Pais e Filhos

Palavra ministrada na Comunidade Batista Vida 13.08.17 – Culto Dominical
PrAndreTorresRibeiro
Eu e Davi (2)
O relacionamento entre pais e filhos

Quando o apóstolo Paulo escreveu sua carta aos Efésios, ordenando aos pais: “e vós pais, não provoqueis vossos filhos à ira” (Ef 6:4) estava em vigência no Império Romano o regime do “páter potestas”. O pai tinha o direito absoluto sobre os filhos: podia casá-los, divorciá-los, escravizá-los, vendê-los, rejeitá-los, prendê-los e até matá-los. Hoje, vivemos o reverso daquela triste situação. Nos idos de 1960, surgiu com a revolução hippie a aversão a toda instituição e autoridade. A família foi profundamente afetada. A autoridade dos pais foi questionada, abusada e repudiada.

Precisamos buscar a verdade para estabelecermos relacionamentos saudáveis entre pais e filhos e essa verdade está nas Escrituras. O apóstolo Paulo fala de duas coisas:

O dever dos filhos com os pais (Efésios 6:1-3)

Há três motivos pelos quais os filhos devem obedecer aos pais:

1) A natureza (v. 1) – A obediência dos filhos aos pais é uma lei da própria natureza, é o comportamento padrão de toda a sociedade. Os moralistas pagãos, os filósofos estóicos, a cultura oriental, as grandes religiões também defendem essa bandeira. Por isso, a desobediência aos pais é um sinal de decadência da sociedade (Rm 1:28-30; 2 Tm 3:1-3).

2) A lei (v. 2-3) – Honrar pai e mãe é mais do que obedecer. Os filhos devem prestar não apenas obediência, como também devotar amor, respeito e cuidado pelos pais. Honrar pai e mãe é honrar ao próprio Deus; de igual modo, resistir a autoridade dos pais é resistir a autoridade do próprio Deus. Honrar pai e mãe traz benefícios preciosos como prosperidade e longevidade. Muito sofrimento, muitas lágrimas, muitas decisões precipitadas e casamentos infelizes não teriam acontecido se os filhos obedecessem aos seus pais.

3) O evangelho (v. 1) – Os filhos devem obedecer aos seus pais no Senhor. Os filhos devem obedecer aos seus pais porque são servos de Cristo. Eles obedecem aos pais porque isso é agradável ao Senhor. O dever dos pais com os filhos (Efésios 6:4). O apóstolo Paulo exorta os pais não a exercer a sua autoridade, mas a contê-la. Mediante o “pater potestas” o pai tinha todo o poder e podia castigar os filhos e abusar deles, exorbitando, assim, em sua função. Paulo, porém, ensina que o pai cristão deve imitar outro modelo. A paternidade é derivada de Deus (Ef 3:14-15; 4:6). Os pais humanos devem cuidar dos seus filhos como Deus Pai cuida da sua família. Paulo trata do assunto, de dois modos:

Uma exortação negativa (v. 4) – “… e vós, pais, não provoqueis vossos filhos à ira”. Os pais, no exercício da sua autoridade, podem exorbitar em sua função e abusar de seus filhos. Tanto o excesso como a ausência de autoridade provoca ira nos filhos e também gera neles desânimo (Cl 3:20). Os pais podem provocar a ira dos filhos quando:

a) por excesso de proteção – encarando-os sempre como crianças que precisam de cuidado e proteção;

b) por favoritismo – Isaque e Rebeca cometeram esse grave erro. Isaque amava mais Esaú, enquanto Rebeca tinha preferência por Jacó. Assim, os pais jogaram um filho contra o outro;

c) por desestímulo – há pais que nunca estão satisfeitos com os filhos. Cobram muito, mas não elogiam nada. Não dosam disciplina com encorajamento. Os filhos nunca conseguem atingir a expectativa dos pais;

d) por não reconhecer a diferença dos filhos – não há nada mais perigoso do que comparar um filho com outro. Se eles são peculiares não podem ser medidos pelo mesmo padrão. Eles têm personalidade, temperamento e habilidades diferentes. Muitos pais agridem os filhos querendo determinar para eles a escolha profissional e até mesmo o cônjuge;

  1. e) por falta de diálogo – os pais irritam os filhos quando se trancam atrás dos muros do silêncio e fecham os canais de comunicação com eles. Davi chorou a morte de Absalão, mas não conversou com ele quando estava vivo;
  2. f) por meio de palavras ásperas ou agressão física – os filhos ficam desanimados quando são castigados por motivos fúteis e por destempero emocional dos pais.

4) Exortações positivas (v. 4) – Os pais devem “criar os filhos na disciplina e na admoestação do Senhor”. A palavra criar significa nutrir, alimentar. Calvino traduziu essa expressão como “sejam acalentados com afeição”. Os filhos precisam de segurança, limites, amor e encorajamento. Os pais precisam, também, treinar os filhos através da disciplina. A palavra Paidéia significa treinar através da disciplina. Outrossim, os pais precisam encorajar os filhos através da palavra. A palavra admoestação, nouthesia, significa educação verbal. É advertir e também estimular. Finalmente, os pais são responsáveis pela educação cristã dos filhos. A expressão “no Senhor” revela que o responsável pela educação dos filhos não é a escola nem mesmo a igreja, mas os próprios pais. A preocupação básica dos pais não é apenas que seus filhos se lhes submetam, mas que cheguem a conhecer e obedecer ao Senhor.
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