êxito devido à popularidade. No fim, todos se voltaram contra Ele, incluindo Seus próprios seguidores. Seu ministério alcançou as multidões devido à demonstração de poder:

“E muito se maravilhavam da sua doutrina, porque a sua palavra era com autoridade” (Lucas 4.32).

“Todos ficaram grandemente admirados e comentavam entre si, dizendo: Que palavra é esta, pois, com autoridade e poder, ordena aos espíritos imundos, e eles saem?” (Lucas 4.36).

“Como Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com poder, o qual andou por toda parte, fazendo o bem e curando a todos os oprimidos do diabo, porque Deus era com ele” (Atos 10.38).

A Igreja Primitiva nasceu em uma demonstração de poder. Eles disseram… “Estes que têm transtornado o mundo chegaram também aqui” (Atos 17.6).

A Igreja Primitiva afetou cidades e nações inteiras, porém ela não fez isso exclusivamente através de pregadores. As pessoas escutaram e suas vidas foram mudadas porque elas testemunharam da demonstração do poder de Deus:

“As multidões atendiam, unânimes, às coisas que Filipe dizia, ouvindo-as e vendo os sinais que ele operava. Pois os espíritos imundos de muitos possessos saíam gritando em alta voz; e muitos paralíticos e coxos foram curados. E houve grande alegria naquela cidade” (Atos 8.6-8).

Quando Pedro chegou em Lida, ele encontrou um homem chamado Enéias que havia estado prostrado na cama durante oito anos…

“Disse-lhe Pedro: Enéias, Jesus Cristo te cura! Levanta-te e arruma o teu leito. Ele, imediatamente, se levantou. Viram-no todos os habitantes de Lida e Sarona, os quais se converteram ao Senhor” (Atos 9.34-35).

Em Jope, Pedro levantou dos mortos uma mulher chamada Dorcas. Quando este milagre aconteceu…

“Isto se tornou conhecido por toda Jope, e muitos creram no Senhor” (Atos 9.42).

Cada demonstração miraculosa do poder de Deus enfocou a atenção no Senhor Jesus cristo. Cada encontro de poder produzia multiplicação da igreja. Influência política não é o que nós necessitamos para alcançar o mundo com o Evangelho. A Igreja Primitiva não tinha suficiente influência para tirar Pedro da prisão, porém ela tinha bastante poder para orar.

Mais pregadores não é o que alcançará o mundo. A Igreja Primitiva orou durante dias, pregou alguns minutos e se salvaram 3.000 almas (Atos 1 e 2). Hoje nós oramos dez minutos, pregamos dez dias de reavivamento, e vemos somente trinta que são salvos.

Mais dinheiro para o ministério não assegura alcançar o mundo com a mensagem do Evangelho. É verdade que o dinheiro é importante à obra do ministério, não é o essencial, mas é necessário.

Quando Pedro e João passaram pela porta do templo em Jerusalém, um mendigo coxo pediu moedas. Pedro e João não tinham sequer uma pequena quantidade de dinheiro. Porém, eles deram o que eles tinham:

“Pedro, porém, lhe disse: Não possuo nem prata nem ouro, mas o que tenho, isso te dou: em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, anda! E, tomando-o pela mão direita, o levantou; imediatamente, os seus pés e tornozelos se firmaram; de um salto se pôs em pé, passou a andar e entrou com eles no templo, saltando e louvando a Deus” (Atos 3.6-8).

O que eles tinham era poder e autoridade no nome de Jesus. Eles não tinham nenhum orçamento de publicidade para chegar à cidade de Jerusalém. Eles não tinham nenhum folheto impresso ou Bíblia, nenhuma rede de televisão. Porém, eles tinham o poder. Através da demonstração do poder de Deus, a cidade inteira foi afetada pela mensagem do evangelho (Atos 3 e 4).

A Igreja Primitiva compreendeu que o Evangelho do Reino não somente era de palavra, mas de poder:

“Porque o reino de Deus consiste não em palavra, mas em poder” (I Coríntios 4.20).

O PODER DE ESCOLHA

Quando Deus criou o mundo, Ele fez muitos tipos diferentes de criaturas. Ele fez animais, peixes, e pássaros (Gênesis 1).

Porém, a maior criação de Deus foi o homem, que foi criado em Sua própria imagem. O homem é único entre todas as criaturas porque ele tem um corpo, alma e espírito. Ele foi criado para render culto a Deus e ter comunhão com o Deus vivo e verdadeiro (Gênesis 2 e 3).

O homem, pela criação, é o companheiro de um milagre operado pelo Pai, o Deus vivo e verdadeiro. O homem, dotado com o sopro de Deus e feito à Sua imagem, tem uma capacidade para o poder diferente de qualquer outro ser criado. A esfera da operação de milagres deve ser a esfera natural do homem.

O homem tem a mente mais poderosa e inteligente de todas as criaturas de Deus. O homem tem o poder da opção. O homem pode escolher fazer o bem e o mal. Ele pode escolher obedecer a Deus ou a Satanás.

A primeira tentação do homem por Satanás no jardim do Éden enfocou neste poder de escolha (Gênesis 3). Ao pecar, uma natureza básica de pecado tem passado dão e Eva a toda humanidade devido a uma escolha errada.

A BASE DO PODER ESPIRITUAL

Se o homem deseja experimentar o verdadeiro poder espiritual, ele deve escolher servir a Deus. Desde que todos são pecadores, todos estão em necessidade de perdão:

“Pois todos pecaram e carecem da glória de Deus” (Romanos 3.23).

O perdão passa pelo arrependimento e crença em Jesus Cristo:

“Se dissermos que não temos pecado nenhum, a nós mesmos nos enganamos, e a verdade não está em nós. Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” (I João 1.8-9).

O arrependimento do pecado é a base para o poder espiritual. Você não pode experimentar o poder de Deus se você permanece na morte espiritual do pecado. Quando os discípulos estavam pregando em uma cidade, um homem chamado Simão testemunhou o poder de Deus em ação. Ele ofereceu dinheiro a Pedro e disse:

“Propondo: Concedei-me também a mim este poder, para que aquele sobre quem eu impuser as mãos receba o Espírito Santo” (Ato s 8.19).

Paulo respondeu:

“O teu dinheiro seja contigo para perdição, pois julgaste adquirir, por meio dele, o dom de Deus. Não tens parte nem sorte neste ministério, porque o teu coração não é reto diante de Deus. Arrepende-te, pois, da tua maldade e roga ao Senhor; talvez te seja perdoado o intento do coração; pois vejo que estás em fel amargura e laço de iniqüidade” (Atos 8.20-23).

O arrependimento é a base de todo poder espiritual verdadeiro. Você nunca experimentará o poder de Deus a menos que você tenha experimentado primeiro o arrependimento. A salvação do pecado é a maior demonstração do poder de Deus.

Deus não derrama Seu poder através de vasos pecadores. Ele não trabalha através de pessoas que tentam melhorar suas vidas através do auto-esforço (Mateus 9.16-17). Deus demonstra Seu poder através de vasos santos que se arrependeram e estão servindo-o.