ENSINAMENTOS EQUIVOCADOS

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Há muitos ensinamentos equivocados acerca de autoridade e submissão. Pelo fato de haver uma grande mistura entre o que Deus diz e as tradições dos homens em grande parte do evangelicalismo atual, além da crescente abordagem do antigo testamento interpretando o novo e não o contrário, muitas suposições falsas permeiam a mentalidade cristã contemporânea acerca do assunto em pauta.

Um dos principais ensinamentos que corre pelas igrejas hoje em dia é que submissão é equivalente a incondicional obediência e que Deus veste certas pessoas com uma inquestionável autoridade sobre outros. Isto, porém, está muito longe de ser verdade! Este ensinamento, de fato, apenas serve para amparar os abusos de autoridade da parte de líderes inseguros.

Este tipo de ensinamento coloca os crentes sob jugos de tradições, de regras humanas, além de impedir o sacerdócio de todos os crentes e exibir o mesmo espírito de dominação que caracteriza asseitas heréticas.

Para manter a sua membresia “sob as rédeas”, muitos pastores usam (abusam) de sua autoridade, impondo sobre os crentes (falhos de real conhecimento bíblico) um medo de “estar sob maldição” caso eles não cumpram os alvos e ideais de seus líderes. Este tipo de coisa não somente é perigosa como é antibíblica! A crescente e atual doutrina de submissão à autoridade dos pastores está recheada com idéias equivocadas de autoridade e acompanhada com grandes doses de insegurança pessoal, egolatria e dominação.

Se, por um lado, há aqueles que abusam da autoridade, existem aqueles que rejeitam todo tipo de autoridade formal. Há igrejas que negam a validade do ministério pastoral e de qualquer função de liderança oficial. Na verdade, o que é pregado em tais situações é um anarquismo destruidor ou uma liderança disfarçada. Aqueles que possuem mais talentos ou carisma assumem a liderança, ainda que não possuam nenhum título ou posição oficial, mas que na prática não diferem em nada daqueles que são claramente chamados de pastores em outros círculos cristãos. E ainda há o perigo de que tais pessoas que assumem a liderança disfarçadamente não passem de manipuladores do rebanho, impondo suas próprias idéias, que estão alicerçadas em suas personalidades fortes e dinâmicas, e não na Palavra de Deus. Estes dois extremos são prejudiciais ao ensinamento e prática da verdadeira liderança segundo a visão de Deus.

O CONCEITO BÍBLICO DE SUBMISSÃO

A palavra grega traduzida como “submissão” no novo testamento é hupotasso. Algumas vezes esta palavra é traduzida como “sujeição” e, de fato, esta é uma tradução bem melhor da palavra grega.

Mas, o que é submissão ou sujeição? Sujeição é uma atitude voluntária de ceder a, cooperar com, e entregar-se à admoestação e conselho de outro. A sujeição bíblica não tem nada a ver com controle ou poder hierárquico. É uma submissão simples e humilde a outrem, reconhecendo que tal pessoa tem refletido a mente do Senhor em suas palavras e obras.

Portanto,não é um motivo legítimo submeter-se a alguém simplesmente porque ele sustém um título ou uma posição específica, assim como não é legítimo reivindicar qualquer autoridade sobre outros pelas mesmas razões.

O CONCEITO BÍBLICO DE AUTORIDADE

O outro lado da moeda da submissão é a autoridade. A palavra grega traduzida por “autoridade” é exousia. Ela deriva de outra palavra grega que significa uma possível e justa ação que pode ser continuada sem obstáculos. Autoridade,portanto, diz respeito à interpretação e comunicação de poder. É o direito de exercer um poder que lhe é conferido.

Todos os crentes possuem exousia, autoridade. Ela vem da parte de Deus não somente para os líderes, mas também para cada membro do corpo de Cristo. Deus tem dado autoridade (exousia) ao crente para ser filho de Deus (João 1.12), para possuir seus próprios bens (Atos 5.4), para decidir casar ou não (1 Coríntios 7.37), para decidir o que comer ou beber (1 Coríntios 8.9), para curar doenças (Marcos 3.15), para expulsar demônios (Mateus 10.1; Marcos 6.7; Lucas 9.1; 10.19; João 17.2), para edificar a igreja (2 Coríntios 10.8; 13.10), para receber bênçãos especiais associada com certos ministérios (1 Coríntios 9.4-18;2 tessalonicenses 3.8-9) e governar as nações e comer da árvore da vida no futuro reino (Apocalipse 2.26; 22.14).

De fato, há diferentes níveis de autoridade e submissão na igreja:

  • Nós devemos ser submissos à autoridade da Palavra de Deus (João 10.27; 15.10; Atos 28.20);
  • Nós devemos ser submissos aos nossos líderes (Hebreus 13.17; 1 Pedro 5.3; Tito 2.15; 1 Tessalonicenses 5.12, 13);
  • Nós devemos ser submissos uns aos outros (Efésios 5.21; 1 Pedro 5.5; Romanos 12.10).

A NATUREZA DA AUTORIDADE DOS LÍDERES CRISTÃOS

Toda autoridade provém de Deus (Romanos 13.1). Cristo é a primeira e soberana autoridade na igreja, seguido de perto pela Palavra de Deus e pelo Espírito Santo (2 Timóteo 3.16-17; 1.13; 1 Coríntios 12.7, 11). Nós podemos até mesmo dizer que eles formam a “tríplice” autoridade da igreja.

A autoridade dos líderes na igreja é uma autoridade que é baseada na vida divina.Os líderes escolhidos e estabelecidos por Deus possuem uma autoridade divina delegada. É uma autoridade comunicada, isto é, quando uma pessoa comunica avida de Deus através de suas palavras ou ações ela possui o suporte e respaldo do próprio Senhor.

Este tipo de autoridade não é intrínseco à pessoa ou a uma posição. Ela não reside no próprio homem ou numa posição que ele possa preencher. Pelo contrário, a autoridade do líder é extrínseca, pois ela, de fato, pertence a Cristo. Ou seja, um líder só tem o direito de ser ouvido e obedecido quando ele é enviado por Deus para falar e quando ele fala o que Deus quer falar.

Nós apenas exercitamos a verdadeira autoridade, a autoridade divina (dada por Deus),quando nós representamos a Cristo em nossas palavras e ações. A autoridade, portanto, é baseada na espiritualidade e serviço. Portanto, não é algo irrevogável.

A ênfase da verdadeira autoridade está em função e serviço, não em posição e controle. A autoridade é espiritual e, consequentemente, a espiritualidade de alguém pode ser vista na maneira como ele vive, serve e ouve ao Senhor.

Desde que a autoridade é espiritual e procede de Deus, ela não pode ser exigida aos liderados. O líder verdadeiramente chamado por Deus não precisa exigir obediência de seu rebanho. De fato, aqueles que verdadeiramente possuem autoridade espiritual não reivindicam-na sobre outros, nem ostentam seu labor espiritual ou maturidade. Na verdade, as pessoas que fazem tais reivindicações revelam sua própria imaturidade, o que descaracteriza plenamente a pessoa como líder espiritual.

Embora o verdadeiro líder não reivindique sua autoridade sobre seus liderados, a Bíblia deixa claro que os líderes espirituais devem ser seguidos e obedecidos (Hebreus 13.7, 17; 1 Pedro 5.5). Os cristãos devem ter uma atitude interior de dependência (submissão) da direção que vem por meio dos pastores e também uma resolução prática (obediência) de imitá-los e fazer o que eles dizem (Hebreus 13.7, 17, 24).

Cristo ensinou que a autoridade espiritual é completamente diferente da autoridade mundana. Infelizmente, muitos líderes eclesiásticos exercem uma liderança baseada no padrão do mundo e não segundo Deus.

Jesus Cristo ensinou:

“Mas Jesus, chamando-os para junto de si, disse-lhes: sabeis que os que são considerados governadores dos povos têm-nos sob seu domínio, e sobre eles os seus maiorais exercem autoridade. Mas entre vós não é assim; pelo contrário, quem quiser tornar-se grande entre vós, será esse o que vos sirva; e quem quiser ser o primeiro entre vós será servo de todos. Pois o próprio filho do homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos” (Marcos 10.42-45).

O Senhor Jesus traçou com bastante clareza a diferença entre o exercício da autoridade mundana e o da autoridade espiritual no seu reino. A liderança ou o exercício da autoridade mundana se baseia numa cadeia ou estrutura política e social; a liderança espiritual é baseada em funções e serviço sacrifical. A autoridade mundana é baseada em posição e nível social; a autoridade no reino de Deus é baseada em caráter piedoso. No reino de Deus, ser precede o fazer e o fazer flui do ser; função flui de caráter e aqueles que servem fazem isto porque são servos.

No mundo, a grandeza de alguém é medida por sua proeminência, poder externo e influência política. No reino de Deus, a grandeza é medida por humildade interior e serviço exterior. No mundo, os líderes aproveitam-se de suas posições para governar sobre outros. No reino de Deus, os líderes rejeitam qualquer reconhecimento que venha meramente de suas posições e preferem servir, mesmo quando não são reconhecidos.

No mundo religioso, a liderança é baseada num sistema de classes, com líderes ostentando títulos honoríficos que na maioria das vezes não se ajustam a seus chamados, exaltando posições eclesiásticas de proeminência que estão arraigadas apenas em status, prestígio e títulos. No reino de Deus não deve ser assim!

Autoridade no reino de Deus não é controle, é ajuda. É funcional mais do que oficial,espontânea mais do que legal, dinâmica mais do que mecânica.