A AÇÃO DAS TREVAS E A POSIÇÃO DO CRENTE

Sempre que falamos em batalha espiritual vem a pergunta: mas Jesus já não fez tudo? Ele não disse que tudo está consumado? Ele já não venceu o diabo e suas hordas malignas? Perfeitamente, sim, e foi por isto que Deus O colocou como Cabeça sobre todas as coisas. E a nós, Ele nos colocou como o Seu Corpo na terra (Efésios 1.21,23), agora, não mais para vencer o diabo (porque ele já foi vencido), mas para expulsar os vencidos de onde eles não podem mais ficar; e, como derrotados, eles têm que ir para onde o Senhor vitorioso determinar.

1.         O físico e o espiritual

Em virtude de vivermos num ambiente físico-material, nos esquecemos muitas vezes de que a realidade espiritual é muito mais presente e influente, com poder para criar e modificar a matéria, inclusive nossa vida física. Somente o Espírito Santo pode nos dar o correto conceito das coisas espirituais. A Bíblia diz que o visível (físico-material) veio a existir das coisas que não aparecem (do espiritual – ver Hebreus 11.3). As leis que governam o mundo espiritual prevalecem sobre as leis que regem o mundo físico.

Enquanto o mundo físico está no ‘temporal’, o mundo espiritual está ‘fora do tempo’, está no eterno. Assim, por exemplo, quando a Bíblia, que é um livro espiritual, diz que Jesus levou nossas dores e enfermidades (cfe. Isaías 53.4), isto é algo consumado espiritualmente, no eterno, sem princípio e nem fim; quando lemos que o sangue de Jesus nos purifica (Hebreus 9.14; 1Jo 1.7), trata-se de uma ação eterna. É a Palavra de Deus, além do temporal, no eterno, com poder profético para modificar as coisas que estão no tempo. Por isto fomos chamados a ser ‘geração profética’.

Nós somos seres espirituais e físicos (habitamos no corpo), quer tenhamos nascido de novo ou não. Quando morrermos fisicamente, nosso espírito será levado pela força espiritual que nos controla: para a vida eterna, se vivemos pelo Espírito Santo; ou para a morte eterna (separação de Deus), aqueles que viveram para si mesmos, gozando o mundo sob o domínio das trevas.

Os demônios, não tendo corpos físicos, procuram pessoas (corpos) para forçá-las, para habitar nelas, e destruí-las. Mas o nome de Jesus (espiritual), tendo vencido os demônios (espirituais), tem todo poder para expulsá-los das pessoas, e restaurar o ser humano (espiritual e físico).

2.         A atuação dos espíritos malignos

As hordas malignas vêm agindo em todos os escalões do mundo, desde os governantes mais poderosos, sobre a natureza, instituições, regiões geográficas, até a mais insignificante criatura. É um exército organizado (Efésios 6.10-12), cujo objetivo é roubar, matar e destruir (João 10.10). Os demônios, não tendo corpos físicos, procuram pessoas (corpos) para forçá-las, habitar nelas, destruí-las (Lucas11.24). Mas Jesus, que venceu toda hierarquia maligna, nos autoriza usar o Seu nome para expulsá-los das pessoas, restaurando-as emocional e fisicamente.

No ser humano, as forças do mal agem:

a) Na tentação:os demônios querem nos fazer pecar. Como acontece isto? Pode vir num simples pensamento. A princípio parece-nos apenas um pensamento da nossa mente. Mas, pode não ser. Pode ser uma tentação. Embora a tentação não seja pecado, se não resistirmos este pensamento, acabaremos por ceder ao pecado; e, ao cedermos ao pecado, o demônio terá o direito de oprimir uma área da nossa alma, que ficará manchada.

Canais mais comuns da tentação: Visão: através de um olhar nosso os demônios jogam um pensamento que pode nos levar ao pecado: imagens da televisão ou filmes, mulheres ou homens, vitrines, imagens de desastres e destruição, comidas etc. Audição: ouvindo músicas ou conversas que sugerem sedução, destruição, erotismo etc. Tato: cuidado onde você põe a mão (às vezes até na atividade profissional); daí pode vir a cobiça, pensamentos impuros etc.   Paladar: ao experimentar certos pratos, a pessoa perde o controle; Olfato: alguns cheiros podem trazer verdadeiras tentações. Decepções: ao passar por uma decepção a pessoa se abre para o ‘que der e vier’. Solidão: pensamentos dos mais variados vêm fazer companhia à pessoa. Fraqueza física, doenças, stress: a pessoa fica vulnerável. Amizades muito chegadas: pode abrir portas para tentações interesseiras, impuras. E outros. A tentação é inevitável; por isso, devemos agir conforme Efésios 6.10-13. (Exemplo de tentação: Pedro – Mateus 16.16-23; 26.31-35).

b) Na opressão: Se pela tentação o demônio conseguir que a pessoa aceite aquele pensamento, agora, na opressão, ele vai tentar manchar uma parte da alma, para ter o controle dessa parte e instalar o pecado. Aqui já será uma grande luta para a pessoa resistir ao pecado, pois já foi cedido um espaço para o demônio. E a partir dessa área ele começa a pressionar outras áreas da nossa alma. Um dos textos para batalharmos é 2Coríntios 10.4,5.

c) Na possessão: neste nível o demônio vem habitar na pessoa. Dominada a alma, ele invade o espírito, passando a ter autoridade sobre a alma e o corpo da pessoa. (Exemplo: Gadareno – Marcos 5.2; o jovem possesso – Marcos 9.17 etc.)

O processo do endemoninhamento ocorre, portanto, quando a pessoa abre brechas a espíritos malignos (acolhe a tentação); e, pela repetição de pecados, não resiste à opressão.

Nem todo endemoninhamento apresenta manifestação demoníaca externa. Às vezes o demônio fica habitando dentro da pessoa por anos, sem se manifestar, pois o interesse dele é destruir a ela e à sua descendência (pecados geracionais, enfermidades, palavras de maldições, acontecimentos trágicos, traumas etc)..

3.         A posição do crente em Jesus

É muito importante que as pessoas que chegam para a Igreja, passem por um processo de libertação (renúncia de práticas passadas, costumes, pactos malignos) (Atos 19.18-20). O ideal é que isto seja feito antes do Batismo, que é o marco divisório entre o velho homem e o novo homem (Romanos 6.4,6). Há muitos crentes que não conseguem crescer na fé, porque suas almas contém ‘estilhaços’ de compromissos passados (Atos 8.13,18-23).

Pode o crente ficar endemoninhado? A resposta é: o verdadeiro crente não (1João 5.18). Mas precisamos estar atentos: há pessoas que chegam para a Igreja, aprendem a forma de se comportar, participam das atividades, crescem na ‘religiosidade’, mas, de fato, nunca tiveram a experiência do novo nascimento. Assim, passam anos e anos aprisionados por Satanás, enfrentando derrotas, enfermidades, sem gozar a alegria do Espírito Santo. 

A posição que Jesus dá ao crente é de autoridade sobre todo o poder do inimigo… (Lucas 10.19). Para crescermos nisto, devemos ter vida de arrependimento, abandono do pecado e busca da intimidade com o Senhor através da oração e revelação da Sua Palavra.

Conclusão

A Bíblia nos ensina: Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; (Mateus 26:41). Em Efésios 6:18 lemos, orando em todo tempo no Espírito e para isto vigiando com toda perseverança e súplica por todos os santos. Pedro nos exorta: Sede sóbrios e vigilantes. O diabo, vosso adversário, anda em derredor, como leão que ruge procurando alguém para devorar; (1 Pedro 5:8).

Precisamos ser vigilantes contra toda tentação, e resistir a todo engano de Satanás em nossa vida, não aceitando nada que não passe pelo crivo das Escrituras Sagradas. É preciso resistiraos ataques do nosso inimigo, quer nos pensamentos, quer nas conversas, quer naquilo que estamos vendo com os nossos olhos etc. Vigilânciaé a palavra de ordem para o crente.

Não podemos aceitar nenhum tipo de opressão dos demônios sobre nós. Se estivermos debaixo da vontade de Deus (pecados confessados), sujeitando-nos a Deus, poderemos resistir ao inimigo, e ele fugirá de nós (Tiago 4.7).

Se, como crentes, nunca confessamos nem renunciamos os pecados do passado, é bom fazermos isto, a fim de nos apropriarmos de uma completa purificação, para que o inimigo não alcance vantagem sobre nós (2Coríntios 2.11). E, manter a nossa vida em pureza e em santidade. (1Tessalonicenses 5.23).