Batismo: A Circuncisão Cristã

Batismo: A Circuncisão Cristã
(Gn 17:1-14; Cl 2:8-15; Mt 28:-18-20; Tt 3:5)

por

Rev. Paulo R. B. Anglada


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I. INTRODUÇÃO

O batismo e a ceia do Senhor são os dois sacramentos ordenados por Jesus para serem observados na dispensação da graça. A ceia foi instituída quando da última participação de Cristo na páscoa (Mt 26:26-30) [1]. O batismo está incluído na grande comissão, mencionada em Mateus 28:18-20 e Marcos 16:15-16). Na concepção reformada, “os sacramentos são santos sinais e selos do pacto da graça, imediatamente instituídos por Deus para representar Cristo e seus benefícios, e confirmar o nosso interesse nele, bem como para fazer uma diferença visível entre os que pertencem à Igreja e o restante do mundo, e solenemente comprometê-los no serviço de Deus em Cristo, segundo a sua Palavra. [2]

1. Importância do Assunto

Há algumas questões controvertidas relacionadas ao batismo, especialmente no que diz respeito ao batismo de crianças e ao modo do batismo. Nossos irmãos batistas e pentecostais (a maioria em nosso contexto) não batizam crianças e só reconhecem o batismo por imersão. As outras denominações protestantes históricas (luterana, reformada, anglicana, presbiteriana, metodista, etc.), diferentemente, batizam crianças e reconhecem a legitimidade de ambos os métodos (imersão e aspersão), preferindo o segundo.

Isto, além da prática católica de batizar, indiscriminadamente, qualquer criança, torna necessário que forneçamos as razões das nossas práticas concernentes ao assunto. Este artigo tem como propósito apresentar um resumo da teologia reformada concernente ao batismo, especialmente no que concerne a estas questões controvertidas.

2. O Problema Básico

Do ponto de vista reformado, o erro básico daqueles que não batizam crianças e exigem a imersão consiste em perderem de vista a continuidade da revelação da obra da redenção. A progressividade da revelação da obra da redenção, planejada por Deus na eternidade, não deve eclipsar a sua continuidade.

Antes de mais nada, é preciso compreender que o Antigo e o Novo Testamento não ensinam duas religiões diferentes. A Igreja Cristã não é uma outra igreja. O Apóstolo Paulo revela claramente que a Igreja Cristã não é uma nova árvore, mas apenas um galho enxertado na mesma árvore cuja raiz é Abraão (Rm 11:13-24), o ‘‘pai de todos os crentes’’ (Rm 4:11). Abraão é o pai tanto de incircuncisos como de circuncisos, ‘‘que andam nas pisadas da fé que teve nosso pai Abraão antes de ser circuncidado’’ (Rm 4:11-12).


II. O SIGNIFICADO DO BATISMO

1. Não É um Atestado de Salvação

Não é necessariamente o sinal visível de que a pessoa está salva. Não se trata de um rito de admissão pública na igreja invisível, mas na igreja visível — e esta inclui salvos e não salvos:

Nem todos os de Israel são de fato israelitas; nem por serem descendência de Abraão são todos seus filhos; mas em Isaque será chamada a sua descendência. Isto é, estes filhos de Deus não são propriamente os da carne, mas devem ser considerados como descendência os filhos da promessa (Rm 9:6-8)

Há diversos exemplos de membros professos da igreja tanto no AT como no NT, os quais foram circuncidados/batizados, mas que nunca experimentaram o lavar regenerador do Espírito Santo. Auxiliares diretos do Apóstolo Paulo, como Demas, abandonaram a fé cristã por amarem o presente século (2 Tm 4:10). Referindo-se a essa classe de pessoas, o Apóstolo João explica que ‘‘Eles saíram do nosso meio (da igreja visível), porque não eram dos nossos (membros da igreja invisível); porque se tivessem sido dos nossos (da igreja invisível), teriam permanecido conosco (na igreja visível); todavia, eles se foram para que ficasse manifesto que nenhum deles é dos nossos (da igreja invisível)’’ (1 Jo 2:19).

Parece desnecessário provar o que a História da Igreja e a experiência tornam mais do que evidente.


2. Não é Meio de Salvação

O batismo não tem poder divino inerente. Em si mesmo ele não pode regenerar ninguém. Esta doutrina (da regeneração batismal) é ensinada pela Igreja Católica. Para eles, o batismo confere os mérito de Cristo e o poder do Espírito Santo, purificando da corrupção interna, garantido remissão da culpa do pecado e infusão da graça santificadora, unindo o batizado com Cristo, abrindo-lhe as portas dos céus. Na teologia Católico-romana, a eficácia do batismo não depende nem dos méritos do oficiante nem dos méritos do batizado, mas da própria ação sacramental.

Para nós, reformados, entretanto, o batismo não é eficaz em si mesmo; ele não opera uma nova vida; ele a pressupõe e a fortalece, mas não a opera nem garante. Eis o que diz a Confissão de Fé de Westminster:

Posto (ainda) que seja grande pecado desprezar ou negligenciar esta ordenança, contudo a graça e a salvação não se acham tão inseparavelmente ligadas com ela, que sem ela ninguém possa ser regenerado e salvo ou que sejam indubitavelmente regenerados todos os que são batizados.


3. Não é Essencial à Salvação

A Igreja Católica pensa assim, mas nós, protestantes, não. O batismo é obrigatório, por obediência aos preceitos de Deus. E a nossa desobediência a este preceito, naturalmente resultará em empobrecimento espiritual, como acontece com a desobediência a qualquer outro preceito do Senhor.

Entretanto esta concepção do batismo como essencial à salvação é contrária ao caráter espiritual do Evangelho, que não condiciona a salvação à formas externas (Jo 4:21-24). O ladrão arrependido na cruz é evidência incontestável disso. Jesus afirmou que naquele mesmo dia ele estaria consigo no paraíso, sem batismo algum.


4. É a Continuação da Circuncisão

Os dois sacramentos do Antigo Testamento não foram abolidos, mas substituídos.

A páscoa (o sacramento comemorativo da igreja visível) transformou-se na santa ceia, quando Jesus dela participou pela última vez (Mt 26:26-30).

A circuncisão (sacramento de admissão na igreja visível) transformou-se no batismo cristão, visto que não mais havia necessidade de derramamento de sangue, pois o Cordeiro Pascal estava preste a ser imolado. Em Colossenses 2:11-12, o batismo cristão é chamado explicitamente de ‘‘circuncisão de Cristo’’ (o mesmo que circuncisão cristã) :

Nele também fostes circuncidados, não por intermédio de mãos, mas no despojamento do corpo da carne que é a circuncisão de Cristo; tendo sido sepultados juntamente com ele no batismo, no qual igualmente fostes ressuscitados, mediante a fé no poder de Deus que o ressuscitou dentre os mortos.

O argumento do Apóstolo Paulo é evidente: nós cristãos também fomos circuncidados, não com o corte do prepúcio, mas com o batismo cristão que tem a mesma função da circuncisão judaica, podendo portanto até mesmo ser chamado de circuncisão cristã.


5. É o Selo do Pacto da Graça

Já que o batismo cristão corresponde à circuncisão judaica, o batismo é, para a Igreja visível no Novo Testamento, o que foi para a Igreja visível no Antigo Testamento: a confirmação (o sinal visível) da aliança que Deus fez com Abraão, o “pai de todos os crentes.” É exatamente este o papel da circuncisão, conforme as palavras do próprio Senhor a Abraão, quando da instituição desta ordenança em Gênesis 17:1-13:

Quando atingiu Abraão a idade de noventa e nove anos, apareceu-lhe o Senhor e disse-lhe: Eu sou o Deus todo-poderoso: anda na minha presença e sê perfeito. Farei uma aliança (um pacto) entre mim e ti, e te multiplicarei extraordinariamente… será contigo a minha aliança; serás pai de numerosas nações… estabelecerei a minha aliança (pacto) entre mim e ti e a tua descendência no curso das gerações, aliança perpétua, para ser o teu Deus, e da tua descendência. Disse mais Deus a Abraão: Guardareis a minha aliança, tu e a tua descendência no decurso das suas gerações… Circundareis a carne do vosso prepúcio; será isso por sinal de aliança entre mim e vós. O que tem oito dias será circuncidado entre vós, todo macho nas vossas gerações, tanto o escravo nascido em casa, como o comprado a qualquer estrangeiro, que não for da tua estirpe. Com efeito, será circuncidado o nascido em tua casa, e o comprado por teu dinheiro; a minha aliança estará na vossa carne e será aliança perpétua.

A circuncisão dos Israelitas e dos prosélitos do judaísmo era, portanto, um sinal externo da aliança de Deus com Abraão, segundo a qual ele (Abraão) e seus descendentes constituiriam a igreja visível de Deus na terra. O batismo cristão, assim como a circuncisão judaica, é, portanto, o sinal externo solene de admissão na igreja visível.

Isto não implica necessariamente em que todos os de Israel (da igreja visível no AT) fossem ou seriam verdadeiros israelitas (membros da igreja invisível), ou seja: que necessariamente fossem ou seriam objeto da graça salvadora. Nem implicava em que aqueles que não fossem de Israel (judeus), não pudessem vir a ser verdadeiros israelitas (membros da igreja invisível).

A circuncisão implicava, sim, em que seriam considerados povo de Deus, e seriam objeto do seu especial cuidado, da sua bênção e da sua revelação. De fato, os compatriotas de Paulo segundo a carne desfrutaram de privilégios especiais, tais como ‘‘a adoção, e também a glória, as alianças (os pactos da graça e da lei), a legislação, o culto e as promessas; deles são os patriarcas e também deles descende o Cristo, segundo a carne…’’ (Rm 9:3-4). Depois de demonstrar a culpabilidade universal (de gentios e judeus), o Apóstolo Paulo pergunta: ‘‘Qual pois a vantagem do judeus? ou qual a vantagem da circuncisão?’’ Ele mesmo responde: ‘‘Muitas, sob todos os aspectos. Principalmente porque aos judeus foram confiados os oráculos de Deus.’’ (Rm 3:1-2).

Conclusão: O batismo, assim como a circuncisão, é o rito ou forma externa determinada por Deus para simbolizar e selar a admissão de pessoas na igreja visível, como beneficiários do pacto da graça e objeto do seu cuidado especial. É verdade que o símbolo pressupõe, em geral, o gracioso lavar regenerador do Espírito Santo pela Palavra (Tt 3:5), por meio do arrependimento e da fé; mas não o opera nem garante.


III. AS CRIANÇAS NO PACTO DA GRAÇA NO ANTIGO TESTAMENTO

A questão realmente importante com relação ao batismo infantil como “a circuncisão cristã” é a seguinte: as crianças foram incluídas como beneficiárias do pacto da graça que Deus fez com Abraão? E a resposta é evidentemente positiva. Na instituição da circuncisão as crianças foram explicitamente incluídas como beneficiárias do pacto da graça, como membros da igreja visível no AT. Por isso deveriam ser circuncidadas: ‘‘O que tem oito dias será circuncidado entre vós, todo macho nas vossas gerações.’’ (Gn 17:9-12). Não haveria nenhum impedimento em instituir a circuncisão apenas para os adultos! Mas isso não ocorreu. As crianças também foram incluídas, porque era o propósito do Senhor que sua aliança fosse com Abraão e com a sua descendência.

O que precisa ser entendido é que esta aliança que Deus fez com Abraão, chamada pelos reformados de pacto da graça, é a implementação histórica de uma aliança eterna, e nunca foi ab-rogada (anulada). Esta aliança, cujo selo era a circuncisão e agora é o batismo (a circuncisão de Cristo) é anterior à lei de Moisés e portanto continua vigorando. O pacto da lei passou (um adendo), é verdade, bem como suas leis cerimoniais. Mas não a aliança da graça com Abraão, a qual foi instituída cerca de quatrocentos anos antes da lei de Moisés. A aliança com Abraão não passou, é ‘‘aliança eterna’’. As ordenanças, os símbolos dessa aliança, mudaram: primeiro só a circuncisão; depois foi acrescentado a páscoa, e depois ambas foram substituídas pelo batismo e pela ceia do Senhor. Mas a aliança é a mesma.

É isto o que o Apóstolo Paulo afirma em Gálatas 3:17. Demonstrando que a lei de Moisés não pode invalidar a aliança com Abraão, ele diz: ‘‘Uma aliança já anteriormente confirmada por Deus, a lei, que veio quatrocentos e trinta anos depois não a pode ab-rogar, de forma que venha a desfazer a promessa.’’

Logo, a aliança mencionada no Novo Testamento não é uma outra aliança, uma aliança recentemente estabelecida, que ab-rogou a aliança feita com Abraão; mas a mesma aliança renovada, por Aquele que é o Mediador da aliança: Jesus (cf. Gl 3:27,29). A palavra usada não é “nevo”, mas “kainov” como em novos céus e nova terra (não outros céus e outra terra, mas estes céus e esta terra renovados).

O fato é que a igreja é a mesma. Somos membros de um mesmo corpo. Somos a ‘‘comunidade de pacto’’. Somos os verdadeiros descendentes de Abraão. ‘‘Os da fé é que são filhos de Abraão’’(Gl 3:7). Somos (a igreja cristã) os ramos que foram enxertados; nos tornamos participantes da mesma raiz e da mesma seiva da oliveira (Rm 11:17). O meio de salvação também não mudou. Somos salvos hoje do mesmo modo como foram os crentes na época do Antigo Testamento; isto é, pela graça soberana de Deus mediante o arrependimento e a fé nas Suas promessas, entre as quais a principal era a vinda do Messias, o Redentor de Israel (Rm 4:1-17). Logo, por que razão os filhos dos membros da nova aliança deveriam ser excluídos da comunidade do pacto, da igreja visível? Por que negar-lhes o selo da pacto: o batismo?


IV. AS CRIANÇAS E O PACTO DA GRAÇA NO NOVO TESTAMENTO

O Novo Testamento exclui as crianças da condição de beneficiárias do pacto da graça? Não, em nenhum lugar do Novo Testamento os filhos dos que pertenciam a aliança — os quais tão enfática e explicitamente nela foram incluídos em Gênesis 17 — foram excluídos. Pelo contrário, há afirmações também explícitas de que continuam incluídos.

1. O próprio Senhor Jesus afirmou que eles pertencem ao seu reino: ‘‘Deixai vir a mim os pequeninos e não os embaraceis, porque dos tais é o reino dos céus’’ (Lc 18:16).

2. Pedro confirma que a promessa os inclui: ‘‘Pois para vós outros é a promessa, para vossos filhos, e para todos os que ainda estão longe’’ (At 2:39)

3. O Apóstolo Paulo reconhece a posição dos filhos como ‘‘santos’’, quando pelo menos um dos pais é crente. Escrevendo aos Coríntios, Paulo orienta os cônjuges que haviam se convertido a não se separarem pelo fato do outro cônjuge continuar descrente dizendo: ‘‘o marido incrédulo é santificado no convívio da esposa, e a esposa incrédula é santificada no convívio do marido crente. Doutra sorte, vossos filhos seriam impuros; porém, agora são santos’’ (I Co 7:14)

4. Há ainda exemplos implícitos de sua prática nas páginas do Novo Testamento:

Lídia: o Senhor abriu o seu coração para crer, e logo foi batizada, ela e toda a sua casa (At 16:14,15).

O carcereiro de Filipos: Tendo perguntado a Paulo e Silas o que deveria fazer para ser salvo, eles responderam-lhe: ‘‘Crê no Senhor Jesus, e serás salvo, tu e a tua casa. E lhe pregaram a palavra de Deus e a todos os de sua casa… A seguir foi ele batizado, e todos os seus’’ (At 16:30-33)

Estéfanas: Dentre as poucas pessoas que o apóstolo Paulo havia batizado estava a ‘‘casa de Estéfanas’’ (I Co 1:16)

5. Os Pais da Igreja, de um modo geral, reconhecem e mencionam a prática do batismo infantil. Nove, dentre doze Pais que viveram nos dois primeiros séculos, referem-se à prática do batismo infantil; ex: Justino Mártir (130), Irineu (180), Orígenes (230). Posteriormente, Agostinho afirmou que ‘‘nenhum concílio jamais ordenara o batismo infantil por ser este uma prática que vinha desde os tempos apostólicos; e que nunca ouvira ou lera de alguém na igreja que sustentasse o contrário’’. O Concílio de Cartago recebeu consulta se era lícito batizar crianças antes de oito dias. O que significa que a prática do batismo infantil após o oitavo dia de vida era comum.

6. Deve-se se observar que, se não há exemplo explícito de batismo infantil no Novo Testamento, também não há a menor referência a batismos de adultos nascidos e criados em lares cristãos!


V. OBJEÇÕES


1. Não existe mandamento para batizar crianças

E nem era necessário, pois as crianças (filhos da aliança) sempre foram reconhecidas como membros da igreja visível do Antigo Testamento. Seria de se esperar o contrário: um mandamento para não mais incluí-las na igreja do Novo Testamento. Também não existe mandamento explícito instituindo o domingo como o dia do descanso cristão, nem mandamento explícito incluindo as mulheres na Ceia do Senhor!


2. As crianças não preenchem as condições necessárias: arrependimento e fé

O mesmo argumento as excluiria do céu! “Se não vos arrependerdes, todos igualmente perecereis” (Lc 13:3). “Quem nele crê não é condenado; o que não crê já está condenado” (Jo 3:18). Mas Jesus não as excluiu, e mesmo os que fazem essa objeção não as excluem.

O argumento é válido apenas para os adultos que podem exercer a fé, mas não para as crianças. A Bíblia também diz: ‘‘Quem não trabalha não coma’’. E as crianças! Devemos deixá-las com fome, porque não podem trabalhar?!

No AT as crianças (filhos da aliança) também não poderiam se arrepender e ter fé nas promessas (condição para a salvação também no AT), mas mesmo assim eram circuncidadas e consideradas membros do povo de Deus (da igreja visível) e beneficiárias da aliança.


3. Que benefícios pede produzir na criança?

Que benefício poderia produzir na criança a circuncisão? Muitos, não apenas para a criança, como também para a igreja e para os pais, como veremos a seguir.

VI. IMPORTÂNCIA DO BATISMO INFANTIL


Para a Igreja
1) Edificação dos membros.
2) Responsabilidade da igreja na orientação dos pais e dos filhos.

Para os Pais1) Conforto no sentido de que os filhos pertencem ao pacto. A não ser que rejeitem quando adultos, essa é a condição deles.
2) Responsabilidades: fazer os filhos conhecerem a sua condição de pertencentes ao pacto. Serem fiéis (dando-lhes bom testemunho). Educá-los no temor do Senhor.

Para as Crianças
1) Quando chegarem à idade da razão, saberão que pertencem à aliança e se perguntarão: O que isto significa? E serão tão beneficiadas com o batismo quanto aqueles que são batizados quando adultos.
2) Gozam de todos os privilégios da Igreja Visível: oração, conselhos, disciplina, ensino da Palavra, exemplo dos outros fiéis, e principalmente das promessas referentes ao pacto.


VII. O SIMBOLISMO E MODO DO BATISMO

1. A Prática Batista e Pentecostal

Os nossos irmão batistas e pentecostais (estes historicamente procedentes dos primeiros), insistem na imersão como sendo a única forma legítima do batismo.

A primeira razão que apresentam está relacionada ao simbolismo do batismo. Para eles, baseados em Romanos 6:3ss e Colossenses 3:12, o batismo é uma prescrição para imergir, como símbolo da morte, sepultamento e ressurreição de Cristo. Eis os textos:

Ou, porventura, ignorais que todos os que fomos batizados em Cristo Jesus, fomos batizados na sua morte? Fomos, pois, sepultados com ele na morte pelo batismo; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim também andemos nós em novidade de vida. Porque se fomos unidos com ele na semelhança da sua morte, certamente o seremos também na semelhança da sua ressurreição (Rm 6:3-5).

Tendo sido sepultados juntamente com ele no batismo, no qual igualmente fostes ressuscitados, mediante a fé no poder de Deus que o ressuscitou dentre os mortos (Cl 2:12).

A segunda razão diz respeito à inexistência, segundo eles, de exemplos de batismos por imersão no Novo Testamento.



2. A Prática Reformada e Protestante

A prática reformada não insiste na necessidade de imersão (nem de aspersão). As razões são as seguintes:

1) O simbolismo do batismo não está na imersão, mas na purificação, no lavar purificador. Assim como a circuncisão simbolizava a remoção da impureza, o batismo com água (que é a circuncisão cristã) simboliza o lavar purificador do Espírito Santo em virtude da obra de Cristo (por meio de Cristo): “ele [Deus] nos salvou mediante o lavar regenerador do Espírito Santo, que ele derramou sobre nós ricamente, por meio de Jesus Cristo, nosso salvador” (Tt 3:5).

Este simbolismo do batismo é exemplificado no relado do apóstolo Paulo das palavras de Ananias no seu próprio batismo: “levanta-te, recebe o batismo e lava os teus pecados…” (At 22:16). Isto é, o batismo não purifica do pecado, ele simboliza a purificação do pecado.

Eis o que diz o Catecismo de Heidelberg sobre o batismo:

Cristo instituiu este lavar externo com água e por ele prometeu que me encontro tão seguramente lavado com o seu sangue e com o seu Espírito das impurezas de minha alma e de todos os meus pecados, como lavado externamente com água que é usada para remover a sujeira do meu corpo (resposta 69).

É claro que num sentido mais amplo, todas as bênçãos espirituais decorrentes da salvação estão implícitas no símbolo: a morte para o pecado, o novo nascimento, o ingresso no corpo de Cristo por meio da nossa união com ele, etc. E muitas figuras são empregadas neste sentido: morrer com Cristo, ser sepultados com Cristo, ressuscitar com Cristo, viver em Cristo, andar em Cristo, revestir-se de Cristo (Gl 3:27), ser plantados com Cristo, etc. Mas isso não significa que alguma dessas figuras seja a única simbologia indicada no batismo.

A simbologia do batismo está no lavar, na purificação pela lavagem de água, na ação purificadora do Espírito Santo, o qual nos separa do uso comum (impuro) e nos une a Cristo; e não no modo como essa lavagem é efetuada. Convém observar que, mesmo em Romanos 6, o contexto geral é a purificação do pecado:

Que diremos, pois? Permaneceremos no pecado para que seja a graça mais abundante? De modo nenhum. Como viveremos ainda no pecado, nós que para ele morremos?… Sabendo, isto, que foi crucificado com ele o nosso velho homem, para que o corpo do pecado seja destruído e não sirvamos o pecado como escravos… Não reine, portanto, o pecado em vosso corpo mortal, de maneira que obedeçais às suas paixões… (vs. 1-2, 6, 12).

O essencial no batismo, é explicitamente ensinado na sua instituição e nos demais textos do Novo Testamento: que seja feito com água (At 10:47) e em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo (Mt 28:19).


2)
 Do uso da palavra batizar (baptivzw) na Septuaginta. Nas quatro vezes que o verbo aparece, todas podem ser traduzidas por lavar, mas nem todas podem ser traduzidas por imergir. Exemplos: Daniel 4:33, onde lemos que o corpo de Nabucodonosor “…foi molhado do orvalho do céu…” Conferir Levítico 6:28: “e o vaso de barro em que for cozida [a carne da oferta pelo pecado] será quebrado; porém se for cozida num vaso de bronze, esfregar-se á na água.” Mesmo em 2 Reis 5:14, onde a imersão é provável, o propósito é claramente de lavagem como símbolo de purificação, conforme indicam os versos 10, 12 e 13.

3) Dos ritos de purificação no Antigo Testamento: freqüentemente por meio de aspersões de sangue ou de água. Conferir números 19:9, 13 e 20. Estes ritos de purificação de utensílios, etc., são chamados de batismos no Novo Testamento:

E vendo que alguns dos discípulos dele comiam o pão com as mãos impuras, isto é, por lavar [ajnivpta] (pois os fariseus e todos os judeus, observando a tradição dos anciãos, não comem sem lavar [niywntai] cuidadosamente as mãos; quando voltam da praça não comem sem se aspergirem [baptivswntai]; e há muitas outras coisas que observam, como a lavragem [baptismonv] de copos, jarros e vasos de metal e camas), interpelaram-no os fariseus e os escribas: Por que não andam os teus discípulos de conformidade com a tradição dos anciãos, mas comem com as mãos por lavar [koinai – impuras]? (Mc 7:2-5).

Hebreus 9:10, 13, 19 e 21, fala da prática de abluções (baptismoi), de aspergir cinzas e sangue (rJantivzonsa), o povo, o tabernáculo e os utensílios sagrados com vistas à purificação religiosa.


4)
 Do uso da palavra no Novo Testamento:

a) Intercambiável com nivptw (lavar): maços 7:3-4 (já citado); Lucas 11:38; Mateus 15;2 e 20. Observação: o modo comum de lavar as mãos no oriente era pelo derramamento de água, como hoje.

b) A contenda dos discípulos de João sobre o batismo (Jo 3:22-30) é reconhecidamente uma contenda sobre purificação (v. 25).


5)
 Do caráter espiritual do culto no Novo Testamento, que não enfatiza a forma mas o espírito. A ênfase do culto no Novo Testamento não está na roupa dos oficiantes, no templo, no rito, mas na sua natureza espiritual e verdadeira. Em conformidade com isso, em nenhum lugar no Novo Testamento é especificada a forma do batismo (imersão ou aspersão). Logo, por que enfatizaríamos nós?

6) É interessante observar também que não há um só exemplo de batismo no Novo Testamento que especifique de modo explícito e inequívoco a forma de batismo (imersão ou aspersão) praticada. Na verdade, o contexto e alguns desses exemplos de batismos torna até improvável a imersão. É o caso do batismo das grandes multidões na cidade de Jerusalém, onde a água era escassa (at 2:37-41); do eunuco no deserto (); de Paulo na casa de Judas, por Ananias (nada no relato indica que saíram da casa, At 9:17-19); e do carcereiro de Filipos (At 16:30-33).

7) Os desenhos, gravuras e pinturas mais antigos (do segundo e terceiro séculos) de cenas de batismos cristãos retratam o derramamento de água sobre o batizado.

CONCLUSÃO


1) O batismo com água foi instituído como substituto da circuncisão, como sacramento de inciação na igreja visível de Cristo na nova aliança, visto não ser mais necessário o derramamento de sangue. É, portanto, “a circuncisão de Cristo” (cristã).

2) O batismo não é um atestado de salvação (nem todos os batizados são necessariamente salvos). Não é meio de salvação (não opera a salvação). Não é essencial à salvação (mas deve ser praticado em obediência à ordem de Cristo).

3) O batismo é o sinal visível e selo do pacto da graça, de ingresso na igreja visível, do nosso compromisso público solene com Cristo e com a sua obra. Por meio dele os membros da igreja são visivelmente distinguidos das demais pessoas como povo de Cristo e beneficiários da aliança.

4) O simbolismo do batismo consiste não apenas ou especificamente na imersão (ou morte e ressurreição), mas no lavar purificador regenerador operado pelo Espírito Santo no coração daquele que se arrepende dos seus pecados e crê na eficácia e suficiência da obra de Cristo; e na sua conseqüência união com Cristo e com o seu corpo. O batismo não é símbolo de uma figura, mas de uma transformação interna espiritual.

5) O modo do batismo não é relevante. Pode ser tanto por imersão como por aspersão. Sendo que a aspersão (ou ablução) é preferível, na concepção reformada, à luz das práticas (batismos, lavagens) purificadoras do Antigo Testamento e mesmo dos exemplos do Novo Testamento e do testemunho da história da igreja.

NOTAS:

[1] – Conferir também Marcos 14:22-26; Lc 22:14-20; e 1 Coríntios 11:23-26.

[2] – Confissão de Fé de Westminster 27.1.

[3] – Newman, Lectures on Justification, 257. Citado por Alexander Hodge, Outlines of Theology (Edinburgh: Banner of Truth, 1972), 625.

[4] – Capítulo XXIII, parágrafo V.

[5] – Trata-se do uso comum do genitivo (o genitivo descritivo), usado como um adjetivo. Ex: toswmath aJmartiva – o corpo do pecado/pecaminoso (Rm 6:6); ejn tw/swvm ati th sarkov – no corpo da carne/carnal (Cl 1:22). Assim também: to bavptisma jIwavnnou – o batismo de João/Joanino (Mt 21:25).

[6] – É esta a simbologia do batismo: o lavar regenerado do crente pelo Espírito Santo.

[7] – Conferir Confissão de Fé de Westminster, 27.3.

[8] – ejbavfh (no verso 30 na LXX).

Batismo

Batismo Infantil – Batismo de Crianças Igreja Presbiteriana
(batismo infantil) Principais considerações)

Seguem passagens bíblicas, textos dos Símbolos de Fé da IPB, Manual Presbiteriano (Princípios de Liturgia), Manual Litúrgico da IPB, opiniões teológicas (doutrinárias) de autores conhecidos e respeitados na IP do Brasil e em outras denominações eclesiásticas. Nosso desejo é que o Senhor abençoe grandemente o estudo sobre o assunto em pauta. Uma boa leitura a todos em nome de Jesus Cristo.

2- Catecismo Maior:

Pergunta 165 – O que é Batismo?

Resposta: Batismo é um sacramento do Novo Testamento no qual Cristo ordenou a lavagem com água em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, para ser um sinal e selo de nos unir a si mesmo, da remissão de pecados pelo seu sangue e da regeneração pelo seu Espírito; da adoção e ressurreição para a vida eterna; e por ele os batizando são solenemente admitidos à Igreja visível e entram em um comprometimento público, professando pertencer inteira e unicamente ao Senhor (Mt 28:19; Gl 3:26 e 27; At 2:41; Rm 6:4).

Pergunta 166 – A quem deve ser administrado o Batismo?

Resposta: O Batismo não deve ser administrado aos que estão fora da igreja visível, e assim estranhos aos pactos da promessa, enquanto não professarem a sua fé em Cristo e obediência a Ele; porém as crianças, cujos pais, ou um só deles, professarem fé em Cristo e obediência a ele, estão, quanto a isto, dentro do pacto e devem ser batizadas (At 2:38 e 39; 1 Co 7:14; Lc 18:16; Cl 2;11 e 12).

3- Manual Presbiteriano – Princípio de Liturgia; Capítulo V; Batismo de Crianças:

Art. 11 – Os membros da Igreja Presbiteriana do Brasil devem apresentar seus filhos para o batismo, não havendo negligenciar essa ordenança. § 4º – Nenhuma outra pessoa poderá acompanhar os pais ou responsáveis no ato do batismo das crianças a título de padrinho ou mesmo de simples testemunha.

4- Teólogo L. Berkhof:

“Com fundamento em nossos padrões confessionais, pode-se dizer que os filhos pequenos de pais crentes são batizados com base em que são filhos da aliança e, como tais, são herdeiros das amplíssimas promessas pactuais de Deus, que incluem também a promessa de perdão dos pecados e da dádiva do Espírito Santo para a regeneração e a santificação. Na aliança Deus lhes dá certa concessão ou dádiva de maneira formal e objetiva, exige deles que, no devido tempo, aceitem isto pela fé, e promete fazer disso uma vivida realidade nas vidas deles, pela operação do Espírito Santo. E, em vista deste fato, a Igreja deve considerá-los como herdeiros prospectivos da salvação, deve considerá-los como estando na obrigação de andar nas veredas da aliança, tem o direito de esperar que, sob uma fiel administração pactual, eles, falando em termos gerais, vivam segundo a aliança, e é seu dever considerá-los como infratores da aliança, se não cumprirem as exigências desta. É unicamente deste modo que se faz plena justiça às promessas de Deus, que em toda a sua plenitude deverão ser assimiladas pela fé por aqueles que chegarem à maturidade. Assim, a aliança, incluindo as promessas pactuais, constitui a base legal e objetiva do batismo de crianças. O batismo é sinal e selo de tudo quanto as promessas abrangem”4.

5- Rev. Augustus Nicodemus Lopes:

A prática de batizar os filhos dos cristãos vem desde os primórdios do cristianismo. Pais da Igreja, como Irineu (século II), se referem ao batismo infantil. Orígenes (século IV) foi batizado quando criança. Hoje, milhares de cristãos evangélicos no mundo continuam a prática, embora alguns pais permitam que seus filhos sejam batizados apenas porque faz parte da tradição religiosa na qual nasceram. Para outros, o batismo é um ato pelo qual consagram seus filhos ao Senhor, com votos solenes de educá-los nos caminhos de Deus até a idade da razão. Evidentemente nem todos os evangélicos concordam que o batismo infantil seja a única maneira de se fazer isso. Muitos preferem apresentar seus filhos ao Senhor, sem batizá-los, pois, acreditam que o batismo é somente para adultos que creem. Porém, tanto os que batizam seus filhos, quanto os que os apresentam, têm um desejo só, de vê-los crescer nos caminhos do Evangelho, e, quando chegarem à idade própria, publicamente professar sua fé pessoal em Cristo Jesus. Alguns me perguntam por que apresentei meus quatro filhos para serem batizados, quando cada um ainda não tinha mais que dois meses. Minha resposta é que acredito estar seguindo a tradição bíblica, que remonta ao tempo do Antigo Testamento, e que não foi abolida no Novo, de incluir os filhos dos fiéis na aliança de Deus com o seu povo. Batizei meus filhos crendo que, através desse rito iniciatório, eles passaram a fazer parte da Igreja visível de Cristo aqui na terra. Minha crença sé baseia no fato de que, quando Deus fez um pacto com Abraão, incluiu seus filhos na aliança, e determinou que fossem todos circuncidados (Gn. 17.1-14). A circuncisão, na verdade, era o selo da fé que Abraão tinha (ver Rm 4-3,11 com Gn 15.6), mas, mesmo assim, Deus determinou-lhe que circuncidasse Ismael e, mais tarde, Isaque, antes de completar duas semanas (Gn. 21.4). Abraão creu e o sinal da sua fé foi aplicado a Isaque, mesmo quando este ainda não podia crer como seu pai. Mais tarde, quando Moisés aspergiu com o sangue da aliança as tábuas da Lei dada por Deus, aspergiu também todo o povo presente no monte Sinai, incluindo obviamente as mães e seus filhos de colo (Hb 9.19-20). Estou persuadido de que a Igreja cristã é a continuação da Igreja do Antigo Testamento. Símbolos e rituais mudaram, mas é a mesma Igreja, o mesmo povo. O Sábado tomou-se em Domingo, a Páscoa, em Ceia, e a circuncisão, em batismo. Os crentes são chamados de “filhos de Abraão” (Gl 3.7,29) e a Igreja de “o Israel de Deus” (Gl 6.16). Não é de se admirar que Paulo chame o batismo de “a circuncisão de Cristo” (Cl 2.11-11). Foi uma grande alegria ter meus filhos batizados e vê-los, assim, receber o selo da fé que minha esposa e eu temos no Senhor Jesus. Deus sempre tratou com famílias (Dt 29.9-12), embora nunca em detrimento da responsabilidade individual. Assim, Deus mandou que Noé e sua família entrassem na arca (Gn. 7.1), chamou Abraão e sua família (Gn 12.1-3) e castigou Acã, Coré e suas famílias juntamente. Paulo, ao refletir sobre a história de Israel e ao mencionar a passagem dos israelitas pelo Mar Morto, diz que todo o povo foi batizado com Moisés, na nuvem e no mar inclusive as crianças, é claro, pois havia milhares delas (1 Co 10.1-4). Não é de se admirar, portanto, que Pedro, no dia de Pentecostes, ao chamar os ouvintes ao arrependimento, à fé em Cristo e ao batismo, disse-lhes que a promessa do Espírito Santo era para eles e para seus filhos (At 2.38-39). E não é de admirar que os apóstolos batizavam casas inteiras em suas viagens missionárias: Paulo batizou Lídia e toda sua casa (At. 16.15), o carcereiro e todos os seus (At 16.3233), a casa de Estéfanas (1 Co 1.16). É verdade que não se mencionam crianças nessas passagens, mas o entendimento mais natural de “casa” e “todos os seus” é que se refira à família do que creu e fica difícil imaginar que, se houvesse crianças, elas teriam sido excluídas. Pois, para Paulo, os filhos dos crentes eram “santos” (1 Co 7.14), ao contrário dos filhos dos incrédulos. Talvez ele estivesse seguindo o que o Senhor Jesus havia dito, que não impedissem as crianças de virem a Ele (Mc 10.13-16). Compreendo a dificuldade que alguns terão quanto ao batismo infantil, pois não há exemplos claros de crianças sendo batizadas no Novo Testamento. É verdade. Mas é igualmente verdade que não há nenhum exemplo de um filho de crente sendo batizado em idade adulta. Neste caso, talvez seja mais seguro ficar com o ensino do Antigo Testamento. Se os judeus que se converteram a Cristo não podiam batizar seus filhos, era de se esperar que houvesse alguma proibição neste sentido por parte dos apóstolos, já que estavam acostumados a incluir seus filhos em todos os aspectos da religião judaica. Mas não há nenhuma proibição apostólica quanto a isso. Compreendo também que alguns têm dificuldades com o batismo infantil por causa da prática da Igreja Católica e de algumas denominações evangélicas, que adotam a ideia da regeneração batismal, isto é, que, pelo batismo, a criança tenha seus pecados lavados e seja salva. Pessoalmente não creio que seja este o ensino bíblico. O batismo infantil não salva a criança. Meus filhos terão de exercer fé pessoal em Cristo Jesus. Não serão salvos pela minha fé ou da minha esposa. Eles terão de se converter de seus pecados e crer no Senhor Jesus, para que sejam salvos. O batismo foi apenas o ritual de iniciação pelo qual foram admitidos na comunhão, da Igreja visível. Simboliza a fé dos seus país nas promessas de Deus quanto aos seus filhos (cf. Pv 22.6; At 2.38; At 16.31) e expressa os termos da aliança que nós e nossos filhos temos com o Senhor (Dt 6.6,7; Ef 6.4). Se, ao crescer, uma criança que foi batizada resolver desviar-se dos caminhos em que foi criada, é da sua inteira responsabilidade, assim como os que foram batizados em idade adulta, e que se desviam depois. Certamente que o Novo Testamento fala do batismo como sendo uma expressão de fé e de arrependimento por parte daqueles que se convertem a Cristo – coisas que uma criança em tenra idade não pode fazer. Por outro lado, lembremos que passagens assim não tinham em vista os filhos dos fiéis, mas toda uma primeira geração de adultos que se converteram pela pregação do Evangelho. Mas, ao fim, tanto os que batizaram seus filhos quanto os que os apresentaram, devem orar com eles e por eles, serem exemplos de vida cristã, levá-los à Igreja, instruí-los nas Escrituras e viver de tal modo que, ao crescer, os filhos desejem servir ao mesmo Deus de seus pais.

6- Rev. Hernandes Dias Lopes:

As crianças fazem parte da família de Deus. Deus firmou conosco uma aliança eterna, prometendo ser o nosso Deus e o Deus dos nossos filhos (Gn 17.1-10). O selo espiritual dessa aliança foi a circuncisão (Rm 4.16-18; Gl 3.8,9,14,16). A circuncisão era o rito de entrada no pacto. A criança era circuncidada ao oitavo dia e a partir daí participavam dos benefícios do pacto (Gn 17.10; Is 54.10,13; Jr 31.34). O pacto feito com Abraão, o pai da fé, não foi ab-rogado (Is 59.20,21; At 2.37-39). A promessa está vigente na nova dispensação (Rm 4.13-18 e Gl 3.13-18). Na nova dispensação os infantes não foram excluídos. O Novo Testamento confirma que as crianças de pais crentes era membros da igreja (Mt 19.14; Jo 21.15; At 2.39; I Co 7.14). Temos forte evidência de que os apóstolos batizaram crianças (At 10.48; 11.14; 16.15; 16.33; 18.8; I Co 1.16; I Co 7.14). Outrossim, os principais pais da igreja, como Justino, o mártir, Irineu, Orígenes, Agostinho e Tertuliano fizeram menção dessa prática apostólica. Os teólogos reformados e as principais confissões de fé da igreja reformada também defenderam a prática do batismo infantil, como a Confissão belga, O Catecismo de Heidelberg, os Cânones de Dort e a Confissão de Fé e os Catecismos de Westminster.

Respostas aos que se opõem ao batismo infantil e levantam algumas objeções:

A- As crianças não podem exercer uma fé pessoal em Cristo como seu salvador e por isso não devem ser batizadas (Mc 16.16). Esse texto não está endereçado às crianças. Porque a dedução lógica, então, seria que a criança por não crer está condenada, enquanto o próprio Jesus disse que das tais é o Reino dos céus. O apóstolo Paulo disse também: quem não quer trabalhar, também não coma. Poderíamos nós aplicar esse texto a uma criança?
B- O batismo das crianças inconscientes é uma violação da sua liberdade de escolha pessoal. Não foi essa a visão de Josué quando disse: “Eu a minha casa serviremos ao Senhor” (Js 24.15). Nos pactos de Deus com o seu povo, os pais sempre foram legítimos representantes dos seus filhos (Gn 9.8,9; 17.7). Os pais escolhem vestuário, alimentação, escola. Não teria que decidir sobre a quem a criança deve adorar? O argumento teria que ser usado também para o caso da criança que era circuncidada ao oitavo dia.
C- Não há no NT nenhum mandamento expresso para se batizar criança. Não há necessidade, pois que não há nenhum que o proíbe. Então, o princípio não foi ab-rogado. Já que o batismo substituiu a circuncisão, o batismo infantil está absolutamente legitimado no NT.
D- O batismo não pode ser substituto da circuncisão, por que esta era só aplicada aos do sexo masculino. As mulheres no velho pacto eram representadas pelos pais e pelos maridos. Entretanto, no NT Cristo conferiu novos direitos à mulher (Gl 3.28).
E- A circuncisão era apenas um distintivo de nacionalidade entre os judeus, sem significação religiosa. Esse não é o ensinamento das Escrituras como podemos testificar em Rm 4.10,11; Dt 10.16; 30.6.
F- Se o batismo é o sinal da recepção da criança na igreja, assim como os adultos, porque eles então não participam da Ceia? No rebanho há cordeirinhos e ovelhas. O adulto senta-se à mesa e come feijoada, a criança leite. Nem por isso, a criança deixa de ser membro da família. Uma criança não pode votar, nem por isso deixa de ser cidadã.
G- Quando se batiza uma criança não se pode ter certeza da sua regeneração, ela pode se desviar. O mesmo pode acontecer com os adultos. Batizamos pela ordenança do pacto (Pv 22.6).
H- Por que então, Jesus não foi batizado na infância e por que ele não batizou as crianças que vieram a ele? Primeiro, porque Jesus foi circuncidado ao oitavo dia (ato semelhante ao batismo infantil). Segundo, porque o batismo cristão ainda não havia sido instituído. Portanto, estava em vigência a circuncisão. O batismo cristão foi instituído depois da ressurreição de Cristo (Mt 28.19).

7- Manual Litúrgico da IPB:

“Assim, os filhos dos crentes não têm menos direito hoje ao sacramento do batismo do que a descendência de Abraão tinha ao rito da circuncisão. De outro modo a Escritura não daria aos filhos dos crentes o nome de santos (1 Co 7:14), com que na Sagrada Escritura são designados os membros da Igreja, nem tampouco nosso Senhor os teria tratado nesta relação dando-lhes a sua benção, e declarando que ‘dos tais é o reino de Deus’” (Mc 10:14).

A Benção do Deus da aliança, o Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó, o Deus de nossos pais, o Pai e o Filho e o Espírito Santo, seja com vocês e com os seus filhos para sempre. Amém.

Obs.: A pesquisa, resumo, sublinhar e adaptações foram realizadas pelo Rev. Miguel Munhós Filho – miguelmunhos@yahoo.com.br

Fontes:
1 A Confissão de Fé, Catecismo Maior e o Breve Catecismo, 1991, pp. 141 – 145.
2 Idem, pp. 349 e 350..
3 Manual Presbiteriano; Princípio de Liturgia; Capítulo V; Batismo de Crianças, 2014, p. 126..
4 Louis Berhkof, Teologia Sistemática, 2004, 2º Ed. Português, pp. 589 e 590.
Link
6 Hernandes Dias Lopes – Link
7 Manual Litúrgico da IPB, 1992, pp. 88 e 89.b

A Ordem da Salvação

A Ordem da Salvação
ou A Ordo Salutis

por

David Brown

“Levando cativo todo o pensamento à Palavra de Deus”. (2 Coríntios 10:5)

Introdução:

A ordo salutis é o entendimento padrão Reformado de como Deus aplica a redenção em Seu povo. Quando se diz que uma pessoa particular foi ou é “salva”, o termo é frequentemente usado sem a profundidade da Escritura ou sem uma apreciação da graça de Deus. A Bíblia é muito clara de que os crentes são salvos pela graça, e estas doutrinas especificam os modos nos quais esta graça é manifesta em e através do crente. A Escritura define vários diferentes aspectos ou passos da salvação de uma pessoa, desde o primeiro ouvir do Evangelho até o caminho para a eternidade no céu. Cada um desses aspectos se coincide, visto que todos eles são partes da salvação de uma pessoa, mas eles também mantêm suas características distintivas nas Escrituras e no plano redentor. Deus aplica esta redenção no tempo àqueles que Ele escolheu desde toda a eternidade.


Chamado do Evangelho:

O Pai determinou que o caminho normativo de salvação deveria ser através de Sua Palavra. A Bíblia coloca uma ênfase muito grande sobre a leitura e pregação de Sua Palavra, assim como sobre a transmissão deste Evangelho a todas pessoas. Este chamado geral do Evangelho, contém a supremacia de Deus, Sua ira contra o pecado, e a promessa de salvação através de Seu Filho, exorta o homem caído a se arrepender de seus pecados e crer na redenção de Cristo Jesus.

(veja Isaías 55.7, Mateus 28.19-20, Romanos 10.14,17, 2 Timóteo 1.9-10, 3.15; CFW 10)


Regeneração:

O chamado geral do Evangelho é feito eficaz quando o Espírito Santo faz com que a Palavra de Deus seja entendida, apreciada e crida no coração de um indivíduo. Por causa da natureza caída e pecaminosa do homem, ele está em inimizade contra Deus e recusa reconhecer a veracidade do Evangelho. Deus envia Seu Espírito aos Seus eleitos para mudar esta rebelião espiritual, regenerando, renovando e transformando a condição interna de depravado para uma de amor pelo Senhor. Na realidade, estes corações e naturezas foram nascidos de novo, e seus olhos e ouvidos foram abertos para ver as gloriosas verdades da salvação de Deus.

(veja Ezequiel 36.26-27, Mateus 16.17, 1 Coríntios 2.12-14, 2 Coríntios 3.3,6, 2 Tesssalonicenses .2.13-14, Tito 3.5; CFW 3.6, 10)

Conversão:

O coração regenerado que ouve o Evangelho é confrontado com a culpa de sua condição pecaminosa e a certeza de um justo julgamento contra ele. Desesperando-se por causa de seu estado, ele vê sua única esperança de escape através de Cristo e tanto confia na promessa de salvação como também se arrepende de seus pecados. Pela fé, ele reconhece a si mesmo como um pecador necessitado da graça, e implora a Deus por Seu poder e amor para salvá-lo através do sangue e da justiça de Cristo. Através do arrependimento, ele odeia sua pecaminosidade e se volta para Deus como a única fonte de justiça e bondade, esforçando-se para viver obedientemente para Ele. Aqueles que se arrependem e crêem são convertidos de seguidores de Satanás para seguidores de Deus.

(veja Isaías 55.11, Oséias 14.2,4, Atos 17.30-31, 20.21, Romanos 1.17, Efésios. 1.17-18, 2.8: CFW 14, 15)


Justificação:

A promessa no Evangelho é que aqueles que confiam no Senhor serão salvos. O perdão para os pecados do povo de Deus, e a justiça que permite ao pecador estar na presença de um Deus santo, vêm da perfeita obediência e do sacrifício expiatório de Cristo. Como um substituto para o eleito, duas coisas acontecem:

1. Cristo obtém sua salvação e o seu estar diante de Deus, por cumprir a lei de Deus e o pacto no lugar dele, e

2. Ele carrega o castigo pelos seus pecados. Como Cristo cumpriu esta tarefa, Deus promete que aqueles que confiam nEle terão a justiça de Cristo imputada (ou dada) a eles, assim como os seus pecados serão imputados a Cristo.

Assim, como um santo Juiz, Deus legalmente declara que o Seu povo é “justo”, ou “sem culpa”. O pecador é justificado diante do Senhor quando, em fé, Ele descansa não sobre sua própria bondade e/ou boas obras (as quais ele não tem nenhuma), mas sobre a magnificente obra do Filho de Deus.

(veja Jeremias 23.6, Romanos 3.24-26, 4.5-8, 5.17-19, Gálatas 2.16; CFW 11)


Adoção:

A graça de Deus converte pecadores de servos de Satanás em servos de Cristo, todavia, Deus promete mais do que isso. Ele manifesta Seu amor paternal para com os pecadores perdidos, adotando-os como Seus próprios filhos. Através da adoção, Ele lhes dá todos os direitos, privilégios e proteção, como pertencendo a Sua família e tendo Seu nome. Eles se tornam filhos e filhos adotivos do Pai, e irmãos, irmãs, e co-herdeiros com Cristo.

(veja Salmos 103.13, João 1.12, Romanos 8.15-17, Gálatas 4.5-7, Efésios 1.5; CFW 12)


Santificação:

O próximo passo neste processo de salvação é a obra purificadora do Espírito Santo no andar diário do crente. Não somente os eleitos são apresentados como inocentes através da imputação da justiça de Cristo, mas eles também se desenvolvem espiritualmente na justiça pela Palavra e pelo Espírito. Como o Espírito habita o crente, Ele opera neles o crescer na graça e no conhecimento, e produz neles fruto e boas obras espirituais. Os crentes são especialmente santificados quando envolvidos numa igreja onde a Bíblia é ensinada e os sacramentos são ministrados. Embora ninguém possa se tornar perfeito nesta vida, e embora esta santificação pode ser uma obra muito longa e demorada, os eleitos são fortalecidos eficazmente para que eles perseverem na santidade.

(veja 2 Coríntios 7.1, Efésios 2.10, 5.26, 2 Tessalonicenses 2.13, Hebreus 13.20-21; CFW 13, 16)

Glorificação:

Quando um crente morre, sua alma vai para a presença de Deus enquanto Ele espera pela ressurreição e redenção do seu corpo físico, e ali é confortado e contempla a glória de Deus. A realização final da salvação acontecerá quando Cristo retornar, reunir Seu povo, e glorificá-los junto dEle. Quando a Nova Jerusalém for estabelecida, que é comumente uma referência ao céu, a Bíblia promete que a maldição do pecado não mais existirá e que os eleitos habitarão no céu com o Senhor eternamente, em perfeita paz, amor e alegria.


(veja Eclesiastes 12.7, João 5.28-29, Atos 24.15, Romanos 8.30, 1 Coríntios 15, 2 Coríntios 5.1,6,8, Filipenses 1.23; CFW 32, 33)

Fonte: http://www.monergismo.com/textos/ordo_salutis/ordo.htm

Bancos vazios nas igrejas são uma crise de saúde pública.

Os americanos estão desistindo da igreja com muita rapidez. Quem vai pagar o preço são nossas mentes e nossos corpos.TYLER J. VANDERWEELE E BRENDAN CASE|ENGLISHESPAÑOL
Bancos vazios nas igrejas são uma crise de saúde pública.

Image: Illustration by Ryan Johnson

Oreverendo William Glass é um sacerdote e teólogo anglicano, fluente em cinco idiomas, que possui um currículo impressionante em marketing. Sua história não é de privilégios, no entanto. Na visão de Glass, a igreja salvou sua vida.

Glass cresceu desesperadamente pobre em um estacionamento de trailers na Flórida. Sua família ia à igreja talvez uma vez por ano, mas sua formação religiosa era, em suas palavras, “alcoólatra do sul”. Seu pai ou não estava presente ou era abusivo, ele não tinha amigos íntimos, e quando ia à escola, era um tormento. Ainda na adolescência, ele começou a controlar o estresse com drogas e álcool.

Mas, certo vez, Glass visitou um grupo de jovens presbiterianos para “impressionar uma garota”. Isso não mudou tudo da noite para o dia: ele continuou a ter uma vida difícil, incluindo a convivência com sem-tetos. Mas Glass também tinha amigos em algumas igrejas que cuidavam dele durante as crises, ajudavam-no a se manter conectado [ao grupo] e lhe mostravam outra maneira de viver.

Na visão de Glass, a igreja acima de tudo ofereceu a ele “capital social e relacional” que era escasso nas outras comunidades fragmentadas de sua vida. “Os laços que formei na igreja”, diz ele, “significavam que, quando a situação piorava, havia outra coisa a fazer além da próxima coisa ruim”.

Para continuar lendo acesse …..

https://www.christianitytoday.com/ct/2021/october-web-only/igreja-saude-publica-religiosidade-pt.html

TEMPESTADES SÃO PASSAGEIRAS

Mc 4:35-41

Esse evento em que Jesus acalma a tempestade talvez seja um dos eventos mais conhecidos da Palavra. É fato que, desde o início da pandemia, todos temos passados por momentos difíceis em alguma área de nossas vidas. Podemos até dizer que nesse último 1 ano e meio, passamos ou estamos passando por uma das maiores tempestades que já vivemos. É comum não desejarmos viver momentos difíceis, que nos geram desconforto. Pelo contrário, sempre desejamos que nossa vida siga o trajeto e plano “perfeito” que traçamos. Mas, não podemos esquecer que tempestades na vida de um cristão são necessárias, pois elas forjam crescimento e amadurecimento.

1. ENTRE NA EMBARCAÇÃO.

Jesus tinha acabado de transmitir vários ensinamentos para uma multidão, incluindo seus discípulos, quando então Ele decidiu atravessar o mar. No v. 35 podemos ver que Jesus convidou os discípulos para atravessarem o mar.

Essa história é contada em 3 livros diferentes da bíblia, e em nenhum dos 3 versículos conta se Jesus disse aos discípulos o motivo pelo qual eles iriam atravessar o mar.

Mesmo assim, vemos que os discípulos aceitaram acompanhar Jesus, eles entraram juntos na embarcação.

Ainda mais, o texto não menciona em momento algum qual seria a motivação dos corações dos discípulos. Mas, podemos deduzir que eles estavam sedentos para ouvirem novos ensinamentos que Jesus tinha a dizer, afinal, eles já acompanhavam Jesus há um tempo. De uma coisa podemos ter certeza, os discípulos desejaram a companhia de Jesus.

Temos vivido em uma atual geração que tem afirmado com grande convicção que deseja crescer em Cristo. Mas, ao mesmo tempo, também temos visto que desses muitos, poucos realmente aceitam entrar na embarcação com Deus.

A atitude de aceitar o convite de Jesus significa que estamos dispostos a sermos levados à lugares que Ele deseja nos levar. É ter a compreensão que Jesus por muitas vezes, não nos contará o destino final, e que teremos que viver pela fé!

Na sua opinião, qual é a grande dificuldade de um cristão em aceitar os destinos que Jesus quer nos levar?

2. DESEJE VIVER A TEMPESTADE.

Como vimos na história, mesmo estando na companhia de Cristo, estamos sujeitos a passarmos por grandes tempestades.

No v. 38 podemos ver a reação dos discípulos: claramente eles estavam desesperados! Na perspectiva e ótica deles, naquele momento não existia solução, eles iriam morrer.

Muitas vezes, em nosso relacionamento com Deus, agimos como os discípulos. Escutamos o que Ele tem a nos ensinar, aceitamos o convite que Ele nos faz, mas na primeira tempestade nos desesperamos.

Mas, mesmo diante dessa atitude de desespero dos discípulos, podemos ver que eles prontamente recorreram ao mestre e não pensaram duas vezes: eles acordaram Jesus!

Em Rm 5:3-5, apóstolo Paulo nos mostra que os momentos de dificuldades nos forjam a crescer.

Nós, como filhos de Deus, ao desejarmos viver uma vida conforme Cristo viveu, precisamos entender que precisamos estar dispostos as passar pelas dores que Ele passou.

Temos disposição de viver a vida que Jesus tem para nós, quando ela se encaixa perfeitamente com aquilo que planejamos. Mas precisamos ter a mesma disposição para viver a vida que Jesus tem para nós, mesmo quando ela nos tira de nossa zona de conforto e nos leva para grandes tempestades.

Na sua opinião, qual o grande diferencial de um Cristão que passou a desejar viver as tempestades? Como podemos ter disposição nos momentos difíceis? Em seu momento de maior tempestade, o que te ajudou a continuar na caminhada com Cristo?

3. APRENDA COM A CALMARIA.

No finalzinho da história, no v. 39 podemos ver que Jesus acalma o mar, e a tempestade cessa. Viver na companhia de Jesus nos garante que nenhuma tempestade será invencível. Mas, logo no v. 40, Ele pergunta aos discípulos “Por que estão com medo? Ainda não tem fé?”.

Precisamos compreender que, logo depois de toda tempestade, existe um grande ensinamento. Existem momentos difíceis que só passarão depois que nosso coração estiver disposto a ser ensinável.

Não existem tempestades sem propósito. Deus deseja moldar nosso coração para que possamos ser cada vez mais parecidos com Cristo. É após a tempestade, na calmaria, que tiramos grandes ensinamentos.

Em uma frase, Bill Johnson diz que: “Às vezes, Deus acalma a tempestade. Outra vezes, Ele permite a tempestade e acalma você!”

Você acredita que temos mais discernimento para entender os tratamentos de Deus no momento em que está acontecendo a tempestade ou na calmaria? Por qual motivo, muitas vezes, demoramos a ter um coração ensinável? Por que delongamos as tempestades?

4. CONCLUSÃO.

Deus deseja um relacionamento íntimo e profundo conosco, mas para isso, precisamos estar dispostos a ser moldados. Precisamos ter a convicção que, se estivermos em uma embarcação e surgir uma forte tempestade, Jesus sempre estará conosco, nos acompanhando até a calmaria chegar.

O MAIOR MANDAMENTO

Marcos 12:28-30

Nessa referência que acabamos de ler, vemos Jesus sendo questionado sobre qual o mandamento mais importante de todos, e sem hesitar Ele responde sobre o quanto devemos amar a Deus, e que nada é tão relevante quanto isso. Afinal de contas é maravilhoso olharmos o evangelho apenas pelo lado da graça, do favor imerecido, de como fomos alcançados pelo imensurável amor de Deus que toca nossas vidas mesmo sendo pecadores ingratos e dignos da condenação eterna, dessa parte é mais fácil falar e viver pensando nela. Mas o problema é nos esquecermos daquilo que mais importa, que é o quanto nós devemos ao nosso Pai, o quanto Ele merece toda nossa vida, nossa devoção, nosso louvor, nossa adoração, nossa honra e nosso amor, até porque, se nós de fato não O amamos de todo nosso coração, então não estamos cumprindo o maior de todos os mandamentos, e por consequência não somos salvos, porque no íntimo do nosso coração Ele ainda não se tornou Senhor e Salvador das nossas vidas.

Deus nos amou tanto que entregou seu Filho unigênito para nos salvar, mas nos próximos tópicos vamos falar sobre o caminho inverso, sobre o nosso amor para com Ele.

1 – HONRAR, UMA FORMA DE AMAR (Efésios 6:1-3)

Você acha que o ato de matar alguém é gravíssimo demais e ofensivo a Deus?! Pois saiba que na famosa lista dos dez mandamentos “honrar pai e mãe” está acima de “não matar”, quando criança nós costumamos ouvir muito sobre o quanto devemos obedecer e respeitar os nossos pais, mas parece que conforme vamos crescendo, se tornando independentes, nós vamos nos esquecendo desses tipos de princípios. Honrar os pais é um ato de amor, eles ajudam os filhos a crescer e ensinam coisas muito importantes para que tenham uma vida longa, os filhos que honram os pais e ouvem seus conselhos poderão evitar muitos erros ao longo da vida, e mesmo se você não tem seus pais biológicos, com certeza há alguém na sua vida que acabou fazendo o papel deles na sua caminhada.

– Por quais motivos você acha que acabamos nos esquecendo de demonstrar essa forma de amor? De quais formas nós podemos honrar pai e mãe mesmo quando nos tornamos adultos e independentes deles? De que maneira podemos relacionar essa honra a nosso Deus Pai?

2 – PECADO, A BARREIRA ENTRE NÓS E DEUS (Isaías 59:2)

No nosso cotidiano existe um grande vilão que nos afasta de nosso Pai, e só de falar isso já pensamos que é satanás com toda sua maldade, mas por mais que ele viva tentando nos distrair e nos afastar da presença de Deus, na verdade ele não nos obriga a pecar, somos nós que tomamos a decisão de seguir pelo caminho do pecado mesmo sabendo que é errado. O pecado é nosso grande inimigo no relacionamento com Deus, na referência que acabamos de ler em Isaías fica muito claro o quanto o pecado desagrada Ele e cria uma espécie de barreira entre nós e nosso Pai.

– Você pode compartilhar alguma experiência onde viu isso acontecer na prática, onde as escolhas erradas que você fez te afastaram de Deus? Qual foi o sentimento que você teve quando passou por isso?

3 – OBEDIÊNCIA, AMAR A DEUS NA PRÁTICA (João 14:21)

A Bíblia nos deixa claro que não somos salvos pelas obras, que jamais alcançaríamos a salvação nos esforçando ao máximo para fazer o bem a todos, que o único meio para isso é através de Jesus, mas mesmo assim o próprio Jesus faz questão de deixar claro o quanto é importante levarmos uma vida de santidade, na referência que lemos Ele deixa muito nítido o quanto a obediência é uma evidência clara, do quanto nós de fato O amamos.

E essa é a chave para que possamos refletir, não basta apenas dizer da boca pra fora que Ele é o nosso Senhor e Salvador, para Deus são nossas escolhas e atitudes que realmente falam se entregamos nossa vida a Ele, se dizemos que O amamos mas vivemos em desobediência, Ele sabe que estamos mentindo.

– Você já parou pra pensar no quanto a obediência pode ser uma das maiores formas de amar a Deus? Ou você sempre pensou na obediência por medo das consequências?

CONCLUSÃO

Hebreus 12:14 “Esforcem-se para viver em paz com todos e para serem santos; sem santidade ninguém verá o Senhor.”

Quando falamos de demonstração de amor costumamos atrelar isso a declarações bem elaboradas e direcionadas a alguém, pensamos também em presentes que podem ser dados a pessoa, em cartas que podem ser escritas com belas palavras, mas na verdade, uma das maiores formas de demonstrar amor são as atitudes que temos em relação a essa pessoa. O que Jesus nos ensina é que uma das grandes evidências do nosso amor por Ele é o quanto nós obedecemos a tudo aquilo que nos ensina através da Bíblia.

Só alcançamos a salvação quando reconhecemos Jesus como nosso Senhor e Salvador, mas é a vida de santidade que levamos que mostra o quanto realmente entregamos nossa vida a Ele, é o quanto estamos dispostos a matar nossa carne todos os dias que declara aos céus o quanto amamos Ele de todo nosso coração.