IMPORTÂNCIA HISTÓRICA E ESTRATÉGICA DAS CÉLULAS

IMPORTÂNCIA HISTÓRICA E ESTRATÉGICA DAS CÉLULAS

  

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  1. CÉLULAS NA IGREJA PRIMITIVA

Desde os primeiros dias de sua existência, a igreja se reuniu nos lares. É verdade que eles se reuniam também em sinagogas emprestadas, no Templo e em escolas também emprestadas, mas o foco de suas reuniões estava nos lares, para todas as atividades.  Eles partiam o pão juntos, comiam juntos, e louvavam a Deus em celebrações de adoração nos lares (Atos 2.46-47). Um dos efeitos dessa comunhão era visto sobre os descrentes. Os crentes tinham o favor de todo o povo e muitos eram salvos. O evangelismo acontecia como resultado das reuniões nas casas.

Além de adorar e partir o pão juntos, vemos que tanto o ensino como a pregação acontecia nos lares, bem como no átrio do templo (Atos 5.42). A oração era um elemento muito importante nas reuniões caseiras da Igreja Primitiva. Um grupo estava reunido na casa de Maria, orando para que Pedro fosse liberto da prisão, quando Deus respondeu de maneira miraculosa (Atos 12.12-17). E talvez a poderosa reunião, de oração, descrita depois da primeira prisão de Pedro, também aconteceu numa casa (Atos 4.31).

Há muitos outros exemplos de reuniões nos lares no Novo Testamento. Paulo estava ensinando numa casa em Trôade, na véspera de sua partida, quando Êutico, que estava dormindo, caiu e morreu. Paulo ressuscitou Êutico e continuou a reunião da célula até o sol raiar, quando finalmente partiu (Atos 20.7-12). De novo, em Éfeso, quando Paulo fez seu discurso de despedida para os presbíteros, ele enfatizou como havia ensinado publicamente e de casa em casa (Atos 20.20).

Apesar de reuniões poderem ser feitas em todos os lugares possíveis, a vida da Igreja Primitiva acontecia mesmo era nos lares. A casa de Áquila e Priscila serviu de base para uma igreja em Éfeso e mais tarde outra em Roma (I Coríntios 16.19 e Romanos 16.3-5).

A igreja em Laodicéia se reunia na casa de Ninfa (Colossenses 4.15), enquanto a igreja de Colossos se reunia na casa de Filemom (Filemom 2).

 

Nas saudações aos irmãos da igreja de Roma, Paulo manda ainda cumprimentos para vários irmãos, muitos dos quais tinham reuniões da igreja em suas casas. Havia uma célula na casa de Aristóbulo (Romanos 16.10), outra na casa de Narciso (Romanos 16.11), uma composta por Asíncrito, Flegonte, Hermes, Pátrobas, Hermas e outros (Romanos 16.14) e outra composta pelos irmãos Filólogo e Júnia, Nereu e sua irmã, Olimpas e vários outros santos (Romanos 16.15).

Por aí vemos que os pequenos grupos, grupos familiares, células, ou como alguém queira chamar, têm uma forte base bíblica. Nossos métodos, estilos e modus operandi devem ser submetidos à direção da Palavra de Deus. Mas lembre-se disto: Meios que são biblicamente fundamentados podem conduzir a resultados igualmente bíblicos.

 

2. A IGREJA DE DUAS ASAS

Bill Beckham é quem defende esse conceito da igreja de duas asas. É como um avião ou um pássaro, que só conseguem voar bem se tiverem duas asas bem proporcionadas. Esse padrão emerge do estudo da prática da Igreja Primitiva. Vários dos casos vistos acima enfatizam este aspecto grande-pequeno da vida da igreja.

Atos 2.42, diz: “Diariamente, perseveravam unânimes no templo, partiam o pão de casa em casa…” (Atos 2.46). E mais: “E todos os dias, no templo e de casa em casa, não cessavam de ensinar, e de pregar Jesus, o Cristo” (Atos 5.42).

Este padrão de reunião em grupos pequenos e grupos grandes foi muito efetivo para o testemunho e para a vida comunitária da igreja. Um importante resultado deste padrão foi o explosivo crescimento da Igreja Primitiva. Acontece o mesmo em nossa igreja: Temos poderosas reuniões de celebração aos domingos, mas temos também milhares de igualmente poderosas reuniões de células durante a semana.

3. A IMPORTÂNCIA DA CÉLULA PARA A IGREJA TODA

O ministério dos leigos e o sacerdócio real de todos os crentes fazem parte da restaurada visão de Deus de colocar ministério nas mãos do povo. Encontra-se aí o novo paradigma de igreja local, ao qual chamamos “igreja em células”. Mas existe algo paradoxal, todavia, que tem acontecido em algumas igrejas em células: o ministério foi colocado nas mãos do povo, a maior parte de seus membros está distribuída nas células, mas a “igreja no lar” tem sido descaracterizada. Vamos explicar.

Existem igrejas em células em que uma parte de seus membros não congrega na igreja no lar, mas somente se reúnem em outros tipos de células, as quais não se identificam com o modelo neo-testamentário de igreja no lar.

Não somos contra a existência de vários tipos de células, mas cremos que é importante que todos os cristãos da igreja local estejam congregando em um tipo de célula onde a vida do corpo se encontra de forma sintetizada em todos os seus muitos aspectos, como adoração, intercessão, evangelismo, integração, discipulado, treinamento de líderes, comunhão, assistência social, etc.

Além disso, é necessário que esta célula esteja sempre aberta para receber novas pessoas. Como a célula do corpo humano, a igreja no lar deve estar sempre crescendo, se multiplicando e gerando novas células.

Compreendemos que algumas igrejas às vezes usam o termo “célula” para algo bem diferente daquilo que usamos. Algumas igrejas talvez têm utilizado a célula principalmente para comunhão. Como foi explicado acima, as nossas células têm outra visão. Cremos que todo membro da igreja local deve participar da célula. Para nós, a célula é o coração da igreja local.

Todas as células da Igreja da Paz, tantos as heterogêneas como as homogêneas, têm estas características, e todos os membros estão em um desses dois tipos de células.       A totalidade de nossas células crescem e se multiplicam-se em três dimensões:

  • Vertical: os membros crescem em intimidade com Deus e multiplicam isso nas vidas dos seus discípulos.
  • Horizontal: os membros crescem em comunhão uns com os outros e multiplicam isso nas vidas dos seus discípulos.
  • Exterior: Os membros crescem numericamente ganhando novas pessoas para Jesus, discipulando estas pessoas e multiplicam este código genético de evangelismo e discipulado nas vidas dos seus discípulos. A célula cresce em número de membros e se multiplica, formando novas células com as mesmas características.

Este tipo de Célula é o verdadeiro coração da igreja local. Na igreja baseada em células tudo acontece pela célula, para a célula, através da célula e em função da célula.