ANNE FRANK E ALYAN KURDI

Na semana passada ficamos estarrecidos ao ver o corpo do pequeno menino de três anos, Alyan Kurdi, deitado na praia turca de Bodrum já sem vida. Aquela pequena criança poderia estar brincando ali, junto com sua mãe e seu irmão. No entanto, a bela praia destoa com a imagem da morte, do caos, da maldade humana e nos chama a olhar a vida como o bem mais precioso que temos. Alyan Kurdi, esse era seu nome; nascido em Kobani na Síria, não pode crescer e se desenvolver ali, pois a cidade foi totalmente destruída pelos facínoras do Estado Islâmico e reconquistada pelos curdos (Pashmergas) a duras penas. Os pais de Alyan fugiam para escapar dos horrores da guerra, com a intenção de dar a seus filhos uma vida mais tranquila e em paz.
Paz. Que simples palavra, mas quão difícil é mantê-la. A imagem do pequeno Alyan nos mostra até que ponto chega à crueldade humana; a crueldade de um grupo radical como o ISIS, que pensa em impor uma visão maligna e maquiavélica, de um deus sombrio e tenebroso. A crueldade dos “traficantes de pessoas”, que chegam a cobrar de R$ 2 mil a R$ 5 mil reais de pessoas desesperadas, capazes de tudo para fugir da fome, da miséria, da morte. A crueldade dos líderes da Europa, dos EUA e da Rússia, que por causa de interesses políticos continuam no imobilismo ao invés de assumirem uma guerra mais incisiva contra o ISIS, com o intuito de acabar com a barbárie e permitir que os refugiados voltem e reconstruam suas vidas. Sim, a crueldade humana não tem fim, pois até quando chegam à Europa, apesar de toda história trágica que vivenciaram, ainda encontram a frieza e a falta de solidariedade de muitos.
Tudo isso nos traz a memória acerca de uma adolescente na segunda guerra mundial. Annelies Marie Frank (1929-1945), ou Anne Frank, pertencia a uma família judaica de Frankfurt que, em 1933, fugindo às perseguições do regime nazista, se refugiou na Holanda, onde supunha encontrar a paz e a segurança. Mas, logo depois da invasão da Holanda pelos alemães, as perseguições aos judeus continuaram ali com tal violência que os Frank resolveram “mergulhar”, ou seja, desaparecer voluntariamente, passando a ter uma existência ilegal ou clandestina. Durante dois anos os Frank não podiam sair à rua e viviam sob a constante ameaça de serem descobertos pela polícia.
Anne era uma adolescente em pleno desenvolvimento que em meio a uma série de mudanças físicas e mentais teve que enfrentar um dos momentos mais horríveis da história humana. Com sensibilidade e uma inteligência fantásticas ela escrevia com regularidade um diário, em forma de cartas, a uma amiga imaginária. Este diário tornou-se não só um dos mais comoventes depoimentos contra a guerra, contra a injustiça e a crueldade dos homens. Seu livro é importantíssimo como documento psicológico e mostra a beleza do ser humano em meio a um momento de aridez e dor. Ela não escreveu esse diário pensando em fama ou sucesso; era uma obra para si mesma, uma forma de fugir da realidade cruel que a envolvia: “Quando escrevo sinto um alívio, a minha dor desaparece, a coragem volta […] Ao escrever sei esclarecer todos os meus pensamentos, os meus ideais, as minhas fantasias” (Terça-feira, 4 de abril de 1944, p. 129).
Anne Frank e Alyan Kurdi representam a face oculta da realidade humana que ninguém deseja ver. Eles dão nome a milhares que morreram sem ter seus nomes pronunciados e nem lembrados. São vítimas da ganância e do orgulho humano, são apenas números de uma tragédia que insiste em chamar-nos a atenção para a maldade do coração humano. Enquanto muitos questionam por que Deus não salvou essa criança, quase que culpando-O de negligência, a Palavra de Deus lança aos nossos olhos a verdade inquestionável de que “[…] Seja Deus verdadeiro, e todo homem, mentiroso” (Romanos 3:4)
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Anne Frank e Alyan Kurdi são testemunhas de uma verdade bíblica, a verdade de que o ser humano está totalmente depravado. Diz a Bíblia: “como está escrito: Não há justo, nem um sequer. Não há quem entenda; não há quem busque a Deus. Todos se desviaram; juntos se tornaram inúteis. Não há quem faça o bem, nem um sequer” (Romanos 3:10-12; cf. Salmos 14:1-3). Embora a grande maioria das pessoas não concorde com isso e até rejeitem a Escritura Sagrada como verdade, o que vemos na realidade é que Deus está certo. Certo em que sentido?
Certo em afirmar que o ser humano é universalmente mau, espiritualmente ignorante, rebelde, obstinado, espiritualmente imprestável e moralmente corrupto. Isso é o que significa a doutrina da depravação total do ser humano. Essa expressão é usada para mostrar as implicações do pecado original, significando que a corrupção de nossa natureza moral e espiritual é total, não em grau (pois ninguém é tão mau quanto pode ser), mas em extensão. Ou seja, nenhuma parte de nós é intocável pelo pecado e, portanto, nenhuma ação nossa é tão boa como deveria ser. Não há nada em nós ou acerca de nós que tenha méritos diante de Deus.
A única solução para vencer a maldade humana é o amor de Deus, revelado na cruz do Calvário por meio de Jesus Cristo. Somente pela obra vicária e salvífica do Senhor é que podemos ser transformados e aceitos diante de Deus Pai. Enquanto o ser humano não se arrepender de seus pecados e não for restaurado pela graça de Cristo, continuaremos a assistir as guerras, as atrocidades e a corrupção generalizada da humanidade; continuaremos a ter Annes e Alyans morrendo na praia e nos campos de concentração. Quem matou Alyan Kurdi e Anne Frank foi a humanidade corrupta e sem Deus.
Não deixe de aproveitar o final de semana com sua família.
Fraternalmente,
De um amigo!!!!

Autor: Pr Andre LDA

Bacharel em Teologia pela Faculdade Evangélica do Brasil - ISBL, estudou também na Faculdade Teológica Sul Americana, convalidando o curso na Unicesumar. Especialista em docência no ensino superior pela Unicesumar e Liderança, Plantação e Revitalização de Igrejas pelo Seminário Teológico Asbury. Atualmente é graduando em licenciatura em história pela Unicesumar. Tenho uma grande e honrosa missão, Ganhar, Cuidar e Encorajar as pessoas a terem um relacionamento com Jesus, é nisso que gasto minha vida, eu e toda minha família estamos envolvidos nesta nobre tarefa. Soli Deo Gloria

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