Entendendo o Crescimento da Igreja

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Quatro Formas de Crescimento da Igreja

Aprendi desde os meus primeiros passos neste Movimento de Crescimento da Igreja, e nos últimos anos em que tenho ensinado esta matéria, o que devo ter compartilhado com 10 ou 12 mil pastores e líderes latino-americanos, que existem quatro formas de Crescimento da Igreja, e que elas são baseadas nas experiências da igreja do primeiro século. Em primeiro lugar, encontramos no capítulo dois do livro de Atos, que havia um crescimento espiritual; perseveravam na doutrina, cresciam verticalmente, em comunhão com Deus. Depois de poucas horas, aquele grupo de 120 homens e mulheres que estava no cenáculo (e isto sem dúvida incluía os 11 discípulos que tinham permanecido) havia se multiplicado, chegando a 3.120. Como teriam essas 120 pessoas solucionado o problema de um crescimento tão rápido? Em que auditório ou estádio se reuniriam? E as crianças, o que fariam com elas? As Escrituras não dão respostas a estas perguntas, mas dizem que “perseveravam na doutrina”: Tenho certeza de que não nos é dito o “como” ‘a fim de enfatizar “o que faziam”. De acordo com essa experiência e com o que hoje ensinamos no Movimento de Crescimento da Igreja, o crescimento “espiritual” era imprescindível.

Não podia haver outro crescimento sem esta base. Partindo daí, concluímos que a ênfase não está só em números, mas é colocada em todo aspecto do indivíduo e da igreja. A maturidade cristã e a relação vertical com Deus são o princípio de todo crescimento. Em segundo lugar, havia um crescimento corporativo. Cresciam no “Corpo de Cristo”; a Igreja; cresciam juntos na comunhão entre si. Por isso, Atos 2.44 nos diz; “Todos os que creram estavam juntos”. A “koinonia” da igreja do primeiro século deve contagiar nossas congregações de modo que reine a unidade e não a divisão dos crentes. Sem dúvida, temos de ter cuidado para que a “koinonia” não venha a se transformar em “koinonite”. Esta última é uma enfermidade de que muitas de nossas igrejas padecem e algumas já morreram deste mal. Temos tantas “koinonias” com os irmãos que nos concentramos em nossa edificação e perfeição e nos esquecemos das almas que estão se perdendo. Nosso mal está em engordarmos espiritualmente e deixar o mundo que nos rodeia a morrer de fome pelas coisas de Deus e pela possibilidade de conhecê-lo como seu Salvador pessoal. No caso da igreja de Atos, finalmente a perseguição terminou com as “koinonites” e então a igreja começou a crescer geograficamente. Em terceito lugar, aquela igreja tinha crescimento social segundo nos diz o versículo 47: “… contando com a simpatia de todo o povo.. ” , cresciam para fora: aqueles que os rodeavam, a vizinhança, estavam vendo o que acontecia. Quero pensar que também eles se ocuparam daquilo que, mais tarde, apresentaremos como “o mandato cultural” , o ministério social.

O testemunho não se limitava à pregação ou comunhão dos irmãos, mas eles estavam ocupados com os problemas dos que buscavam a satisfação de suas necessidades neste movimento espiritual. Sem dúvida, muitos haviam escutado o Mestre. Haviam sido curados ou alimentados, e agora buscavam nos seguidores de Cristo o respaldo necessário. Suponhamos que muitos vieram “pelos pães e peixes”. Esperamos que tenham recebido muito mais do que isso. Por último, o mesmo versículo 47 nos fala de um crescimento numérico..“…enquanto isso, acrescentava-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos…” Eles cresciam mais e mais. Como resultado eficaz das atividades individuais e coletivas da igreja e do que ela estava semeando, agora o Senhor lhe dava o crescimento. A hora da colheita havia chegado. Este era o começo, já que a descrição do escritor bíblico nos diz que nesse período de uns 30 ou 40 anos a igreja experimentou o seguinte crescimento numérico:

  • Atos 1.15 – 120 estavam reunidos.
  • 41 – 3.000 foram acrescentados.
  • 4 – 5.000 homens agregados.
  • 14 – aumentavam em grande número.
  • 1 – crescia o número dos discípulos.
  • 7 – discípulos se multiplicavam.
  • 7 – muitos sacerdotes obedeciam à fé.
  • 5-25 – o grande avivamento em Samaria.
  • 31 – as igrejas na Judéia, Galiléia e Samaria multiplicavam-se.
  • 32-42 – os que viviam em Lida e Sarona (todos se converteram).
  • 21,24 – “A palavra do Senhor crescia e se multiplicava”.
  • 24,26 – um movimento espiritual e de salvação em Antioquia.

Esta é a conclusão do que poderíamos chamar de a primeira parte do livro de Atos.

O restante do livro apresenta a perseguição, as viagens do apóstolo Paulo e outras atividades que tinham a ver com a “expansão” da igreja. Vejamos o que ocorreu neste crescimento geográfico e numérico:

  • Atos 13:43-44 – Antioquia da Pisídia
  • 48 – 49 – muitos (v. 43) – creram todos (v. 48)
  • 14:20-21 – Derbe – muitos
  • 16:5 – Galácia – aumentando em número dia a dia.
  • 4 – Tessalônica – numerosa multidão
  • 12 – Beréia – muitos creram.
  • 8-11 – Corinto – tenho muito povo nesta cidade.
  • 24 – Roma – alguns admitiam.
  • 30-31 – Recebia a todos que o procuravam.

E como se fosse para dar um retoque final a este conjunto de maravilhas que o Senhor estava fazendo, vemos em At 21.20, as palavras de Tiago: “Bem vês, irmão, quantas dezenas de milhares há entre os judeus que creram”. Tudo isto nos permite ver o interesse que o escritor teve em demonstrar os resultados da obra do Senhor. Sofreria ele do que alguns chamam de “numerolatria”? Não creio. Mas de uma coisa estou seguro, ele não sofria de “numerofobia”. O crescimento quantitativo e a expansão geográfica são importantes à luz daquilo que é apresentado no Novo Testamento.

Há poucos dias, um crítico do Movimento de Crescimento da Igreja, em uma de suas aulas, falando do relato das portas larga e estreita, disse sarcasticamente: Se a porta é estreita, por onde passará tanta gente que os adeptos do Movimento de Crescimento da Igreja pretendem ganhar? Minha resposta seria que, se Lucas encontrou e nos mostrou todos os que entraram pela porta estreita no Livro de Atos, não tenho dúvida de que o Senhor terá lugar para todos os que queiram entrar hoje também. Muitas vezes, mais estreita é a mente dos que não cumprem nem desejam cumprir a Grande Comissão.

Uma vez mais queremos repetir: o Crescimento da Igreja não tem uma ênfase única e exclusiva em números; estamos interessados no crescimento integral. Por isso, veremos agora como se desenvolveu o crescimento qualitativo da mesma igreja que, como notamos, também cresceu quantitativamente.

 

Atos 1.14 – Todos estes perseveravam unânimes.

2.1-4 – Ficaram cheios do Espírito Santo.

2.42 – Perseveravam na doutrina dos apóstolos.

2.46-47 – Diariamente, perseveraram unânimes no templo.

4.20 – Porque não podemos deixar de falar das cousas que vimos e ouvimos.

4.24 – Levantaram unânimes a voz a Deus.

4.31 – Tendo eles orado, tremeu o lugar onde estavam reunidos; todos ficaram cheios do Espírito Santo.

4.32 – Da multidão dos que creram era um o coração e a alma.

12.24 – A palavra do Senhor crescia e se multiplicava.

13.49 – E divulgava-se a palavra do Senhor por toda aquela região.

13.52 – Os discípulos, porém, transbordavam de alegria e do Espírito Santo.

16.5 – As igrejas eram fortalecidas na fé.

 

17.11 – Examinando as Escrituras todos os dias.

18.8 – Também muitos dos coríntios, ouvindo, criam e eram batizados.

19.20 – Assim a Palavra do Senhor crescia e prevalecia poderosamente.

21.19-20 – E tendo-os saudado, contou minuciosamente o que Deus fizera entre os gentios por seu ministério.

 

O crescimento qualitativo é requisito e responsabilidade de cada crente. A quantidade e qualidade não estão em polos opostos mas complementam-se; são efeitos da mesma causa e necessitam um do outro. O mesmo Senhor Jesus Cristo nos ensinou que Ele não se comprazia em:

“Sair a pescar sem recolher (bom pescado) Lucas 5.4-11

“Mesas vazias em um banquete (gente disposta) Lucas 14.15-23

“Semeadura sem colheita (a melhor qualidade de colheita) Mateus 13.3-9

“Uma figueira sem frutos (bons frutos) Lucas 13.3-9

“Uma ovelha perdida que não tenha sido trazida ao aprisco (dócil) Mateus 18.11-14

“Moeda perdida que não seja encontrada (de bom valor) Lucas 15.8-10

“Frutos maduros que não tenham sido colhidos (bom fruto) Mateus 9.36-38

“Proclamação sem resposta (resposta que busca saber mais) Mateus 10.14

Em cada uma dessas situações, podemos dizer que o Senhor esperava resultados concretos, mas, creio também, esperava boa qualidade nesses resultados.

Fonte:

MIRANDA, Juan Carlos. Manual de crescimento da igreja. São Paulo: Vida Nova, 1989.