A AMIZADE NO DISCIPULADO

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Texto: “Por esta causa vos mandei Timóteo, que é meu filho amado, e fiel no Senhor, o qual vos lembrará os meus caminhos em Cristo, como por toda a parte ensino em cada igreja. ” (I Coríntios 4:17)

O discipulado, como o nome mesmo diz, é ter discípulo ao lado, ou seja, caminhar em AMIZADE. O discipulado é amizade, é compartilhar, pois não retém a sua formação para si só. O discipulador não é um ermitão, solitário; não procura seus próprios interesses; não vive em orgulho. É um ensinador, um incansável guia; é fôrma pronta para formar.

Introdução: A amizade é a ação de estar com a outra pessoa (discípulo). Não é estar com alguém apenas, como dizem os dicionários, de uma forma superficial. Muitos podem estar com alguém apenas por estar, mas não haver entre ambos, amizade.

(AMIZADE – 1. Sentimento de afeição. 2. Estima. 3. Benevolência, bondade)

O discipulado é afirmado e firmado quando existe AMIZADE e isso é feito ao passar informação, através de conversas, de tempo investido e muitas outras formas de estar e acompanhar o discípulo.

É através da amizade, da convivência, que há formação no discipulado. Por isso, podemos definir amizade como convivência. É muito importante a convivência com o discípulo. Jesus, enquanto Discipulador, convivia com todos, mas Pedro, Tiago e João eram os mais chegados a Ele.

A Palavra nos mostra os resultados de uma boa convivência. Para Paulo ter uma excelente qualidade de vida, precisou se isolar para buscar uma convivência espiritual com o Senhor Jesus e um companheirismo com Ele. Paulo afirmou que o Evangelho que aprendeu não havia aprendido com homem algum, mas com o Senhor. Mas só pôde fazer tal afirmação, porque separou um tempo para aprender. (Gl. 1:12)

A convivência com os discípulos requer muito tempo. E, para isso, o fator humildade é muito importante. Você precisa ser humilde para abrir mão do seu tempo e investir no seu discípulo. Afinal, seu discipulado não pode ter uma participação apenas informativa.

Ande com o discípulo, chame-o para estar com você, para conhecer a sua casa, disponha-se a cumprir a função para a qual prioritariamente você foi chamado: fazer discípulos de todas as nações.

Analisemos algumas relações de amizade na vida dos patriarcas e Profetas.

  1. Abraão

1.1 Abraão X Ló – a frustração de uma má escolha

Ló era escolha 100% do coração de Abraão. Deus mandou Abraão sair da sua terra e do meio de sua parentela e ir para a terra que o Senhor estava lhe mostrando. A promessa era a de que ele seria uma grande Nação.

Com certeza, Abraão ficou preocupado diante de tão grande responsabilidade. Deve ter pensado como isso aconteceria se ele e sua esposa já não tinham mais capacidade humana de gerar filhos.

Abrão tomou seu sobrinho Ló, que fazia parte do seu sangue, a fim de perpetuar a sua descendência, ainda que a lei da época não permitisse que um sobrinho perpetuasse a descendência.

A preferência do coração de Abrão era Ló. Ele ainda não havia compreendido que para ser bem-sucedido na vida precisava estar 100% de acordo com a vontade do coração de Deus.

Abrão, já escolhido como líder, como discipulador no Antigo Testamento, falhou por causa da sua escolha. É por isso que, na relação de amizade, deve-se tomar cuidado com a preferência e com os motivos que estão guiando o líder a levantar uma determinada pessoa na equipe e na liderança.

A motivação no discipulado deve ser correta, jamais movida por interesse pessoal. E, para isso, é preciso tomar cuidado, vigiar. Podemos olhar para a vida de Abrão e perceber que havia uma motivação errada em seu coração. Ele queria, por seus próprios planos, garantir sua descendência.

Na relação com o discipulador – discípulo, a amizade não pode ser inadequada. É Deus quem dá os discípulos para o líder. Portanto, o líder deve confiar no que Jesus disse em João 6:37 e João 17. No discipulado, não deve haver porfia entre líderes por causa de célula ou de discípulos.

O líder tem a vocação de ser discipulador, logo a consequência natural em sua liderança será a de ter discípulos. É importante caminhar pela vocação que gerará frutos: os discípulos.

No discipulado, não é interessante andar atrás de vidas simplesmente para dizer que tem números; essa é a motivação errada. Quando isso ocorre, é como se o líder estivesse caminhando com Ló, recebendo discípulos por transferência.

Estamos em uma época que se faz necessário ensinar aos discípulos sobre amizade, companheirismo e fidelidade. Se for discípulo, deve ser discípulo mesmo.

Quando Jesus estava passando por um momento difícil, todos os Seus discípulos O abandonaram, negaram companheirismo.

Eles desconheciam o propósito central da vocação para a qual haviam sido chamados.

Nós, como discípulos de Jesus, precisamos descobrir o propósito central da nossa vocação para depois ensinarmos aos nossos discípulos. Essa é a forma segura de não andarmos em atropelos. Os atropelos chamam Ló para nossa vida. E o pior é que nós não podemos caminhar para sempre com Ló. Chegará um dia em que teremos que nos separar dele, deixá-lo no meio da estrada… E todo o seu trabalho terá sido em vão.

Jesus, orando, disse que nenhum dos discípulos que o Pai havia-Lhe dado se perdera, a não ser o filho da perdição. Esta unção precisa estar sobre nós: formar, como discipulador, discípulos que não se perderão, mas que serão apresentados a Deus.

A amizade entre os líderes ajuda os liderados a não caírem na fraqueza, a não se tornarem uma espécie de Ló na vida do outro. Se o inimigo não encontrar uma brecha na relação discipulador – discípulo, com certeza, irá procurar na relação entre os condiscípulos.