O PODER DA PALAVRA

O PODER DA PALAVRA

Entrevista

MISSIONÁRIA IRANIANA RELATA COMO JESUS E A PALAVRA DE DEUS TRANSFORMARAM SUA VIDA EM MEIO À PERSEGUIÇÃO RELIGIOSA

 

O Irã é uma das mais antigas nações do mundo. Segundo a Missão Portas Abertas, está em sétimo lugar na Classificação de Perseguição Religiosa. As igrejas cristãs oficiais (registradas no governo) no país têm cerca de 150 mil membros, sendo a maior parte de origem armênia ortodoxa, mas há também alguns milhares de protestantes e católicos romanos, quase todos de famílias cristãs, e estima-se que há pelo menos 300 mil cristãos secretos, a maior parte de ex-muçulmanos convertidos. Ladan é uma iraniana, que apesar de ter nascido muçulmana, entregou seu coração a Jesus Cristo. À FelizCidade, Ladan falou sobre seu encontro com Jesus, a perseguição ao cristianismo em seu país e a importância da Bíblia para a Igreja Perseguida.

Como você conheceu a Jesus Cristo?

Sou nascida em uma família muçulmana, mas eles não eram fanáticos. Aprendi que o islamismo é a religião perfeita, sendo a única que se pode ter na vida. Durante toda minha vida, amei Deus e quis ter um relacionamento com Ele. Fazia todas as orações islâmicas que me ensinavam e pensava que com isso teria um relacionamento com Deus. Mas, apesar de tudo, ainda me sentia vazia. Foi quando comecei a frequentar festas e ingerir bebida alcoólica. Minha prima tornou-se cristã e me convidou para ir à igreja. Quando entrei na igreja pela primeira vez, me surpreendi por ver todos louvando a Deus na minha própria língua: o farsi. No islamismo podemos orar e falar com Deus apenas em árabe. Lá, senti a presença de Deus e vi pessoas que tinham um verdadeiro relacionamento com Ele. Chorei muito e, neste dia, falei com Deus que era muçulmana e assim continuaria, mas queria também ter o relacionamento que aquelas pessoas tinham com Ele. Depois disso, frequentei a igreja por mais oito meses até que decidi entregar a minha vida a Jesus Cristo, mas minha família não ficou contente por ter-me tornado cristã. Contudo, um dia convidei minha mãe para ir à igreja e, ao ver tudo aquilo, ela disse ao meu irmão que ele também tinha que ir àquela igreja e se converter. Então, minha mãe e meu irmão também entregaram suas vidas a Cristo.

Ao se converter você e sua família chegaram a sofrer algum tipo de perseguição?

Não sentimos imediatamente uma perseguição, pois sabíamos que era perigoso nos tornarmos cristãos e ir à igreja. O governo permite que os armênios tenham igrejas cristãs e nós frequentávamos uma delas. Até que, por receio do governo descobrir que frequentávamos esta igreja, passamos a nos reunir em pequenos grupos em nossas casas. Nós não sabíamos se havia outros iranianos que tinham se convertido. Na igreja armênia não tínhamos relacionamento com ninguém, pois as pessoas temiam conversar por causa do governo. Neste tempo, não sentimos a perseguição devido a sermos cristãos sem as pessoas saberem disso.

O que aconteceu quando vocês passaram a testemunhar que haviam se convertido ao cristianismo?

Por não conhecer outros cristãos, comecei a ter mais tempo a sós com Deus, orando e me dedicando à leitura da Bíblia. Um tempo depois, com medo de perseguição, fui a um país próximo ao Irã para pedir um visto de refugiada. Neste país, comecei a frequentar uma igreja cristã e aprendi como crescer na vida espiritual. Depois de nove meses, esta igreja forneceu um curso especial para missionários do qual participei. Neste curso, conheci muitas pessoas que eram do Irã, que falavam sobre como o cristianismo estava crescendo no país e que iranianos estavam entregando a vida para Cristo. Isso me interessou muito. Orei a Deus perguntando qual era o Seu propósito para minha vida. E, a cada dia, crescia em meu coração o desejo de apresentar Deus ao povo iraniano e que Ele não queria que me refugiasse nos EUA ou Europa, mas, sim, que servisse ao meu povo. Por um tempo resisti em voltar ao Irã, porém Deus falou claramente comigo que era para voltar ao meu país. Jesus sofreu por mim e como eu poderia ter uma vida tranquila, sabendo disso e me recusando a voltar para o Irã. Ao retornar me conectei com o pastor Farshid Fathi (que hoje está preso no Irã). Com seu grupo evangelizei nas ruas, parques e shoppings do meu país. Vimos como as pessoas estavam abertas ao cristianismo, muitas aceitaram a Jesus, e a igreja crescia dia após dia. Isso era maravilhoso, havia seis igrejas em diferentes lugares no Irã.

Você esteve em uma prisão no Irã. 

Como isso aconteceu?

Ao mesmo tempo que a igreja crescia, aumentava também a pressão sobre nós, as igrejas secretas, por parte do governo local e muitas pessoas foram presas. No dia 26 de dezembro de 2010, recebi um telefonema que me informou sobre a prisão de uma das minhas melhores amigas e companheira de trabalho. Ao final daquele dia, soube que 60 amigos foram presos. No dia seguinte, me ligaram pedindo que me apresentasse. Na delegacia, me disseram que se respondesse a todos os questionamentos sobre as igrejas secretas, membros das igrejas secretas, o pastor Farshid e o ministério que estava envolvida, seria liberada. Com isso, me levaram à prisão, colocaram uma venda em meus olhos, vestiram-me com roupas muito sujas e fui para uma solitária.

Como foram seus dias na prisão?

No dia seguinte à minha prisão, começaram a me fazer perguntas. E mais do que nunca, queria ter minha Bíblia comigo. Minha situação era muito complicada e temia por minha vida, família e igreja. Sabia que ao ler a Bíblia teria paz no coração. Esta foi a primeira vez, depois que me converti, que não tinha a Bíblia em minhas mãos. Os guardas começaram a fazer perguntas que não respondi. Até que perguntei se podiam dar-me uma Bíblia, mas eles não concederam. Durante o interrogatório haviam me entregue um papel e uma caneta. Escondi a caneta na blusa e a levei para cela comigo, o que era proibido. Na cela, lembrei-me de versículos da Bíblia, que foram me fortalecendo e encorajando – muito dos quais nunca havia memorizado – e passei a escrevê-los na parede. Em alguns dias, as paredes daquela cela haviam se tornado a minha Bíblia. Pensava que esta seria a última oportunidade de compartilhar sobre o amor de Deus e se alguém entrasse naquele lugar receberia a Jesus ao ler aquelas palavras. Por isso, escrevi o texto de João 3.16 e o caminho para a salvação. Orei a Deus, dizendo que sabia que Ele poderia usar aquela parede para fazer alguém conhecê-Lo e, por isso, esperava encontrar alguém no céu que havia aceitado a Jesus por meio das palavras que escrevi.

Como saiu da prisão?

A minha situação na prisão era muito difícil e não havia esperanças de sair. A única coisa que me fortalecia era a Palavra de Deus. Aquilo era mais poderoso do que as notícias ruins. Conversei novamente com Deus e disse: “Senhor, se esta é a Sua visão para minha vida, eu estou pronta para aceitá-la. Porém, me conceda apenas uma hora para sair deste lugar e falar do Seu amor”. Depois, fui transferida para uma cela onde havia mais duas pessoas e lá fiquei mais três dias. Após isso, vários de nós fomos libertados para nossa surpresa. Sabemos que tudo foi o resultado das orações que fizeram por nossas vidas. Os 25 dias na solitária foi a mais difícil experiência da minha vida. Contudo, ao mesmo tempo esta foi a melhor experiência da minha vida e não a mudaria em nada.

O que significou a prisão na sua vida?

Antes da prisão falava aos novos convertidos para lerem a Bíblia e meditar na Palavra de Deus. Mas na prisão compreendi o quanto é importante a Palavra de Deus. Uma das lições mais importantes que aprendi é que posso viver sem água ou comida, mas não posso viver sem a Palavra de Deus. Fui obrigada a sair do Irã, mas posso ver como as pessoas estão convertendo a Cristo. As igrejas estão crescendo no meu país e nos países ao redor de uma forma ainda mais surpreendente do que antes de sermos levados a prisão.

Quais são as principais necessidades dos cristãos no Irã e países  próximos?

Quando fui pela primeira vez à igreja me entregaram o Novo Testamento. Isso me transformou e tornou-se a base da minha vida cristã. No Irã, não podemos ir à livraria para comprar uma Bíblia, sendo que nenhuma das igrejas possui um exemplar em seu interior. Por isso, considero ser de extrema importância enviar mais Bíblias, em língua farsi, ao Irã. Como a Bíblia transformou a minha vida, também, tenho certeza de que transformará a vida de milhares de pessoas. Não somente uma pessoa está sendo transformada pela Palavra de Deus, mas famílias inteiras. Conheço famílias que possuem apenas uma Bíblia e se revezam para lê-la. Imagine se cada uma dessas pessoas tivessem uma Bíblia.

O que gostaria de dizer aos cristãos brasileiros

Quando vi o povo brasileiro e suas as igrejas cristãs percebi que o Brasil é um país onde há liberdade. Também, vi muitas Bíblias nas mãos de muitas pessoas. Nós, no Irã, não temos esse luxo. A minha oração é para que a igreja no Brasil use esta liberdade que tem, de compartilhar a Palavra de Deus para levá-la para muitas pessoas. Ouvimos no Irã que a igreja brasileira estava orando por nós e alegramo-nos muito por isso. Falávamos uns com os outros: “A igreja no Brasil está orando por nós”. Mas não imaginava que Deus me concederia a oportunidade de estar com vocês. Agradeço em nome dos cristãos do meu país as orações e o apoio da igreja brasileira.

Fonte: PIB São José dos Campos

Autor: Pr Andre LDA

Bacharel em Teologia pela Faculdade Evangélica do Brasil - ISBL, estudou também na Faculdade Teológica Sul Americana, convalidando o curso na Unicesumar. Especialista em docência no ensino superior pela Unicesumar e Liderança, Plantação e Revitalização de Igrejas pelo Seminário Teológico Asbury. Atualmente é graduando em licenciatura em história pela Unicesumar. Tenho uma grande e honrosa missão, Ganhar, Cuidar e Encorajar as pessoas a terem um relacionamento com Jesus, é nisso que gasto minha vida, eu e toda minha família estamos envolvidos nesta nobre tarefa. Soli Deo Gloria

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: