O discipulado um a um funciona?

Tenho uma experiência um pouco frustrante com isso, mas como se diz diante de uma afirmação como esta, o problema sempre está com aquele que não funciona… será? Tenho minhas dúvidas QUANDO ME APROXIMO DO QUE A BÍBLIA DIZ A ESTE RESPEITO… durante 17 anos acreditei num modelo de discipulado, que ao “meu ver” não passou de um discipulado organizacional, cheio de regras, manipulação… Depois de ajudar milhares de pessoas, compartilhando, ensinando, tudo fica na conta daquele que sai, do mais fraco, do pobre, do sem voz… hoje vive-se a hipocrisia pós-moderna daquilo que é exterior, que é grande, que salta aos olhos, mais eu pergunto, hoje com 37 anos, só não digo que perdi meu tempo porque tenho plena convicção do que é o Reino de Deus, porém, é triste só de pensar a quantidade vozes silenciadas pela ignorância de alguns que usam o sagrado para construção dos próprios impérios pessoais… o que me parece é que estas pessoas se tornam escravas de uma estrutura simplesmente organizacional, não passam de um número,  que ao descordarem de alguma direção, são coagidas pelo medo de serem taxadas de rebeldes, “os fora da visão”… e o discipulado funciona ou não funciona?…. Já já respondo… a grande questão é: Porque tanto descaso? Perde-se um número gigantesco de pessoas em detrimento de um ganhar superficial, de uma evangelização rasa, Graça Barata como dizia Dietrich Bonhoeffer. Essa maneira pós-moderna de ser e fazer igreja é responsável pela nova classe de cristãos, os desigrejados. Sei que a maioria dos leitores do meu blog fazem parte dos movimentos de crescimento de igreja (Igreja em Células), principalmente na Visão do MDA… um dia desses perguntaram para mim: pastor estão dizendo que o sr. saiu do MDA? Fiquei surpreso com a pergunta e tentei explicar a ele o que aconteceu de fato…. A grande questão é o que de fato é!

 

O discipulado um a um funciona? Depende!!! Do que? De quem o faz! Se for totalmente organizacional ele será manipulador e frio, porém se ele for orgânico trará edificação e crescimento.

 

O Discipulado que funciona é aquele onde se compartilha os princípios bíblicos com liberdade, é aquele onde o verdadeiro amor impera, onde o perdão, o arrependimento e acima de tudo, o temor a Deus são colocados como bases imutáveis de uma prática cristocêntrica e que edifica o Reino… Agora tratar mal as pessoas, dominá-las com técnicas de manipulação, isso não é “discipulado” é “dissimulado”. Infelizmente tive que passar por isso…. Um dia me perguntaram: Mas sempre foi assim? Com lágrimas nos olhos eu disse que sim, porém eu não percebia! Então você pode estar pensando que eu não acredito no discipulado — eu te respondo agora, ACREDITO SIM, e inclusive na igreja que estou plantando estamos começando a viver o discipulado bíblico um a um… Então Pr Ande o que é discipulado? Vou te responder:

O QUE É O DISCIPULADO?

É o relacionamento entre um mestre e um aluno baseado no modelo que é Cristo. Por ele o mestre reproduz no aluno a plenitude da vida que há em Cristo, capacitando o aluno a treinar outros para que também ensinem novos discípulos

 

Este relacionamento liga a pessoa à cadeia de autoridade existente na Igreja. Assim, o discípulo é acompanhado em seu processo de crescimento e ajudado a conformar sua vida com o propósito de Deus, como também a se encaixar na vida da Igreja. Precisamos refletir muito “o como” vamos fazer isso. É neste momento que mora o perigo, podemos dizer que há uma linha muito tênue e é exatamente neste ponto onde existem os exageros. Sei que do ponto de vista organizacional a igreja precisa de diretrizes, entretanto, a falta de Visão do  “líder principal” ou “pastor presidente”, pode modificar isso em uma fórmula da morte e não de vida.

 

 

Discipular é transmitir a vida de Jesus. É reproduzir essa vida em outras pessoas, ensinando-as a guardar tudo que Ele ordenou.

 

O QUE É UM DISCIPULADO CRISTOCENTRICO?

De todos os ministérios da Igreja, o discipulado é o ministério mais incompreendido. A incompreensão já começa quando o chamamos de “um ministério”. Ele não deveria ser “um ministério” da igreja, mas sim “o ministério” da igreja. Outro erro também é relacioná-lo a uma classe de novos convertidos, ou ainda a algumas lições ditas “básicas” para novos convertidos.

 

Querendo ou não, as prioridades da igreja acabam ofuscando o ministério do discipulado. Programações, teorias de marketing, espetáculos de cura e libertação, louvorzões, preocupação com resultados e elasticidade nos números fazem com que a tarefa do discipulado seja cada vez mais negligenciada ou confundida nos dias de hoje. Entretanto, o discipulado ainda é a responsabilidade mais importante da igreja local. Ele não precisa de grandes estruturas, finanças, eventos, e coisas do tipo. Seu segredo está no relacionamento de pessoas comprometidas com Ele e com o desejo de servir a Deus, auxiliando outras pessoas.

 

Nosso Mestre poderia ter escolhido outros métodos para que Sua mensagem, estilo de vida e missão fossem consolidadas. Mas escolheu seres humanos imperfeitos, falíveis e carentes da graça de Deus. Escolheu-os, não para que meramente O seguissem, mas para que vivessem, e apresentassem ao mundo os princípios de vida que estabeleceriam o cristianismo em todo o mundo.

 

Jesus era um mestre e como tal, não buscava seguidores nem alunos, mas discípulos. O mestre difere do professor porque este ensina com a informação, mas o mestre ensina com o exemplo.

 

Palavras sem obras são como tiros sem balas, atroam, mas não ferem. O aluno retém a informação, mas o discípulo segue, torna-se adepto e crê na informação que recebeu e põe em prática o ensinamento, mesmo que essa decisão o leve à perda da vida. Quando Jesus disse: “Ide, portanto, ide fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo” (Mateus 28.19); Ele já tinha em mente o que queria com aqueles que O seguissem.

Billy Graham, renomado evangelista mundial, afirmou: “A salvação é de graça, mas o discipulado custa tudo o que temos”. Jesus possuía um coração sereno. Max Lucado diz que os discípulos se inquietavam sobre a necessidade de alimentar muitas pessoas, mas Jesus, não. Ele agradeceu a Deus pelo problema. Os discípulos gritaram de medo durante a tempestade; Jesus, não. Ele dormiu o tempo todo. Pedro puxou a espada para lutar com os soldados, mas Jesus, não. Ele levantou a mão para curar. Seu coração estava em paz.

 

A verdadeira educação é aquela que estimula o professor a viver o que ensina. Paulo Freire defende que ensinar exige a corporificação das palavras pelo exemplo. Ele afirma:

 

“O professor que realmente ensina, quer dizer, que trabalha os conteúdos no quadro da rigorosidade do pensar certo, nega, como falsa, a fórmula farisaica do “faça o que eu mando e não faça o que eu faço”. Quem pensa certo, está cansado de saber que as palavras, destituídas da corporalidade do exemplo, pouco ou quase nada valem. Pensar certo é fazer certo”.

Cristo nos convida para um discipulado coerente e radical. Não objetiva que simplesmente recebamos Sua informação, mas que vivamos Sua mensagem. A palavra predileta e mais usada de Cristo era discípulo.

 

O QUE É DISCIPULADO?

Ser cristão é fazer o que o Messias fez e mandou fazer.  Não há como escapar desta constatação: Ele fez e mandou fazer discípulos!  Então, não dá para fugir das seguintes perguntas: onde estão os seus discípulos? Ou melhor, de quem você é discípulo? As dificuldades que a maioria dos cristãos tem de responder a estas duas indagações comprovam que há algo errado com os rumos que a Igreja tomou. Discipular é a razão de existir da igreja aqui na Terra.

 

 

DISCIPULADO: ETIMOLOGIA E IMPLICAÇÕES

 

A palavra grega traduzida como discípulo é (MaqhthV) mathetés, usada 269 vezes nos Evangelhos e em Atos. Para que a mensagem seja vivida, reiteradas vezes nos deparamos com situações em que a reputação, os bens e até a vida são colocados em jogo.

 

Todo o ensinamento exemplificado por Cristo em Sua vida visava a tornar Seus seguidores verdadeiros discípulos. Essa proposta se deu a partir do convite de Cristo, cuja mensagem central era que os discípulos deveriam deixar tudo e segui-Lo. O jovem rico era um seguidor e recusou ser discípulo quando Cristo lhe apresentou a proposta.

 

Disse-lhe Jesus: Se queres ser perfeito, vai, vende os teus bens, dá aos pobres e terás um tesouro no Céu; depois, vem e segue-Me. Tendo, porém, o jovem ouvido esta palavra, retirou-se triste, por ser dono de muitas propriedades” (Mateus 19.21, 22).

 

Esse mesmo convite é feito a nós. O Senhor nos chama para que O priorizemos, não apenas obedecendo aos Seus ensinos, mas também O recebendo como o primeiro em nosso coração. Para que o discípulo se assemelhe ao seu mestre é indispensável que ele se volte para seus ensinamentos e pessoa.

 

  1. O verdadeiro significado de seguir

 

O Espírito Santo presenteou a igreja com dons. Dons conhecidos como espirituais. Dentre eles está o de liderança. Deus concede líderes à Sua igreja não por opção, mas por necessidade. Contudo, os lideres serão inúteis, caso não tenham seguidores que os apoiem e aceitem sua liderança. O exercício do dom da liderança visa a glorificar a Deus, assim como o milagre que o concedeu tem o mesmo objetivo.

 

Os milagres servem para glorificar a Deus. Após todos os juízos divinos sobre o Egito, no contexto do êxodo, o faraó ainda decidiu perseguir os israelitas. Deus, então, disse a Moisés que o povo deveria marchar na direção do Mar Vermelho, pois Deus seria “glorificado em faraó e todo o seu exército” (Êxodo 14.17, 18). Presente na forma de nuvem, de dia, e de uma coluna de fogo, à noite, Deus protegeu Israel e destruiu os egípcios. Se a morte dos primogênitos egípcios havia sido o clímax de uma série de maravilhas, a destruição do próprio Faraó e de seu exército foi o clímax do clímax.

 

Assim como Deus realizou grandes e poderosos milagres usando a liderança de Moises e o seu povo liderado, Deus continua desejando que a liderança e o discipulado realizem milagres para sua igreja. Esses líderes são chamados por Deus para viver e motivar novos discípulos.

 

Akolouqew (akoloutheô) significa seguir; seguir com o entendimento, compreender, deixar ser dirigido por. Já no grego secular, o sentido primário de seguir tem sido enfatizado no aspecto intelectual, moral e religioso, como seguir um orador ou homem sábio, semelhante a um escravo ou servo que o segue.

 

Na religião e na filosofia encontramos o termo epestai, o qual não ocorre no NT. Este termo expressa o sentido de que ao seguir nos tornamos como Deus pela ação que Ele faz. 6. maqhthuw  (matheteuô) Significa “ser discípulo de”, “ensinar”, “instruir”, “receber lição”. O seu substantivo é traduzido como discípulo e estudante. Há uma relação direta dessa palavra com a palavra (didaskaloV) didaskalos, pois Mathetés  tem um forte sentido de aprendizado e ensino.

 

Discipulado, nos termos descritos acima, é uma entrega da vida por inteiro, por intermédio de um poder formativo. É um compromisso adquirido, provindo de uma vida e decisão interior. Essa foi a qualidade do chamado feito por Cristo, que se tornou a marca fundamental do Seu convite ao discipulado.

 

 

  1. Discipulado radical

 

Ao chamar os discípulos, Jesus os convidava visando o que se tornariam, e não o que eram. Cristo os chamou para que transformassem o mundo. Diante de seus temperamentos, Ele os viu como adequados quando transformados pelo Santo Espírito para conquistar o Império Romano e o mundo com Sua revolucionária e santa mensagem.

 

  1. S. Vigeveno diz que houve realmente treze homens que mudaram o mundo. Eles detonaram com o mundo antigo e desviaram o curso da história. Foram os apóstolos de Jesus Cristo. Homens como nós: o tipo de homens que podem ser encontrados na rua, num elevador, numa reunião social. Tinham pés de barro. Contudo, eram revestidos de fé vibrante na presença de Jesus. Suas trajetórias mostram a fascinante narrativa de seus pontos fortes e também de suas fraquezas, os quais podem animar todos aqueles que seguem a Cristo.

 

Esses homens foram chamados para fazer a diferença, mas não se faz a diferença sem viver essa diferença. Viviam sabendo que só vale a pena viver, se o fizermos em função de algo pelo qual estejamos dispostos a morrer. Não eram simples vidas, mas eram vidas com propósito e objetivo claro e inamovível.

 

Os que eram convidados para ser cristãos eram chamados a ser candidatos à morte. Barclay descreve o que significa ser um cristão da seguinte forma:

 

Nero envolvia os cristãos em piche e lhes punha fogo, usando-os como tochas vivas para iluminar seus jardins. Ele os costurava com peles de animais selvagens e atiçava seus cães de caça sobre eles para rasgá-los até a morte. Eram torturados no cavalete; eram feridos com alicates; sobre eles era derramado chumbo derretido para fritá-los; os olhos eram rasgados; partes eram cortadas e assadas diante de seus olhos.”

 

O próprio Cristo apresentou de maneira contundente o que implica segui-Lo. “Qualquer que não tomar a sua cruz e vier após Mim, não pode ser Meu discípulo” (Lucas 14.27). Segui-Lo consiste em renúncia própria; experimentar os mais inexplicáveis sofrimentos. “No mundo, passais por aflições; mas tende bom ânimo, Eu venci o mundo” (João 16.33).

 

Cristo foi um Mestre honesto na descrição das circunstâncias que Seus discípulos encontrariam. O que é de admirar é que, diante de tantos desafios que os discípulos enfrentariam, Cristo advertiu aos discípulos quanto ao ânimo deles. Com isso, Jesus anelava que eles tivessem uma experiência mais alta e singular.

Essa inspirada e animadora proposta nos assegura que o chamado ao discipulado radical nos conduzirá a uma experiência de glória e recompensa, porque aceitamos o senhorio de Jesus.